
Petróleo cai abaixo de US$ 80 com trégua no Golfo e AIE prevê excedente em 2027
A iminência do acordo de paz entre EUA e Irã derrubou o petróleo abaixo de US$ 80, enquanto a AIE revê demanda para 2026 e projeta excedente de oferta em 2027.
Os preços do petróleo romperam a barreira dos US$ 80 por barril nesta quarta-feira, 17 de junho, pela primeira vez desde o início de março, impulsionados pelo otimismo com o iminente acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. O Brent do Mar do Norte recuou para a faixa de US$ 79,55, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) caiu abaixo de US$ 75. O pacto preliminar, a ser assinado na sexta-feira na Suíça, prevê um cessar-fogo de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã e o levantamento do bloqueio naval imposto por Washington. Petroleiros iranianos já começaram a deixar os portos, sinalizando o primeiro teste da trégua.
O relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgado no mesmo dia, reforçou a perceção de que o pior momento da crise de abastecimento pode ter ficado para trás, mas revelou a profundidade dos estragos. A entidade reviu em baixa a procura mundial de petróleo para 2026, projetando uma queda de 1,1 milhões de barris por dia (mbd), quase o triplo da estimativa anterior de 420 mil barris. Pelo lado da oferta, a AIE calcula uma contração de 3,9 mbd neste ano, com as entregas do segundo trimestre a recuarem 5% em termos anuais. As reservas estratégicas dos governos caíram para o nível mais baixo desde 1990, e o ritmo de destruição de stocks atingiu 4,6 mbd em maio.
Olhando para 2027, a AIE traçou um cenário de forte excedente. Com a normalização gradual dos fluxos no Golfo Pérsico, a oferta global deverá disparar 8 mbd, alcançando 110 mbd, enquanto a procura crescerá apenas 2 mbd. O resultado será um excedente superior a 5 mbd, que poderá pressionar os preços para níveis ainda mais baixos. Contudo, a própria agência alerta que a recuperação do tráfego em Ormuz será lenta, e os efeitos da guerra prolongar-se-ão por meses.
Para as economias lusófonas, o novo quadro tem impactos divergentes. Portugal, importador líquido de energia, beneficia diretamente da redução dos custos de importação, o que pode aliviar a pressão inflacionária, observam analistas em Lisboa. Já para o Brasil e Angola, grandes exportadores de crude, a perspetiva de um excedente em 2027 acende um sinal de alerta para as receitas fiscais e os planos de investimento da Petrobras e da Sonangol. Em Brasília, a queda abrupta dos preços reaviva o debate sobre a volatilidade das commodities. Apesar do otimismo predominante, o acordo é provisório e depende do cumprimento de condições delicadas; qualquer retrocesso nas negociações poderá reacender o prémio de risco geopolítico, advertem economistas em Luanda.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A AIE reduziu drasticamente sua previsão de demanda de petróleo, alertando que nem mesmo o acordo sobre Ormuz elimina os riscos. Os estoques governamentais estão no nível mais baixo desde 1990 e o mercado permanece vulnerável. A queda de 1,1 milhão de barris por dia reflete os danos duradouros do conflito.
A AIE prevê um excedente significativo de petróleo em 2027 após a reabertura do Estreito de Ormuz e a normalização da oferta. O acordo EUA-Irã encerrará a maior interrupção de fornecimento da história, que bloqueou mais de 14 milhões de barris por dia. Após uma fase de recuperação, o mercado passará a um excesso de oferta relevante.
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