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Geopolítica & Políticasegunda-feira, 29 de junho de 2026

Acordo-quadro entre Israel e Líbano é testado por demolição de túnel e rejeição do Hezbollah

A destruição de uma infraestrutura subterrânea do Hezbollah no sul do Líbano, dois dias após a assinatura de um entendimento mediado pelos EUA, expõe a fratura entre o compromisso diplomático e a realidade militar no terreno.

As Forças de Defesa de Israel destruíram no domingo um túnel com mais de 200 metros de extensão na localidade de Majdal Zoun, no sul do Líbano, numa operação comunicada previamente a Washington. Segundo um comunicado conjunto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa, Israel Katz, a galeria albergava centenas de armas e lançadores de mísseis destinados a atingir o território israelita. A ação ocorreu 48 horas depois de os embaixadores dos dois países terem assinado, sob patrocínio norte-americano, um acordo-quadro que prevê a retirada faseada das tropas israelitas de zonas-piloto no sul do Líbano, condicionada à desmilitarização de grupos armados não estatais — uma referência direta ao Hezbollah.

A resposta do movimento xiita e dos seus aliados libaneses foi imediata e de rejeição total. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o entendimento como “nulo e sem efeito”, descrevendo-o como uma “rendição da soberania” e uma violação de “todas as linhas vermelhas” ao vincular a retirada israelita ao desarmamento do grupo. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado próximo da organização, afirmou ao jornal Al-Akhbar que o acordo é “dez vezes pior” do que o tratado de 17 de maio de 1983, anulado sob pressão síria, e advertiu que o texto “não será implementado” por representar “ditames” que ameaçam a unidade nacional e podem arrastar os libaneses para um confronto interno. Na perspetiva de Beirute, a única via realista para garantir a retirada israelita passa pelas negociações entre o Irão e os Estados Unidos, e qualquer tentativa de separar o dossiê libanês dessa trajetória apenas prolongará a ocupação.

Do lado israelita, o acordo é apresentado como um ganho estratégico. Netanyahu qualificou-o de “histórico” e de “golpe para o Irão e para o Hezbollah”, sublinhando que as forças israelitas permanecerão na zona de segurança alargada e continuarão a “destruir infraestruturas terroristas”. A administração norte-americana, que mediou o entendimento e foi informada da demolição do túnel, procura consolidar um processo baseado no desempenho: as Forças Armadas Libanesas devem assumir o controlo exclusivo de duas zonas-piloto iniciais, com verificação do desarmamento, enquanto um grupo de coordenação militar apoiado pelos EUA supervisionará a implementação. Washington comprometeu-se ainda a prestar assistência ao exército libanês e ajuda humanitária.

O quadro geral permanece dominado pela guerra mais ampla entre o Irão e os Estados Unidos, que eclodiu em março com o ataque do Hezbollah em solidariedade com Teerão, após a morte do líder supremo iraniano num bombardeamento israelita. O conflito já provocou mais de 4.100 mortos no Líbano e deslocou mais de 1,2 milhões de pessoas, enquanto do lado israelita foram contabilizadas quatro dezenas de baixas militares e civis. O cessar-fogo de abril fracassou, e o novo entendimento enfrenta agora o seu primeiro teste de fogo: o Hezbollah declarou que se reserva o direito de “defender a pátria e o seu povo” perante o que considera violações flagrantes, ao mesmo tempo que o governo libanês, liderado pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, tenta equilibrar a pressão externa com as profundas divisões sectárias internas. A próxima etapa prevista é o início da aplicação das zonas-piloto, mas a rejeição do grupo armado e a continuação das operações militares israelitas colocam em causa a viabilidade do calendário diplomático.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa israelense
Imprensa iraniana e afins/ Regime
IndignaçãoAlarmeVitimismo

O acordo mediado pelos EUA é um ditame, dez vezes pior do que o acordo de 1983, e visa dividir o Líbano. Apenas negociações diretas entre Irã e EUA podem garantir a retirada israelense; separar o Líbano dessa via prolongará a ocupação. A rejeição do Hezbollah é justificada e o acordo-quadro já nasceu morto.

Imprensa israelense/ Segurança
CeticismoPragmatismo

O acordo-quadro enfrenta seu primeiro grande teste, já que o Hezbollah se recusa a desarmar e permanece entrincheirado no sul do Líbano. O desafio é saber se o Estado libanês pode impor sua autoridade na área enquanto o grupo militante continua armado e contrário. A viabilidade do acordo depende do desarmamento do Hezbollah, uma perspectiva que parece distante.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Acordo-quadro entre Israel e Líbano é testado por demolição de túnel e rejeição do Hezbollah

A destruição de uma infraestrutura subterrânea do Hezbollah no sul do Líbano, dois dias após a assinatura de um entendimento mediado pelos EUA, expõe a fratura entre o compromisso diplomático e a realidade militar no terreno.

As Forças de Defesa de Israel destruíram no domingo um túnel com mais de 200 metros de extensão na localidade de Majdal Zoun, no sul do Líbano, numa operação comunicada previamente a Washington. Segundo um comunicado conjunto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa, Israel Katz, a galeria albergava centenas de armas e lançadores de mísseis destinados a atingir o território israelita. A ação ocorreu 48 horas depois de os embaixadores dos dois países terem assinado, sob patrocínio norte-americano, um acordo-quadro que prevê a retirada faseada das tropas israelitas de zonas-piloto no sul do Líbano, condicionada à desmilitarização de grupos armados não estatais — uma referência direta ao Hezbollah.

A resposta do movimento xiita e dos seus aliados libaneses foi imediata e de rejeição total. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o entendimento como “nulo e sem efeito”, descrevendo-o como uma “rendição da soberania” e uma violação de “todas as linhas vermelhas” ao vincular a retirada israelita ao desarmamento do grupo. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, aliado próximo da organização, afirmou ao jornal Al-Akhbar que o acordo é “dez vezes pior” do que o tratado de 17 de maio de 1983, anulado sob pressão síria, e advertiu que o texto “não será implementado” por representar “ditames” que ameaçam a unidade nacional e podem arrastar os libaneses para um confronto interno. Na perspetiva de Beirute, a única via realista para garantir a retirada israelita passa pelas negociações entre o Irão e os Estados Unidos, e qualquer tentativa de separar o dossiê libanês dessa trajetória apenas prolongará a ocupação.

Do lado israelita, o acordo é apresentado como um ganho estratégico. Netanyahu qualificou-o de “histórico” e de “golpe para o Irão e para o Hezbollah”, sublinhando que as forças israelitas permanecerão na zona de segurança alargada e continuarão a “destruir infraestruturas terroristas”. A administração norte-americana, que mediou o entendimento e foi informada da demolição do túnel, procura consolidar um processo baseado no desempenho: as Forças Armadas Libanesas devem assumir o controlo exclusivo de duas zonas-piloto iniciais, com verificação do desarmamento, enquanto um grupo de coordenação militar apoiado pelos EUA supervisionará a implementação. Washington comprometeu-se ainda a prestar assistência ao exército libanês e ajuda humanitária.

O quadro geral permanece dominado pela guerra mais ampla entre o Irão e os Estados Unidos, que eclodiu em março com o ataque do Hezbollah em solidariedade com Teerão, após a morte do líder supremo iraniano num bombardeamento israelita. O conflito já provocou mais de 4.100 mortos no Líbano e deslocou mais de 1,2 milhões de pessoas, enquanto do lado israelita foram contabilizadas quatro dezenas de baixas militares e civis. O cessar-fogo de abril fracassou, e o novo entendimento enfrenta agora o seu primeiro teste de fogo: o Hezbollah declarou que se reserva o direito de “defender a pátria e o seu povo” perante o que considera violações flagrantes, ao mesmo tempo que o governo libanês, liderado pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, tenta equilibrar a pressão externa com as profundas divisões sectárias internas. A próxima etapa prevista é o início da aplicação das zonas-piloto, mas a rejeição do grupo armado e a continuação das operações militares israelitas colocam em causa a viabilidade do calendário diplomático.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa israelense
Imprensa iraniana e afins/ Regime
IndignaçãoAlarmeVitimismo

O acordo mediado pelos EUA é um ditame, dez vezes pior do que o acordo de 1983, e visa dividir o Líbano. Apenas negociações diretas entre Irã e EUA podem garantir a retirada israelense; separar o Líbano dessa via prolongará a ocupação. A rejeição do Hezbollah é justificada e o acordo-quadro já nasceu morto.

Imprensa israelense/ Segurança
CeticismoPragmatismo

O acordo-quadro enfrenta seu primeiro grande teste, já que o Hezbollah se recusa a desarmar e permanece entrincheirado no sul do Líbano. O desafio é saber se o Estado libanês pode impor sua autoridade na área enquanto o grupo militante continua armado e contrário. A viabilidade do acordo depende do desarmamento do Hezbollah, uma perspectiva que parece distante.

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