
Yasin Ayari brilha com dois golos e pede desculpas à Tunísia na goleada sueca
Médio do Brighton, de origem tunisina, não festejou o primeiro golo e lidera a corrida à Bota de Ouro ao lado de Balogun e Havertz.
A Suécia estreou-se no Mundial de 2026 com uma goleada autoritária sobre a Tunísia (5-1), mas o gesto mais comentado da noite em Monterrey não foi nenhum dos cinco golos escandinavos, e sim a contenção de Yasin Ayari. O médio de 22 anos, que alinha no Brighton da Premier League, abriu o marcador aos sete minutos com um remate de meia distância que entrou na história como o primeiro golo mundialista no Estádio BBVA. Em vez de correr para os companheiros, Ayari ergueu as mãos, pediu desculpas ao público tunisino e ajoelhou-se, num sinal de respeito que ecoou muito para além do relvado mexicano.
A explicação para a ausência de festejo é familiar: o pai de Ayari nasceu na Tunísia e a mãe tem raízes marroquinas, o que o tornava elegível para representar as Águias de Cartago. O jogador optou pela seleção nórdica, mas não esqueceu as origens. A imprensa indonésia e argelina sublinhou a dimensão simbólica do momento, enquanto analistas no México destacaram o pedido de perdão como um dos episódios mais marcantes da primeira jornada do Grupo F. Em campo, Ayari foi implacável: além do golo inaugural, fechou a contagem já nos descontos (90+6′) e assumiu a liderança da tabela de goleadores, empatado com o norte-americano Folarin Balogun e o alemão Kai Havertz, ambos também com dois tentos.
O domínio sueco foi coletivo e contundente. Alexander Isak, avançado do Liverpool, ampliou aos 30 minutos com um remate colocado após arrancada pela esquerda, e Viktor Gyökeres, do Arsenal, fez o terceiro aos 59′, capitalizando um erro defensivo do capitão tunisino Ellyes Skhiri. Mattias Svanberg, suplente de luxo, precisou de segundos para fazer o 4-1 aos 84′. Pelo meio, Omar Rekik ainda reduziu de cabeça aos 43′, mas o esboço de reação tunisina morreu no recomeço da segunda parte. A equipa orientada por Graham Potter mostrou fluidez e poder de fogo que a colocam desde já como candidata a ir longe no torneio.
O Grupo F, que também integra Países Baixos e Japão, ganhou assim um líder precoce e um goleador em estado de graça. Observadores em Lisboa notam que o Brighton, clube onde Ayari procura afirmar-se, é seguido com atenção pela diáspora lusófona na Premier League, e a sua explosão no México pode valorizar um ativo que interessa a mercados como o brasileiro e o português. Para as seleções de Brasil e Portugal, que ainda não entraram em cena, o recado é claro: a corrida pela Bota de Ouro já arrancou com nomes menos óbvios, e a Suécia de Potter tem argumentos para perturbar as hierarquias tradicionais. A noite de Monterrey, com o seu futebol impiedoso e o seu gesto de humanidade, deu ao Mundial uma primeira grande história.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Suécia atropelou a Tunísia por 5-1 com gols de Gyokeres e Isak, enquanto a corrida pela Chuteira de Ouro da Copa de 2026 esquenta com Ayari, Balogun e Havertz já com dois gols cada. A narrativa é puramente estatística e ignora completamente o fato de Ayari não ter comemorado.
O meio-campista sueco Yasin Ayari não comemorou seus dois gols contra a Tunísia por respeito ao pai tunisiano e às raízes familiares. A cobertura descreve com calma a história pessoal, tratando o gesto como um ato de sensibilidade cultural, e não como uma polêmica esportiva.
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