
Japão eleva juros para 1%, maior patamar em mais de 30 anos
A decisão do Banco do Japão, tomada com o governador hospitalizado, responde à inflação energética e alinha o país ao ciclo global de aperto monetário.
O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta terça-feira sua taxa de juro de referência para 1%, o nível mais alto desde 1995, num movimento amplamente antecipado pelos mercados. A decisão, aprovada por sete votos a um no conselho de política monetária, ocorreu com a ausência do governador Kazuo Ueda, internado devido a uma infeção no fígado. O membro dissidente, Toichiro Asada, foi o único a opor-se ao aumento de 0,25 ponto percentual, o primeiro desde dezembro de 2025. A autoridade monetária japonesa justificou a medida pela necessidade de conter as pressões inflacionistas decorrentes da guerra no Irão, que disparou os preços do petróleo, e de travar a depreciação do iene, que encarece as importações de um país altamente dependente de energia externa.
A subida dos juros em Tóquio insere-se num ciclo global de aperto monetário. Na semana passada, o Banco Central Europeu também aumentou as suas taxas diretoras, fixando-as entre 2,25% e 2,65%, e o banco central da Indonésia adotou medida semelhante. A Reserva Federal dos Estados Unidos reúne-se esta semana, com a expectativa de novos passos restritivos. Observadores em Tóquio sublinham que, apesar de a taxa de 1% ser a mais elevada em 31 anos, o Japão continua com juros muito abaixo dos praticados nas principais economias ocidentais, reflexo de décadas de política ultrafrouxa para combater a deflação. Analistas europeus notam que o BoJ age tardiamente face à persistência da inflação, mas reconhecem a complexidade de normalizar a política monetária sem sufocar a recuperação económica.
Além da taxa de juro, o banco central japonês anunciou alterações no programa de compra de títulos públicos. A partir de abril do próximo ano, reduzirá o ritmo de diminuição das aquisições de obrigações soberanas, mantendo até março o corte trimestral de cerca de 200 mil milhões de ienes. A decisão visa evitar uma subida abrupta dos rendimentos da dívida de longo prazo, que já registam movimentos de alta, e sinaliza uma abordagem gradualista na reversão dos estímulos massivos.
Na perspetiva de Brasília, o aperto monetário no Japão e noutras economias desenvolvidas pode influenciar os fluxos de capitais para mercados emergentes, num momento em que o Banco Central do Brasil avalia a trajetória da Selic. Lisboa, integrada na zona euro, acompanha o ciclo do BCE, mas observa com atenção o impacto da normalização japonesa sobre os mercados financeiros globais. Para as economias lusófonas africanas, dependentes de matérias-primas e com dívidas indexadas a moedas fortes, a subida dos juros internacionais representa um risco acrescido para o serviço da dívida e para a estabilidade cambial.
O Banco do Japão deverá prosseguir a normalização de forma cautelosa, condicionada pela evolução da inflação e pela resistência do iene. A guerra no Irão e a volatilidade dos preços energéticos continuam a ser fatores de incerteza, enquanto a recuperação do consumo interno permanece frágil. A decisão histórica desta terça-feira confirma o abandono definitivo da era de juros negativos, mas o caminho para uma política monetária convencional será longo e pontuado por riscos geopolíticos e financeiros.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O banco central japonês elevou os juros para 1% pela primeira vez em 31 anos, contrariando os desejos da primeira-ministra Takaichi e sob pressão dos EUA. A medida visa combater a inflação causada por disrupções energéticas e pela queda do iene, mas expõe divisões políticas e influência externa sobre a política monetária de Tóquio.
O Japão elevou os juros para 1%, o maior nível em 31 anos, impulsionado pela disparada dos preços do petróleo causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã e o Líbano. A medida reflete o choque inflacionário global decorrente das disrupções energéticas no Oriente Médio, mesmo com o anúncio de um acordo de paz entre Washington e Teerã.
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