
WTA adota teste genético para definir elegibilidade feminina e alinha-se a tendência global no desporto
A associação que rege o ténis profissional feminino passará a exigir um rastreio único do gene SRY a partir de 21 de julho, acompanhando federações como World Athletics e o COI, enquanto tribunais e legisladores redefinem os limites da participação desportiva.
A Women’s Tennis Association (WTA) anunciou que, a partir de 21 de julho, todas as tenistas que desejarem competir nos seus torneios terão de se submeter a um teste genético único para detetar a presença do gene SRY, localizado no cromossoma Y e determinante no desenvolvimento sexual masculino. A recolha pode ser feita por zaragatoa bucal, amostra de sangue ou saliva. Um resultado negativo garante a elegibilidade imediata; um resultado positivo desencadeia uma avaliação médica complementar, cujos detalhes não foram divulgados. A recusa em realizar o teste poderá implicar sanções disciplinares. A medida revoga a política anterior, de 2024, que permitia a participação de mulheres transgénero desde que mantivessem níveis de testosterona abaixo de 2,5 nmol/L durante pelo menos dois anos.
A decisão da WTA insere-se num movimento mais amplo de uniformização de critérios de elegibilidade na categoria feminina. Em março, o Comité Olímpico Internacional (COI) anunciou que, a partir dos Jogos de Los Angeles 2028, só serão admitidas atletas cujo sexo biológico seja confirmado por um teste genético único ao gene SRY. A World Athletics e a World Boxing já aplicam protocolos semelhantes. Nos Estados Unidos, a 30 de junho, o Supremo Tribunal decidiu por unanimidade que as leis dos estados de Idaho e Virgínia Ocidental, que restringem a participação de atletas transgénero em equipas femininas escolares e universitárias, não violam a legislação federal de direitos civis. O acórdão, redigido pelo juiz Brett Kavanaugh, sustenta que o termo “sexo” no Título IX deve ser interpretado no seu sentido biológico original da década de 1970, reconhecendo diferenças físicas inerentes com impacto no rendimento e na segurança desportiva.
Observadores em Washington notam que a decisão do tribunal superior surge num contexto de crescente escrutínio institucional sobre a governação desportiva. A antiga atleta olímpica Katie Uhlaender, em artigo de opinião, alertou para os riscos de se conceder uma isenção antitrust ao National Collegiate Athletic Association (NCAA) através do Protect College Sports Act, argumentando que a concentração de poder sem mecanismos efetivos de responsabilização pode deixar os atletas vulneráveis, como ilustram os mais de 260 casos de Title IX por má gestão de denúncias de abuso sexual atualmente em aberto. A ex-atleta recordou escândalos como o de Larry Nassar e a controvérsia em torno da pugilista Imane Khelif, que possui cromossomas XY e conquistou o ouro olímpico feminino em Paris, para sublinhar que a justiça tardia equivale a justiça negada.
Enquanto o desporto de elite redefine as fronteiras da participação feminina com base em marcadores biológicos, noutras geografias a condição das mulheres enfrenta ameaças de natureza distinta. No Irão, a divulgação ilegal de imagens e mensagens privadas de dezenas de mulheres nas províncias de Lorestão, Kermanshah e Azerbaijão Ocidental, através de canais de Telegram, desencadeou uma vaga de extorsão e pressão social. Relatos indicam que três menores de idade se suicidaram e outras foram hospitalizadas após tentativas de suicídio, expondo a ausência de estruturas legais e de apoio psicossocial eficazes. Analistas em Lisboa sublinham que, enquanto no Ocidente o debate se centra na proteção da integridade competitiva, em contextos como o iraniano a luta passa pela própria salvaguarda da privacidade e da autonomia individual.
A nova política da WTA entra em vigor na próxima terça-feira, mas o processo de testagem só será implementado em 2026. A associação afirmou reconhecer a sensibilidade da matéria e comprometeu-se a tratar todas as jogadoras com dignidade. A tenista Martina Navratilova, lenda da modalidade, classificou a medida como “um passo na direção certa”. O anúncio consolida uma tendência que, de Tóquio a Los Angeles, promete reconfigurar os critérios de acesso ao desporto feminino de alto rendimento.
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.40 | aligned |
Russia projects the WTA decision as an external imposition, highlighting the absence of transgender athletes in the circuit.
Uses the verb 'forced' to present the measure as coercive, and mentions the Olympic context to suggest a global trend of restrictions.
Does not mention the testing method (cheek swab) nor the effective date (July 21), details present in other sources.
The conservative Anglosphere celebrates the decision as a defense of fair competition, emphasizing the protection of female athletes.
Uses the term 'protect fair competition' to frame the measure as necessary and positive, omitting any reference to controversies or the absence of transgender athletes.
Does not mention that there are currently no transgender athletes in professional tennis, nor the previous WTA policies that allowed them.
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