
Variante rara no gene CGAS associada a envelhecimento saudável é identificada em estudo familiar
Investigação com 212 grupos familiares encontra variante que reduz inflamação crónica, enquanto outros estudos revelam bases genéticas de preferências alimentares e comportamentos automáticos.
Uma variante rara no gene CGAS, identificada em 212 grupos familiares do Estudo de Longevidade de Leiden, nos Países Baixos, está associada a uma maior duração da vida com saúde, retardando doenças crónicas. O trabalho, apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Genética Humana, sugere que a variante reduz a atividade inflamatória crónica sem comprometer a resposta imunitária, possivelmente contribuindo para a healthspan observada em várias gerações dessas famílias. Os investigadores planeiam agora testes in vivo num peixe de ciclo de vida curto (killifish) para verificar o efeito.
A descoberta insere-se num conjunto de investigações que procuram bases biológicas para comportamentos e trajetórias de saúde. Nos EUA, o estudo de 'superagers' da Universidade de Chicago revela que indivíduos com mais de 80 anos e memória excecional apresentam córtex cerebral e hipocampo mais volumosos e menor acumulação de proteína tau, mesmo quando coexistem marcadores de Alzheimer. Paralelamente, uma análise genética de 160 mil adultos do UK Biobank, conduzida pela Universidade de Queensland, na Austrália, mostrou que variantes em genes do paladar e do olfato influenciam preferências alimentares — por exemplo, o gosto por cebola associou-se a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2.
A mesma interação entre biologia e comportamento aparece em hábitos quotidianos. Psiquiatras indianos descrevem o ato de cutucar a pele ou roer unhas durante conversas como um mecanismo automático de alívio de stress, enraizado em circuitos de recompensa cerebral. A psicologia da comunicação não verbal, com contributos de investigadores britânicos e norte-americanos, indica que desviar o olhar durante uma conversa pode ser uma estratégia inconsciente para processar informação ou regular a intensidade emocional, e não apenas timidez. Já a preferência por comida picante, estudada em contextos ocidentais, correlaciona-se com traços de busca de sensações e novidade, ativando vias de dor e prazer mediadas pela capsaicina.
Em contraponto, demógrafos da Universidade de Oxford alertam para a fragilidade dos registos de superlongevidade (acima de 110 anos), estimando que erros documentais e fraudes previdenciárias inflacionam artificialmente os dados. Defendem que apenas métodos físicos de datação, como a análise de radiocarbono ou de aminoácidos em tecidos, podem validar alegações de idade extrema. O próximo marco concreto será a conclusão dos estudos in vivo com killifish para testar a mutação CGAS, prevista para os próximos meses, enquanto os ensaios de validação genética em preferências alimentares aguardam replicação em coortes independentes.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma variante rara do gene CGAS foi associada à longevidade saudável, retardando doenças crônicas e diminuindo a inflamação ligada ao envelhecimento. A pesquisa com famílias que têm vários membros longevos ao longo de gerações sugere uma base genética para uma maior duração da saúde.
Alegações de longevidade extrema, como as de supercentenários, podem se basear em dados falhos e registros não confiáveis. Enquanto o debate sobre um teto biológico para a vida humana continua, o foco se volta para a verificação de fontes e a compreensão dos fatores genéticos do envelhecimento saudável.
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