
Variante rara do gene CGAS pode estender a vida saudável, mas dúvidas persistem sobre recordes de longevidade
Estudo com famílias longevas identifica mutação que reduz inflamação crónica, enquanto investigador de Oxford contesta a fiabilidade dos dados sobre supercentenários.
Uma variante genética rara no gene CGAS, associada a uma resposta inflamatória atenuada, foi identificada como possível fator de extensão da healthspan — o período de vida livre de doenças crónicas. A descoberta, apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Genética Humana em Gotemburgo por uma equipa do Centro Médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, baseou-se na análise genómica de 212 grupos de irmãos provenientes de famílias com múltiplos membros longevos. Os portadores da variante parecem dispor de apenas uma cópia plenamente funcional do gene, o que reduz a inflamação crónica sem comprometer a defesa contra infeções. O estudo encontra-se em fase pré-clínica: os investigadores preparam agora testes in vivo com o killifish, um peixe de ciclo de vida ultra-curto, para verificar se a mutação realmente prolonga a longevidade e a saúde dos tecidos.
Este avanço surge num momento em que os próprios limites da longevidade humana são alvo de ceticismo. Saul Newman, investigador do Instituto de Demografia de Oxford, no Reino Unido, sustenta que grande parte dos recordes de supercentenários (pessoas com 110 anos ou mais) assenta em erros documentais e fraudes previdenciárias. Em zonas como a Grécia, estima-se que 72% dos registos de centenários sejam casos de omissão de óbito para continuar a receber pensões. Newman defende que, sem validação por métodos físicos como a datação por radiocarbono, as alegações de idades extremas carecem de credibilidade. Em contraponto, a investigação sobre os ‘superagers’ — octogenários com memória equiparável à de quinquagenários — conduzida pela neurocientista Emily Rogalski, da Universidade de Chicago, mostra que estes indivíduos possuem córtex cerebral e hipocampo mais volumosos e menor acumulação de proteína tau, sugerindo que a preservação cognitiva extrema é biologicamente possível, ainda que rara.
O papel da genética nas escolhas e na saúde ao longo da vida é reforçado por outro estudo, da Universidade de Queensland, na Austrália, que analisou 325 genes relacionados com paladar e olfato em mais de 160 mil adultos do UK Biobank. A equipa liderada por Daniel Hwang concluiu que variantes genéticas influenciam preferências alimentares — por exemplo, o gosto por cebola está associado a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2 — e aplicou randomização mendeliana para distinguir causalidade de mera correlação. Estes resultados, validados numa coorte britânica independente, abrem caminho a uma nutrição de precisão baseada no perfil genético.
Enquanto a ciência perscruta os mecanismos biológicos do envelhecimento, narrativas pessoais e debates sociais recordam a dimensão emocional da saúde. Em Itália, o caso de uma adolescente vítima de deepnude que leu uma carta de denúncia perante a turma reacendeu a discussão sobre a obrigatoriedade da educação afetiva e sexual nas escolas — uma medida que, segundo o psicólogo Damiano Rizzi, presidente da Fundação Soleterre, conta com o apoio de 87% dos pais italianos mas esbarra em resistências políticas e culturais. Nos países lusófonos, onde o envelhecimento populacional se acelera, especialistas em saúde pública sublinham que a longevidade saudável depende tanto de fatores genéticos e comportamentais como de políticas de educação emocional e de combate à violência digital. O próximo marco factual será a divulgação dos resultados dos ensaios com o killifish, prevista para os próximos dois anos, que poderá confirmar ou refutar o potencial terapêutico da via CGAS.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O mapa da ciência da vida é traçado com histórias pessoais de afetos feridos: corações partidos, lutos e o cansaço de ser 'bonzinho demais'. Essas narrativas íntimas transformam a vulnerabilidade em uma bússola emocional, oferecendo lembretes práticos para atravessar a dor.
Os novos mapas da ciência da vida combinam a descoberta de um gene para a longevidade saudável com a necessidade de educar para o afeto a fim de desarmar a violência. O progresso científico e a transformação social entrelaçam-se: de um lado a variante CGAS contra as doenças crónicas, do outro a educação sentimental como antídoto para as agressões digitais.
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