
Vance enfrenta 'The View' e admite ser 'teórico da conspiração' sobre Epstein
Em entrevista tensa, vice-presidente dos EUA recuou de comentário sobre 'mulheres sem filhos com gatos', mas confirmou desconfiança no caso Epstein, enquanto analistas globais avaliam impacto para 2028.
A estreia do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, no programa matinal The View, da ABC, transformou-se rapidamente num campo minado político. A aparição, destinada a promover o seu novo livro de memórias Communion e a suavizar a sua imagem para uma eventual candidatura presidencial em 2028, ficou marcada por um momento de rara franqueza: Vance confessou ser um "teórico da conspiração" no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein. Perante as seis apresentadoras, o vice-presidente confirmou uma reportagem que o descrevia como alguém que acredita que o governo não revelou toda a verdade sobre as ligações de Epstein com figuras poderosas, afirmando querer "total transparência". A admissão, captada por veículos como a CNN Brasil e a MSNBC, ecoou de imediato nas análises internacionais, sendo vista como um raro momento de dissonância dentro da própria administração Trump.
A tensão não se limitou ao caso Epstein. Vance foi também confrontado com a sua polémica declaração de 2021, quando descreveu o Partido Democrata como sendo dirigido por "um bando de mulheres sem filhos com gatos". Questionado por Joy Behar, o vice-presidente classificou a frase como "o comentário mais idiota que já fiz", mas recusou renegá-la por completo, defendendo que a essência da sua crítica — a desvalorização da família na esfera pública — permanecia válida. A tentativa de mea culpa parcial foi recebida com ceticismo pelas anfitriãs, que o pressionaram ainda sobre as políticas migratórias da administração Trump. Vance contra-atacou, acusando a comunicação social de ignorar as vítimas de crimes cometidos por imigrantes indocumentados, num dos momentos mais tensos do programa.
Na perspetiva de Brasília, a entrevista foi acompanhada com interesse por analistas que veem paralelos com a polarização política brasileira. A CNN Brasil destacou a confissão de Vance como um sinal de que o vice-presidente está disposto a romper com a narrativa oficial em temas sensíveis, uma estratégia que pode tanto galvanizar a base trumpista como alienar eleitores moderados. Já a imprensa indonésia, como o Media Indonesia, descreveu a participação de Vance como uma entrada em "zona vermelha", sublinhando o ambiente hostil do programa e a forma como o vice-presidente foi "despedaçado" pelas apresentadoras. Observadores em Lisboa notam que a vulnerabilidade demonstrada por Vance em televisão nacional contrasta com a imagem de força projetada pela Casa Branca no acordo nuclear com o Irão, negociado na mesma semana.
O episódio revela os desafios de Vance em construir uma persona política autónoma. Ao admitir teorias conspirativas sobre Epstein, o vice-presidente arrisca associar-se a um discurso marginal, mas também capitaliza o sentimento de desconfiança nas elites que alimentou a sua ascensão. A sua tentativa de recuar no comentário sobre as "mulheres com gatos" mostra um político a calibrar a mensagem para um eleitorado mais vasto, sem alienar a base que o vê como um guerreiro cultural. Para os países lusófonos, onde figuras políticas frequentemente testam os limites do discurso público em talk shows, a performance de Vance serve de alerta: a linha entre a autenticidade e o dano colateral é ténue, e o escrutínio global não perdoa contradições.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O vice-presidente JD Vance confessou ser um 'teórico da conspiração' sobre o caso Epstein, incomodado com as relações de um criminoso sexual com pessoas poderosas. Pediu transparência total do governo.
Vance admitiu ser um teórico da conspiração sobre Epstein e voltou atrás em seu comentário sobre 'mulheres sem filhos e gatos', chamando-o de erro. No The View, entrou em conflito com as apresentadoras sobre imigração, defendendo uma linha dura.
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