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Ciência e Saúdesegunda-feira, 22 de junho de 2026

Vacina do HPV elimina mortes por cancro do colo do útero em mulheres até aos 24 anos no Reino Unido

Estudo publicado na Lancet regista zero óbitos nessa faixa etária; investigação separada associa vacina contra herpes-zóster a uma redução de 24% no risco de demência.

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) eliminou as mortes por cancro do colo do útero entre mulheres dos 20 aos 24 anos em Inglaterra, revela uma análise de registos nacionais de mortalidade e vacinação publicada na revista The Lancet. A investigação, conduzida por epidemiologistas da Queen Mary University of London, acompanhou mulheres que receberam a vacina na adolescência após a introdução do programa, em 2008, e constatou que, entre as vacinadas aos 12 ou 13 anos, o risco de morrer da doença antes dos 30 anos se tornou residual. No grupo dos 30 aos 34 anos, a redução do risco de morte foi de 63% face às não vacinadas. A Organização Mundial da Saúde estima que o HPV causa a quase totalidade dos casos deste cancro, o quarto mais comum em mulheres a nível global.

Em paralelo, um estudo observacional da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, sugere que a vacina recombinante contra a herpes-zóster (Shingrix) pode estar associada a um efeito protetor inesperado sobre o cérebro. A equipa analisou os dados de saúde de 509.926 residentes em lares de idosos entre 2017 e 2022 e verificou que a incidência de demência foi de 18,8% entre os vacinados até um ano após a admissão, contra 24,6% entre os não vacinados — uma diferença que corresponde a uma redução de 24% no risco. Os autores sublinham que o desenho observacional não permite estabelecer causalidade e que os vacinados podem, em média, apresentar melhor estado geral de saúde. Entre as hipóteses explicativas estão a prevenção de inflamações neuronais desencadeadas pelo vírus e o estímulo imunitário proporcionado pela vacina.

Os resultados reforçam a centralidade das estratégias de prevenção num momento em que a incidência de cancro continua a crescer. A Índia, por exemplo, regista anualmente 1,5 milhões de novos casos, o que levou o estado de Telangana a declarar a doença de notificação obrigatória e a criar um registo oncológico próprio. Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Saúde e Prevenção organizou uma sessão de diálogo com especialistas internacionais para desenhar um roteiro nacional de eliminação das doenças associadas ao HPV, inspirado em experiências como a da Suécia. Para os países lusófonos, onde a cobertura vacinal contra o HPV permanece desigual e o cancro do colo do útero ainda representa uma causa relevante de mortalidade feminina, os dados ingleses oferecem um horizonte concreto: a eliminação da doença como problema de saúde pública.

O próximo marco a observar será a confirmação, em estudos de seguimento e ensaios clínicos, do efeito neuroprotetor da vacina contra a herpes-zóster, bem como a evolução das taxas de cobertura vacinal contra o HPV. A OMS definiu como meta que 90% das raparigas estejam totalmente vacinadas até aos 15 anos até 2030, mas a descida da adesão em alguns países acendeu alertas entre especialistas, que temem a reversão dos ganhos obtidos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Um estudo recente revela que a vacina contra herpes zóster Shingrix está associada a uma redução de 24% no risco de demência em idosos. Pesquisadores analisaram dados médicos de mais de meio milhão de residentes de lares de idosos, sugerindo que a vacina pode proteger o cérebro além de seu propósito principal. Esta descoberta abre um novo caminho na luta contra a demência, um desafio crescente nas sociedades em envelhecimento.

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As mortes por câncer de colo do útero caíram para zero entre mulheres jovens na Inglaterra graças à vacina contra o HPV, um marco histórico na saúde pública. Pesquisadores estimam que a vacina evitou pelo menos 200 mortes entre 2020 e 2024, demonstrando o poder da imunização em massa. Essa história de sucesso destaca a importância dos programas de vacinação na eliminação de cânceres evitáveis.

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Vacina do HPV elimina mortes por cancro do colo do útero em mulheres até aos 24 anos no Reino Unido

Estudo publicado na Lancet regista zero óbitos nessa faixa etária; investigação separada associa vacina contra herpes-zóster a uma redução de 24% no risco de demência.

A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) eliminou as mortes por cancro do colo do útero entre mulheres dos 20 aos 24 anos em Inglaterra, revela uma análise de registos nacionais de mortalidade e vacinação publicada na revista The Lancet. A investigação, conduzida por epidemiologistas da Queen Mary University of London, acompanhou mulheres que receberam a vacina na adolescência após a introdução do programa, em 2008, e constatou que, entre as vacinadas aos 12 ou 13 anos, o risco de morrer da doença antes dos 30 anos se tornou residual. No grupo dos 30 aos 34 anos, a redução do risco de morte foi de 63% face às não vacinadas. A Organização Mundial da Saúde estima que o HPV causa a quase totalidade dos casos deste cancro, o quarto mais comum em mulheres a nível global.

Em paralelo, um estudo observacional da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, sugere que a vacina recombinante contra a herpes-zóster (Shingrix) pode estar associada a um efeito protetor inesperado sobre o cérebro. A equipa analisou os dados de saúde de 509.926 residentes em lares de idosos entre 2017 e 2022 e verificou que a incidência de demência foi de 18,8% entre os vacinados até um ano após a admissão, contra 24,6% entre os não vacinados — uma diferença que corresponde a uma redução de 24% no risco. Os autores sublinham que o desenho observacional não permite estabelecer causalidade e que os vacinados podem, em média, apresentar melhor estado geral de saúde. Entre as hipóteses explicativas estão a prevenção de inflamações neuronais desencadeadas pelo vírus e o estímulo imunitário proporcionado pela vacina.

Os resultados reforçam a centralidade das estratégias de prevenção num momento em que a incidência de cancro continua a crescer. A Índia, por exemplo, regista anualmente 1,5 milhões de novos casos, o que levou o estado de Telangana a declarar a doença de notificação obrigatória e a criar um registo oncológico próprio. Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Saúde e Prevenção organizou uma sessão de diálogo com especialistas internacionais para desenhar um roteiro nacional de eliminação das doenças associadas ao HPV, inspirado em experiências como a da Suécia. Para os países lusófonos, onde a cobertura vacinal contra o HPV permanece desigual e o cancro do colo do útero ainda representa uma causa relevante de mortalidade feminina, os dados ingleses oferecem um horizonte concreto: a eliminação da doença como problema de saúde pública.

O próximo marco a observar será a confirmação, em estudos de seguimento e ensaios clínicos, do efeito neuroprotetor da vacina contra a herpes-zóster, bem como a evolução das taxas de cobertura vacinal contra o HPV. A OMS definiu como meta que 90% das raparigas estejam totalmente vacinadas até aos 15 anos até 2030, mas a descida da adesão em alguns países acendeu alertas entre especialistas, que temem a reversão dos ganhos obtidos.

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Um estudo recente revela que a vacina contra herpes zóster Shingrix está associada a uma redução de 24% no risco de demência em idosos. Pesquisadores analisaram dados médicos de mais de meio milhão de residentes de lares de idosos, sugerindo que a vacina pode proteger o cérebro além de seu propósito principal. Esta descoberta abre um novo caminho na luta contra a demência, um desafio crescente nas sociedades em envelhecimento.

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As mortes por câncer de colo do útero caíram para zero entre mulheres jovens na Inglaterra graças à vacina contra o HPV, um marco histórico na saúde pública. Pesquisadores estimam que a vacina evitou pelo menos 200 mortes entre 2020 e 2024, demonstrando o poder da imunização em massa. Essa história de sucesso destaca a importância dos programas de vacinação na eliminação de cânceres evitáveis.

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