
União Europeia taxa encomendas extracomunitárias e Japão sobe vistos, num momento de ajustamento global de tarifas
A partir de 1 de julho, pequenas encomendas de fora da UE pagarão três euros de taxa; Itália soma mais dois euros, enquanto o Japão quintuplica o custo dos vistos e o Irão reformula subsídios alimentares.
A partir de 1 de julho, entra em vigor na União Europeia uma taxa de três euros sobre encomendas de valor até 150 euros expedidas de países terceiros. A medida afeta diretamente os consumidores portugueses que recorrem a plataformas como Shein ou Temu, e abrange todas as remessas, incluindo as realizadas antes dessa data mas entregues posteriormente. Itens de categorias distintas num mesmo pacote podem gerar múltiplas taxas, alertam as autoridades aduaneiras. Itália aplicará ainda um agravamento nacional de dois euros, elevando o custo para cinco euros por volume, decisão que motivou protestos do setor logístico, que estima uma quebra de 50% no tráfego destas pequenas importações. O executivo italiano pondera um novo adiamento, depois de já ter protelado a medida por questões técnicas.
A norma comunitária visa contrariar a avalanche de produtos de baixo custo, sobretudo asiáticos, que escapavam a controlos alfandegários e de segurança. Em 2025, 98% das 396 milhões de remessas extra‑UE com destino a Itália provinham da China, sendo um quarto composto por vestuário. Observadores em Lisboa sublinham que a taxa também se aplica a encomendas provenientes dos Estados Unidos, relevantes no comércio eletrónico de electrónica de consumo. “Poderá reduzir encomendas impulsivas”, afirma a especialista de defesa do consumidor sueca Maria Wiezell, citada pela imprensa local. A agência europeia justifica a decisão com riscos para a saúde e violações de propriedade intelectual, enquanto Roma invoca a necessidade de compensar custos aduaneiros.
Paralelamente, Tóquio aprovou a primeira atualização dos preços dos vistos em 48 anos. A partir de 1 de julho de 2026, o visto de entrada única passa de 3.000 para 15.000 ienes (cerca de 1,65 milhões de rupias ou 110 euros ao câmbio atual) e o de múltiplas entradas sobe de 6.000 para 30.000 ienes. As taxas de residência permanente também serão revistas em alta. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, atribui a correção à inflação acumulada desde 1978. Para a numerosa comunidade nikkei no Brasil, a medida pode encarecer visitas e processos de reagrupamento familiar, embora o governo nipónico assegure que o impacto sobre o turismo será limitado.
No Irão, a reforma do sistema cambial preferencial iniciada em janeiro ditou a substituição do subsídio implícito por um cartão eletrónico de alimentos (kala‑berg) de um milhão de tomans por pessoa, pago diretamente a todos os iranianos. O objectivo, segundo o ministro da Agricultura, Gholamreza Nouri Ghezeljeh, foi eliminar rendas que surgiam ao longo da cadeia de importação e garantir que os recursos chegassem à mesa das famílias. O Governo admite retirar o benefício apenas a detentores de automóveis de luxo (acima de 5 mil milhões de tomans) e imóveis de valor muito elevado, afastando um corte generalizado nos decis médios. As pressões inflacionistas resultantes da guerra e dos custos logísticos — transportar um contentor da Índia passou de 2.000 para 6.000 dólares — explicam parte do encarecimento de bens como frango, lacticínios e óleos.
Os próximos marcos são imediatos: a taxa aduaneira europeia aplica-se a todas as mercadorias declaradas após 30 de junho; o Governo italiano tem até ao final de junho para decidir sobre a prorrogação dos seus dois euros adicionais; o Japão iniciará a nova tabela de vistos dentro de um ano; e Teerão prossegue o pagamento semanal das compras de trigo aos agricultores, enquanto monitoriza a evolução dos preços internos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Continental European press focuses on the upcoming EU tax on parcels under 150 euros from non-EU countries, highlighting practical details: a €3 fee per parcel across the EU, with Italy adding another €2. Swedish consumers are warned of possible extra charges even for pre-July orders. The tone is informative, mixing concern over price hikes with approval for regulating online commerce.
Southeast Asian press reports Japan's visa fee hike, which from 2026 will quintuple the single-entry fee, the first adjustment in 48 years. Focus is on the drastic jump (from 3,000 to 15,000 yen) and implications for Indonesian tourists, with calculations in rupiah. Tone is factual but highlights the historical magnitude of the decision.
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