
Unesco inscreve Sebastia e castelos libaneses como património ameaçado, com críticas de Israel
A agência da ONU também incluiu a vila tunisina de Sidi Bou Said na lista do Património Mundial, numa sessão que avaliou 30 candidaturas e foi marcada por tensões políticas.
A Comissão do Património Mundial da Unesco, reunida em Busan (Coreia do Sul), decidiu inscrever a vila de Sebastia, na Cisjordânia ocupada, e cinco castelos na região libanesa de Jabal Amel na lista do Património Mundial, atribuindo-lhes simultaneamente o estatuto de património em perigo. O procedimento de emergência foi justificado pelos conflitos em curso no Médio Oriente. Na mesma sessão, o comité aprovou por unanimidade a candidatura da vila tunisina de Sidi Bou Said, à margem das controvérsias.
Do lado palestiniano, a decisão foi celebrada como um instrumento de proteção face aos planos de Israel de confiscar terrenos nos arredores de Sebastia para a criação de um parque nacional israelita. O vice-presidente da câmara local, Nizar Kayed, afirmou esperar que a classificação preserve o local e contrarie a expansão dos colonatos. As autoridades palestinianas recordaram que a candidatura datava de 2012 e sublinharam a preservação do património pela comunidade local ao longo de gerações. Israel, que se retirara da Unesco em 2019 alegando parcialidade, contestou abertamente a inscrição. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, considerou-a uma tentativa palestiniana de «apagar os laços judaicos com a terra», enquanto a delegação israelita, presente como observadora, acusou a organização de «politização» e «zombaria com a história».
A componente libanesa intensifica as tensões. Fontes israelitas acusam o Hezbollah de transformar o castelo de Beaufort — uma das fortificações incluídas — em base militar, com túneis e lançamento de rockets. O Líbano refuta: a delegação em Busan garantiu que os castelos são usados apenas para fins culturais e turísticos desde a retirada israelita de 2000, e denunciou que o exército israelita destruiu o castelo de Shamaa durante a guerra de maio. O recurso ao procedimento de emergência reflete, segundo a Unesco, os danos e riscos causados pelos confrontos ativos.
Paralelamente, Sidi Bou Said, sobranceira ao Mediterrâneo e com uma arquitetura singular, foi inscrita sem votos contra. O governo tunisino, que submeteu o dossiê em fevereiro de 2025, salientou o reconhecimento do valor da vila como «espaço de inspiração cultural, espiritual e artística». Com esta inclusão, a Tunísia passa a contar dez sítios na lista do Património Mundial. A decisão coincidiu com o 69.º aniversário da proclamação da república tunisina.
A 48.ª sessão do Comité do Património Mundial prossegue até 29 de julho, com a análise de um total de trinta candidaturas. As deliberações sobre os sítios palestiniano e libanês expõem a instrumentalização cruzada do património em zonas de conflito, num fórum onde o consenso se torna cada vez mais difícil.
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