
Convenções paralelas em SP lançam Flávio Bolsonaro e Haddad com Milei no palco e crise isolada do bolsonarismo
Em atos simultâneos na capital e no interior, PL oficializou senador à Presidência sob apoio de líder argentino e ausência de aliados, enquanto PT lançou Haddad ao governo paulista com Lula a reboque.
A largada formal das eleições de 2026 em São Paulo expôs, neste sábado (25), a moldura polarizada e os desequilíbrios internos que marcam a disputa. Na Arena Pacaembu, o Partido Liberal homologou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, com a presença do presidente argentino Javier Milei, que recebeu a Ordem do Ipiranga do governador Tarcísio de Freitas e, em discurso, classificou o adversário Luiz Inácio Lula da Silva como “presidiário” e atacou o ministro Alexandre de Moraes chamando-o de “lixo careca”. Simultaneamente, em Campinas, o PT oficializava a chapa de Fernando Haddad ao governo estadual, com o presidente Lula a reforçar a estratégia de nacionalizar o maior colégio eleitoral do país.
Na perspectiva de Brasília, a convenção do PL evidenciou o isolamento político do candidato governista. Flávio Bolsonaro não anunciou vice — a vaga é tratada como moeda de troca para atrair o Republicanos e o Centrão, que sinalizam neutralidade —, e a ausência física da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se limitou a um vídeo citando o enteado uma única vez, revelou a fragilidade da reconciliação familiar. Dirigentes do partido admitem que a dificuldade de ampliar alianças pode forçar uma chapa “puro-sangue”, considerada eleitoralmente desfavorável. Enquanto isso, a campanha tenta compensar com o capital simbólico de Milei, cuja presença, segundo observadores em Buenos Aires, busca consolidar uma “onda azul” de direita na América Latina e reforçar o perfil ideológico do candidato, ainda que analistas avaliem que o gesto não converte votos do centro.
Do lado governista, a convenção do PT em Campinas serviu para Haddad criticar a gestão Tarcísio e tentar romper a barreira histórica do partido no interior paulista. Lula, cabo eleitoral, associou a chapa à experiência de gestão, enquanto aliados exploraram o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump, colando a imagem do governador ao aliado americano. Em São Paulo, a escolha da cidade do interior foi vista como aceno ao agro e ao empresariado, setores em que o PT enfrenta resistência, e a campanha de Haddad busca dialogar com a “direita democrática”, evitando os símbolos partidários tradicionais. Para a Presidência, o palanque paulista é crucial: o estado concentra 22% do eleitorado nacional.
O cenário eleitoral imediato revela Lula com 48% contra 43% de Flávio num eventual segundo turno, segundo o Datafolha, e uma queda do bolsonarista após as crises com o banqueiro Daniel Vorcaro e os embates familiares. O PL ainda enfrenta restrições judiciais: o ex-presidente Jair Bolsonaro está proibido de receber visitas políticas, e Flávio não pode encontrá-lo até depois do primeiro turno. As convenções partidárias prosseguem até 5 de agosto, com registro de candidaturas até o dia 15; a de Lula está marcada para 2 de agosto, também em São Paulo, enquanto o PL corre contra o tempo para fechar a chapa e evitar uma campanha isolada.
Amplie o olhar
Calotes batem recorde na Argentina e no Brasil enquanto juros elevados redefinem poupança global
3 idiomas · 7 veículos
De TechnologyMusk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE
3 idiomas · 5 veículos
De Science & HealthTerapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas
4 idiomas · 6 veículos