
UE revoga subsídio de 2 milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação russa
Agência executiva europeia interrompe financiamento após reabertura do pavilhão da Rússia; fundação anuncia recurso judicial e minimiza impacto orçamental.
A Agência de Execução Europeia para a Educação e a Cultura (EACEA) formalizou a interrupção definitiva de um subsídio de dois milhões de euros à Fundação La Biennale di Venezia, na sequência de uma avaliação jurídica e de uma recomendação da Comissão Europeia. O porta-voz do executivo comunitário justificou a medida afirmando que eventos culturais financiados com dinheiro dos contribuintes europeus devem salvaguardar valores democráticos, promover o diálogo aberto, a diversidade e a liberdade de expressão, princípios que, segundo Bruxelas, não são respeitados na Rússia atual. A decisão surge depois de, em março, a Comissão ter alertado que a reabertura do pavilhão russo na 61.ª Exposição Internacional de Arte poderia violar o regime de sanções da UE, uma vez que a participação é custeada pelo Estado russo.
A Fundação Bienal reagiu anunciando que fará valer as suas razões em todas as instâncias competentes, antecipando um recurso para os tribunais europeus. A instituição sublinhou que o montante agora revogado cofinanciava atividades do setor de Cinema — designadamente o Biennale College e o Venice Production Bridge —, sem qualquer relação com a participação russa na Bienal de Arte, e que a medida não tem impacto significativo no orçamento nem na programação. O governo italiano, através do ministro da Cultura, Alessandro Giuli, manifestara oposição à reabertura do pavilhão, mas recordou a autonomia estatutária da Bienal; Itália não subscreveu a carta de protesto enviada por uma maioria de Estados-membros. A subsecretária da Cultura, Lucia Borgonzoni, saudou a intenção de recurso, enquanto forças da oposição criticaram a ausência de uma defesa mais ativa por parte do executivo de Giorgia Meloni.
O pavilhão russo, encerrado ao público desde a invasão da Ucrânia em 2022, apresenta este ano uma instalação visível apenas do exterior, com um projeto musical e performativo intitulado “A árvore está enraizada no céu”. A curadora, Anastassija Karnejewa, é filha de um alto responsável do conglomerado estatal de defesa Rostec, facto que intensificou as críticas. As autoridades ucranianas protestaram veementemente, recordando que milhares de monumentos e instituições culturais foram destruídos ou danificados durante a guerra. Para Kiev, a presença russa na Bienal insere-se numa estratégia de guerra híbrida e de tentativa de quebrar o isolamento cultural de Moscovo no Ocidente.
A controvérsia não travou a afluência de visitantes: estimativas citadas pela imprensa italiana apontam para um aumento de 20% nas primeiras semanas, em comparação com a edição anterior. A Bienal, presidida por Pietrangelo Buttafuoco, defendeu a reabertura como um gesto de diplomacia cultural e recusou o papel de “tribunal”. O diferendo deverá agora transitar para a esfera judicial, enquanto a exposição prossegue até 22 de novembro. A Comissão Europeia mantém a posição de que a decisão da fundação é incompatível com a resposta coletiva da UE à agressão russa, e o caso reacende o debate sobre os limites entre autonomia artística e condicionalidade política no financiamento cultural europeu.
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
A União Europeia defende os valores democráticos cortando os fundos à Bienal pela participação russa.
A narrativa baseia-se no contraste entre os valores democráticos europeus e a falta de respeito da Rússia, tornando a decisão inevitável e moralmente justificada.
A perspectiva russa que considera a revogação um ato discriminatório não é relatada.
A União Europeia pune injustamente a Bienal pela presença russa, usando desculpas políticas.
A notícia enfatiza a decisão unilateral da UE como um ato punitivo, omitindo o contexto da guerra na Ucrânia e apresentando a Rússia como vítima de discriminação.
O contexto da guerra na Ucrânia e a destruição do patrimônio cultural pela Rússia, que motivou a decisão da UE, é omitido.
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