
UE prolonga sanções à Rússia por um ano e recupera unanimidade sobre Ucrânia
Cimeira de Bruxelas aprova conclusões unânimes pela primeira vez desde 2024 e estende restrições por 12 meses, enquanto contacto de Costa com Moscovo gera atrito entre capitais.
Os chefes de Estado e de governo da União Europeia aprovaram por unanimidade, pela primeira vez em mais de dezoito meses, as conclusões do Conselho Europeu sobre a Ucrânia e decidiram prolongar as sanções económicas contra a Rússia por um período de doze meses, em vez da renovação semestral até agora praticada. A decisão, tomada na cimeira de Bruxelas, foi viabilizada pela substituição do anterior primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, pelo mais moderado Péter Magyar, cuja postura europeísta destravou consensos que estavam bloqueados desde dezembro de 2024, segundo fontes diplomáticas europeias. O Conselho reafirmou o apoio a Kiev, incluindo um empréstimo de 90 mil milhões de euros e o início formal das negociações de adesão.
O encontro ficou, no entanto, marcado por um atrito em torno da iniciativa do presidente do Conselho Europeu, António Costa, de abrir um canal diplomático com Moscovo. O gabinete de Costa confirmou dois contactos telefónicos breves, sem troca de informações substanciais nem negociações, conduzidos pelo seu chefe de gabinete. A medida, não previamente concertada com as capitais, foi descrita em círculos do governo alemão como um “affront” e como “pouco profissional”. O chanceler Friedrich Merz sublinhou que Costa é o representante da UE, mas não um mediador, e o presidente francês, Emmanuel Macron, também manifestou desagrado, de acordo com a agência noticiosa alemã dpa. Costa defendeu a iniciativa argumentando que o objetivo era “estar pronto quando chegar o momento certo para defender os interesses da UE” e que o seu papel é garantir a unidade do bloco. Vários líderes recordaram que, nos termos dos tratados, o presidente do Conselho Europeu é o representante natural dos interesses comuns.
A reação de Moscovo foi de rejeição frontal. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, afirmou que a UE não é um parceiro negocial adequado, acusando os políticos europeus de pretenderem “salvar o governo de Zelensky” e manter a Ucrânia como plataforma de confronto com a Rússia. Lavrov advertiu ainda para o risco de “ataques nucleares mútuos” numa confrontação direta entre a Rússia e a NATO. No Senado russo, o primeiro vice-presidente da comissão de assuntos internacionais, Vladimir Djabarov, declarou que a extensão das sanções “não dará qualquer resultado” e que a Rússia continuará a desenvolver-se como país soberano, independentemente da duração das medidas restritivas.
Na perspetiva de analistas em Bruxelas, o alargamento do prazo das sanções de seis para doze meses reduz a incerteza jurídica e operacional para os Estados-membros e para Kiev, ao mesmo tempo que sinaliza uma pressão sustentada sobre a economia russa. O regresso à unanimidade nas conclusões sobre a Ucrânia, viabilizado pela nova liderança em Budapeste, é interpretado como um sinal de coesão reforçada num momento em que a UE procura assumir um papel diplomático mais ativo, sem abandonar o isolamento internacional de Moscovo. As conclusões do Conselho sublinham que, enquanto não houver uma paz justa e duradoura, “não deverá haver qualquer normalização da participação da Rússia em eventos desportivos e culturais internacionais”, uma formulação que contou com o acordo de todos os 27, incluindo a Itália, que nos últimos dias viu surgir um debate sobre a presença russa na Bienal de Veneza.
O dossiê das sanções conhecerá novos desenvolvimentos com a preparação do 21.º pacote, que deverá incluir cerca de noventa bancos e restrições à entrada de cidadãos russos que tenham participado na guerra ou servido nas forças armadas após fevereiro de 2022. A Bulgária, que ameaçara vetar o pacote caso o patriarca Cirilo não fosse retirado da lista negra, viu o primeiro-ministro Rumen Radev reunir-se à margem da cimeira com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para discutir cooperação bilateral e segurança energética. O canal diplomático aberto por Costa permanece, por ora, sem conversações substantivas, e os líderes europeus insistiram na necessidade de coordenação estreita sobre as modalidades de qualquer futuro diálogo com Moscovo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após dezoito meses, os Vinte e Sete adotaram por unanimidade as conclusões sobre a Ucrânia e prorrogaram as sanções setoriais contra a Rússia por um ano inteiro, ultrapassando a renovação semestral. A cimeira ficou, contudo, marcada pela irritação com a iniciativa não concertada do presidente do Conselho Costa em relação a Moscovo, classificada como afronta pelo chanceler alemão e outros líderes.
A decisão da UE de prolongar as sanções para um ano é apenas um jogo que inventaram; na Rússia ninguém se importa. Podem colocar todos os seus pacotes de sanções num museu. Alterar a duração não trará resultado algum.
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