
UE estabelece canal diplomático discreto com Moscovo para preparar negociações sobre a Ucrânia
O chefe de gabinete de António Costa manteve contactos telefónicos com um alto funcionário russo próximo de Putin, num movimento que visa salvaguardar interesses europeus num futuro cenário de paz.
O gabinete do presidente do Conselho Europeu, António Costa, estabeleceu um canal de comunicação direto com o Kremlin, através de dois telefonemas entre o seu chefe de gabinete, Pedro Lourties, e um alto responsável russo próximo do presidente Vladimir Putin. A iniciativa, revelada em primeira mão pela Bloomberg e confirmada por fontes diplomáticas europeias à Reuters e ao Financial Times, procura preparar o terreno para conversações mais substantivas sobre o fim da guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. Embora Bruxelas e Moscovo não tenham comentado oficialmente, o movimento representa a primeira tentativa estruturada de diálogo direto desde o início da invasão em grande escala, num momento em que várias capitais ocidentais discutem a necessidade de envolver a Rússia em futuras negociações de paz.
Segundo fontes comunitárias, os contactos foram breves e não abordaram questões de fundo. “Em qualquer cenário futuro, a UE tem interesses específicos que precisam de ser defendidos, por isso é importante ter canais diplomáticos estabelecidos com a Rússia”, afirmou um alto funcionário europeu, sublinhando que a União não atua como mediadora. A iniciativa surge num contexto de debate interno no bloco sobre a eventual nomeação de um enviado especial para o diálogo com Moscovo, ideia já explorada por alguns Estados-membros, e após a cimeira do G7 em França, onde líderes ocidentais discutiram os próximos passos no conflito.
Na perspetiva de Brasília, a abertura de canais discretos é vista como um passo pragmático que ecoa a tradicional defesa brasileira de soluções negociadas. O governo Lula, que já se ofereceu para facilitar o diálogo entre as partes, poderá interpretar o gesto europeu como um alinhamento, ainda que ténue, com a necessidade de envolver Moscovo em conversações. Observadores em Lisboa notam que a iniciativa, liderada por um antigo primeiro-ministro português, reflete uma sensibilidade diplomática que combina firmeza no apoio a Kiev com a consciência de que os interesses estratégicos da UE — da segurança energética à estabilidade na vizinhança — exigem canais abertos. Nas capitais lusófonas africanas, como Luanda e Maputo, onde os laços históricos com a Rússia coexistem com parcerias ocidentais, o restabelecimento de pontes é encarado como um sinal positivo para a estabilidade global e para a credibilidade de soluções multilaterais.
Apesar da cautela de Bruxelas, os contactos sugerem uma evolução na postura europeia, que até agora evitara qualquer interlocução direta com o Kremlin. A insistência em que a UE “não é mediadora” revela o cuidado em não fragilizar a posição ucraniana nem criar divisões entre os aliados. O futuro deste canal dependerá da resposta russa e da coordenação com Washington e Londres, que também avaliam os seus próprios canais. Para já, o gesto de Costa indica que a diplomacia europeia começa a preparar-se para um cenário de negociação, mesmo que o caminho até lá continue incerto e minado por desconfianças mútuas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A União Europeia iniciou contactos diplomáticos com a Rússia, reconhecendo a necessidade de diálogo para resolver o conflito na Ucrânia. Um alto conselheiro do presidente do Conselho Europeu teve duas conversas telefónicas com um responsável russo próximo de Putin, para preparar o terreno para futuras negociações substanciais. É um passo pragmático de Bruxelas, que anteriormente evitava o envolvimento direto com Moscovo.
A União Europeia abriu breves canais diplomáticos com a Rússia para explorar possibilidades de paz na Ucrânia, mantendo ao mesmo tempo total apoio a Kiev. Os contactos foram limitados e não foram discutidas questões substantivas, mas sinalizam a vontade de envolver Moscovo em futuras conversações. A UE insiste que quaisquer negociações devem respeitar a soberania e os interesses da Ucrânia.
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