
G7 reforça pressão sobre Moscovo e debate riscos do acordo nuclear com o Irão
Na cimeira de Évian, líderes europeus alertam Trump para perigos de um pacto superficial com Teerão, enquanto aprovam novas sanções energéticas contra a Rússia para forçar negociações de paz na Ucrânia.
A segunda jornada da cimeira do G7, que decorre até 17 de junho na estância francesa de Évian-les-Bains, ficou marcada por um duplo movimento diplomático: o impulso do presidente norte-americano, Donald Trump, para encerrar a guerra na Ucrânia, na ressaca do acordo preliminar com o Irão, e a determinação dos aliados europeus em evitar que esse entendimento com Teerão se transforme num pacto superficial que consolide os programas nuclear e balístico iranianos. Trump, que aterrou em França na noite de segunda-feira, reuniu-se com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e declarou que a Rússia “deve chegar a um acordo”, afirmando que fará tudo ao seu alcance para pôr fim a um conflito que já dura mais de quatro anos.
Fontes diplomáticas europeias revelaram que o jantar de trabalho dos líderes, na noite anterior, foi dominado por perguntas incisivas sobre o acordo com o Irão, cuja assinatura formal está prevista para sexta-feira em Genebra. A principal inquietação reside na velocidade de reabertura do Estreito de Ormuz e na ausência de um texto público que detalhe as garantias de não proliferação. Na perspetiva de Paris e Berlim, um acordo temporário e vago arrisca legitimar o avanço tecnológico de Teerão, em vez de o travar. Ainda assim, o anúncio foi recebido com alívio cauteloso, e o formato E4 (França, Alemanha, Reino Unido e Itália) emitiu uma nota conjunta apelando a uma “implementação rápida” do memorando.
Quanto à Ucrânia, o G7 mostrou unidade. Após uma sessão de 75 minutos com Zelensky, os líderes concordaram em aumentar a pressão sobre Moscovo, nomeadamente através de sanções adicionais aos setores do petróleo e do gás, uma vez desbloqueado o trânsito no Golfo Pérsico. O presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro, sublinhou que o grupo apoia a soberania e a integridade territorial ucraniana, um sinal importante depois de meses de incerteza quanto à posição de Washington. Zelensky, por seu lado, ofereceu-se para negociar diretamente com Vladimir Putin em território norte-americano, mas o Kremlin declinou o convite para estar presente em Évian, mantendo a distância.
O alargamento da agenda a convidados como Brasil, Índia, Quénia e Coreia do Sul trouxe uma dimensão global às discussões. Em Brasília, a participação como país convidado é vista como uma oportunidade para reforçar a voz do Sul Global em matérias de segurança energética e rotas marítimas, sobretudo num momento em que novas sanções ao petróleo russo podem reconfigurar os mercados internacionais, com impacto direto em exportadores lusófonos como Angola e o próprio Brasil. Observadores em Lisboa notam que a cimeira testa a capacidade do multilateralismo ocidental de se adaptar a um mundo onde as alianças são cada vez mais transacionais.
O desfecho da cimeira permanece em aberto. Trump quer capitalizar o êxito iraniano para forçar um cessar-fogo na Ucrânia, mas os europeus insistem que qualquer acordo com Moscovo não pode premiar a agressão. A tensão entre a urgência de resultados e a solidez das garantias de segurança definirá os próximos passos, tanto no Médio Oriente como no Leste Europeu. A comunidade lusófona, atenta às oscilações do petróleo e à estabilidade das rotas comerciais, acompanha com expectativa os sinais que sairão das margens do Lago Léman.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump declarou que Putin e Zelensky estão abertos a um acordo, mas Zelensky destacou as recusas anteriores de Putin e propôs uma cimeira nos EUA para tornar mais difícil uma nova rejeição. O otimismo de Trump é recebido com cautela, enquanto se recordam as 25.000 perdas mensais de soldados.
Zelensky ofereceu-se para se encontrar com Putin nos EUA durante uma chamada com Trump, argumentando que um local americano tornaria mais difícil para Putin recusar. Trump relatou conversas positivas com ambos os líderes.
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