
Trump nega pagamento de 300 milhões de dólares ao Irão e insiste que Teerão não terá armas nucleares
No G7 em França, presidente dos EUA defende memorando de 14 pontos, promete divulgar o texto integral e enviá-lo ao Congresso, enquanto aliados europeus mostram prudência.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou categoricamente que Washington vá transferir 300 milhões de dólares para o Irão, classificando as notícias como “fake news” e acusando os democratas de as disseminarem. À margem da cimeira do G7 em Évian-les-Bains, França, Trump afirmou que o memorando de entendimento assinado com Teerão estabelece, de forma “clara e inequívoca”, que a República Islâmica nunca possuirá armas nucleares. O documento, com 14 pontos, foi firmado na madrugada de 15 de junho e abre um período de 60 dias para negociações detalhadas sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a reabertura total do Estreito de Ormuz. Trump prometeu não só divulgar o texto integral numa cerimónia formal, como lê-lo “palavra por palavra” numa conferência de imprensa, e anunciou que o enviará ao Congresso norte-americano para escrutínio.
O presidente norte-americano mostrou-se otimista quanto ao cumprimento do prazo de 60 dias para um pacto definitivo, sublinhando que “ambas as partes querem um acordo” e que o Irão precisa de regressar à normalidade económica. Ao mesmo tempo, advertiu que “cairá um verdadeiro inferno” sobre Teerão se este procurar obter uma arma nuclear, uma ameaça que, segundo a imprensa internacional, ecoa a retórica de pressão máxima que antecedeu o conflito. O vice-presidente J.D. Vance e o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf deverão participar na assinatura formal do acordo, prevista para sexta-feira, 19 de junho, em Genebra. Apesar do tom triunfante de Trump, relatos provenientes de Teerão e de Washington sugerem discrepâncias entre as versões dos dois lados sobre o conteúdo exato do memorando, e o próprio Vance admitiu que várias questões centrais continuam por resolver na fase técnica das conversações.
Na perspetiva de Brasília, a estabilização do Estreito de Ormuz — que Trump garantiu permanecerá aberto e livre de taxas durante e após os 60 dias — é vista como um fator positivo para a estabilidade dos preços do petróleo e para as economias exportadoras de matérias-primas, incluindo Angola e Moçambique. Observadores em Lisboa notam, contudo, que os aliados europeus no G7 manifestaram preocupação com a inexperiência da equipa negociadora americana, temendo que fragilidades técnicas possam comprometer a solidez de um eventual acordo final. Em Israel, a imprensa destaca o descontentamento de Trump com a atuação israelita no Líbano e a sugestão de que a Síria poderia estar mais bem posicionada para desarmar o Hezbollah, o que introduz uma nova variável geopolítica na região.
O caminho até um tratado vinculativo permanece incerto. O envio do memorando ao Congresso, onde legisladores de ambos os partidos já expressaram reservas, poderá atrasar ou condicionar a aprovação de qualquer alívio de sanções. A promessa de Trump de ler o texto publicamente visa, segundo analistas em Washington, controlar a narrativa mediática e conter as críticas internas, mas a ausência de detalhes verificáveis mantém o ceticismo. Para a comunidade lusófona, o desfecho interessa diretamente: a normalização das relações entre Washington e Teerão poderia atenuar as tensões no Golfo Pérsico, reduzindo a volatilidade dos mercados energéticos e abrindo espaço para uma cooperação mais ampla no Médio Oriente. Contudo, a história de acordos incumpridos e a profundidade da desconfiança mútua recomendam prudência antes de celebrar uma paz duradoura.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump insiste que o acordo provisório com o Irã diz 'alto e claro' que Teerã nunca terá uma arma nuclear. No entanto, o memorando de 14 pontos permanece secreto, levantando dúvidas sobre sua consistência. A reportagem transmite a defesa de Trump com ceticismo, destacando a opacidade do acordo.
Trump garante que o Irã nunca obterá armas nucleares e classifica o acordo como um sucesso, dizendo que uma segunda fase será mais fácil. Contudo, os aliados europeus receiam que a equipe negociadora dos EUA, tida como inexperiente, possa ter dificuldades para firmar um acordo robusto. A imprensa latino-americana ecoa tanto o otimismo de Trump quanto as preocupações europeias.
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