
Tráfego no Estreito de Ormuz só retomará com acordo “material”, alerta gigante naval japonesa
Apesar do anúncio de Donald Trump sobre uma reabertura parcial, a Mitsui O.S.K. Lines e analistas estimam que a normalização da rota vital para o petróleo mundial levará semanas, exigindo garantias concretas de segurança.
A retoma do trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no planeta, não será imediata. O presidente-executivo da Mitsui O.S.K. Lines, Jotaro Tamura, advertiu que os armadores só voltarão a enviar navios para a via quando o acordo entre Washington e Teerão for “material” — ou seja, quando as garantias diplomáticas se traduzirem em condições reais de segurança no terreno. A guerra iniciada a 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel paralisou quase por completo o trânsito naquele corredor estratégico, interrompendo também o transporte de matérias-primas como alumínio e ureia.
A declaração de Tamura, recolhida pelo Financial Times, contrasta com o tom triunfalista de Donald Trump, que na rede Truth Social assegurou que o estreito estaria “completamente aberto” até sexta-feira e que navios já circulavam por uma rota meridional “totalmente segura”. Observadores em Londres e no Médio Oriente, contudo, sublinham que a normalização exigirá muito mais do que um anúncio político. Será necessário limpar minas, restabelecer corredores de trânsito internacionais e permitir a saída ordenada de dezenas de embarcações que ficaram retidas na zona de conflito. O próprio Tamura, cuja companhia opera uma frota de mais de 900 navios, estimou que o processo poderá demorar “pelo menos algumas semanas, se não um mês”.
Na perspetiva de Brasília, a volatilidade no Golfo Pérsico é observada com atenção, dado o seu impacto direto sobre as cotações do crude e, por arrasto, sobre os preços dos combustíveis no mercado brasileiro. Ainda que o Brasil seja um grande produtor, a Petrobras ajusta os seus valores de referência às flutuações internacionais, e qualquer estrangulamento prolongado em Ormuz pressiona a inflação nos setores de transporte e logística. Observadores em Lisboa notam que Portugal, fortemente dependente de gás natural liquefeito que transita pelo estreito, poderá enfrentar pressões adicionais nos mercados grossistas de eletricidade, num momento em que a Europa ainda procura alternativas ao fornecimento russo.
A prudência dos armadores japoneses reflete um cálculo mais amplo: a confiança não se restabelece por decreto. A reabertura efetiva do Estreito de Ormuz dependerá de uma coordenação estreita entre autoridades marítimas, seguradoras e operadores, que exigirão provas de que as ameaças — incluindo a capacidade iraniana de minar as águas ou de retaliar com meios assimétricos — foram neutralizadas. Enquanto esse entendimento “material” não se concretizar, a normalização continuará adiada, prolongando a incerteza sobre uma artéria vital da economia global e testando a resiliência das cadeias energéticas que abastecem tanto o Atlântico Sul como a Península Ibérica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O maior operador de petroleiros do mundo alerta que o trânsito no Estreito de Ormuz não será retomado por semanas, pois o acordo EUA-Irã carece de garantias materiais. A cautela reflete profundo ceticismo sobre o impacto imediato do acordo na segurança. As cadeias globais de suprimento de petróleo permanecem tensas.
Os armadores estão adotando uma postura de esperar para ver, exigindo provas concretas de que o acordo EUA-Irã é eficaz antes de retomar o trânsito. O CEO da Mitsui O.S.K. Lines estima um atraso de pelo menos algumas semanas. O foco está na gestão pragmática de riscos comerciais.
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