
Reino Unido e Canadá apertam cerco a Moscovo com sanções a navios de GNL e redes financeiras
Durante cúpula do G7 em França, Londres anuncia 70 novas sanções, incluindo restrições inéditas a gasodutos de GNL, enquanto Otava mira 162 entidades ligadas à máquina de guerra russa.
O Reino Unido anunciou esta terça-feira, 16 de junho de 2026, um novo pacote de 70 sanções contra a Rússia, assumindo pela primeira vez o bloqueio direto a navios que transportam gás natural liquefeito (GNL) russo. A decisão, comunicada pelo primeiro-ministro Keir Starmer durante a sessão especial do G7 em Évian-les-Bains, França, visa estrangular as receitas energéticas que alimentam o esforço de guerra do Kremlin. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, participa na cimeira das sete maiores economias do mundo, onde os aliados ocidentais procuram inclinar a balança a favor de Kiev após mais de quatro anos de conflito.
O pacote britânico inclui 27 petroleiros e gasodutos, entre os quais se destacam os navios metaneiros russos “Luch” e “Cosmos” e o petroleiro “Mercury”, este último já proibido de entrar em portos do Reino Unido. As medidas impedem o fretamento, a assistência técnica, os serviços financeiros e o fornecimento de tripulações a essas embarcações, podendo ainda levar ao cancelamento do registo dos dois gasodutos no registo naval britânico. Com esta ronda, Londres eleva para mais de 600 o número total de navios sancionados, mirando também a chamada “frota sombra” e redes financeiras que facilitam a evasão às restrições ocidentais. Em paralelo, o Canadá, sob a liderança do primeiro-ministro Mark Carney, impôs sanções a 162 indivíduos, entidades e embarcações, reforçando a cooperação com Kiev na produção de drones.
A ofensiva coordenada do G7 procura asfixiar a logística energética russa num momento em que Moscovo continua a exportar volumes significativos de GNL, sobretudo para mercados asiáticos. Observadores em Lisboa sublinham que a decisão britânica de sancionar diretamente navios metaneiros — e não apenas as empresas proprietárias — representa uma escalada significativa, com potenciais reflexos nos contratos de fornecimento a países europeus que ainda dependem do gás russo. Já em Brasília, a perceção é de que o Brasil, que mantém uma posição de não alinhamento e não aderiu às sanções, pode ver as suas importações de fertilizantes russos indiretamente afetadas, caso as restrições ao transporte marítimo se alarguem. Os países lusófonos africanos, como Angola e Moçambique, acompanham a evolução do quadro sancionatório com atenção, dado o peso crescente do GNL nas suas economias e a possibilidade de desvios nos fluxos globais de energia.
Zelenskyy agradeceu o apoio dos parceiros e reiterou a necessidade de sistemas de defesa aérea e mísseis Patriot, afirmando que “a Rússia não está a vencer”. O Kremlin, pela voz do porta-voz Dmitri Peskov, desvalorizou as novas medidas, insistindo que as sanções não travarão a máquina de guerra russa. Contudo, a acumulação de restrições sobre o setor energético e a logística marítima começa a produzir efeitos cumulativos, aumentando os custos de transporte e seguro e forçando Moscovo a recorrer a rotas mais longas e a intermediários menos fiáveis.
A cimeira de Évian-les-Bains confirma que o G7 aposta numa estratégia de desgaste económico de longo prazo, combinando pressão militar indireta com o isolamento financeiro e logístico da Rússia. A eficácia desta abordagem dependerá, em última análise, da capacidade de enforcement das sanções e da resposta dos países não alinhados, cuja cooperação — ou omissão — pode determinar o ritmo a que o cerco se fecha sobre Moscovo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Reino Unido anunciou 70 novas sanções contra a Rússia, incluindo navios-tanque de GNL, durante a cimeira do G7 em França. As medidas visam pressionar Moscovo a pôr fim à guerra na Ucrânia.
O Reino Unido está a aumentar as sanções contra a Rússia, visando navios-tanque de GNL para parar a sua máquina de guerra, anunciou o primeiro-ministro Starmer na cimeira do G7. Os aliados estão a intensificar a pressão sobre Moscovo após mais de quatro anos de conflito.
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