
Merz usa futebol para cortejar Trump no G7 com camisola personalizada
O chanceler alemão ofereceu ao presidente dos EUA uma camisola da Mannschaft com o número 47, num gesto simbólico que não dissipou o ceticismo sobre a relação transatlântica.
Na cimeira do G7 em Évian-les-Bains, França, o chanceler alemão Friedrich Merz presenteou Donald Trump com uma camisola da seleção alemã de futebol, personalizada com o nome “Trump” e o número 47 — uma alusão ao facto de ser o 47.º presidente dos Estados Unidos. O presente, entregue na terça-feira, serviu como prenda de aniversário atrasada para os 80 anos do líder norte-americano, celebrados no domingo, e chegou acompanhado de um cartão manuscrito enviado previamente a Washington. A coincidência com o Campeonato do Mundo de 2026, coorganizado pelos EUA, Canadá e México, deu ao gesto uma atualidade mediática imediata.
O momento inscreveu-se numa cimeira marcada por tensões latentes. Trump, que aterrou em Évian sob forte dispositivo de segurança, protagonizou também um aperto de mão descrito nas redes sociais como “humilhante” para o anfitrião Emmanuel Macron, além de ter trocado longas palavras com a primeira-dama francesa enquanto ignorava o presidente. A encenação diplomática contrastou com a tentativa de Merz de invocar o espírito de equipa: “Estamos na mesma equipa”, terá dito o chanceler, numa frase que ecoou nas redes sociais e nos comunicados.
A imprensa alemã e italiana acolheu o gesto com cepticismo. Comentadores em Munique sublinharam que o custo da camisola — cerca de 150 euros na versão de jogo, mais cinco euros pela estampagem — é irrisório face às exigências de Washington de que os aliados da NATO gastem 5% do PIB em defesa. “A única equipa a que Trump alguma vez pertenceu é composta apenas por ele próprio”, escreveu o Süddeutsche Zeitung, lembrando o historial de unilateralismo comercial e diplomático do presidente. Na perspetiva de Roma, o jornal Domani notou que a referência ao futebol e à ascendência alemã de Trump não bastou para descongelar as relações entre Berlim e Washington.
A cimeira do G7 procurava projetar unidade após um ano em que as tarifas alfandegárias e os movimentos isolacionistas de Trump alarmaram os parceiros tradicionais. O presente de Merz, por mais original que fosse, não alterou a substância das negociações sobre a Ucrânia, o comércio e a defesa. Para observadores em Lisboa e Brasília, o episódio ilustra a dificuldade de traduzir gestos simbólicos em avanços concretos numa relação transatlântica cada vez mais transacional. A camisola da Mannschaft pode ter vestido Trump por instantes, mas o jogo político continua a ser disputado em campos bem menos lúdicos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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No G7 em Évian, o chanceler Merz presenteou Trump com uma camisa da seleção alemã com o número 47, alusiva ao seu aniversário e à 47ª presidência. Um gesto diplomático leve e pessoal, que combina entusiasmo pelo futebol e reconhecimento individual.
O presente da camisa alemã a Trump é retratado como um ato de subordinação, uma tentativa desajeitada de Berlim de agradar ao líder americano com uma lembrança futebolística. A mídia russa enquadra-o como símbolo da dependência estratégica da Alemanha em relação a Washington.
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