
Trump promete que Irão nunca terá arma nuclear às vésperas de memorando com Teerão
Às vésperas da assinatura de um memorando de entendimento com Teerão, Donald Trump assegura que o Irão jamais terá armas nucleares, enquanto avalia apoio eleitoral a Netanyahu e a guerra na Ucrânia se intensifica.
Na iminência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, prevista para esta sexta-feira na Suíça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu à sua rede social para garantir que o Irão “nunca terá uma arma nuclear” e que “o mundo estará a salvo”. A mensagem, que mistura segurança nacional e indicadores económicos, surge num momento em que as duas partes se preparam para declarar o fim imediato e permanente das operações militares iniciadas em fevereiro e a reabertura do estratégico estreito de Ormuz. O documento estabelece um prazo de 60 dias para um acordo de paz definitivo, durante o qual o programa nuclear iraniano continuará a operar sob o compromisso de que Teerão não desenvolverá armamento atómico — ponto que permanece em negociação.
A retórica de Trump ecoa de forma distinta nas capitais do Médio Oriente. Em Teerão, as autoridades reiteram que o programa nuclear tem fins exclusivamente civis e energéticos, rejeitando as acusações de intenção militar. Apesar do tom triunfante da Casa Branca, o memorando não vincula todos os atores do conflito — Israel e o Hezbollah ficam de fora —, o que torna o seu alcance dependente da influência que americanos e iranianos exerçam sobre os seus aliados regionais. Nos Estados Unidos, a própria comunidade de segurança nacional exibe divisões: em março de 2026, Joe Kent demitiu-se do cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo por questionar a narrativa oficial de que o Irão representaria uma ameaça iminente.
O impacto político do entendimento com o Irão já se faz sentir em Israel, onde o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta uma crise de popularidade sem precedentes. Trump afirmou que “provavelmente” apoiará Netanyahu nas eleições previstas para o outono, mas ressalvou que precisa de conhecer os outros candidatos e que o líder israelita “deve ser mais razoável”. A declaração surge num momento em que Netanyahu, enfraquecido por acusações de corrupção, falhas de segurança no ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e uma coligação de direita em rota de derrota nas sondagens, vê o acordo provisório dos EUA com o Irão agravar a sua fragilidade. O líder da oposição, Yair Lapid, já sentenciou que “Netanyahu perdeu a guerra”.
Enquanto o xadrez diplomático se reconfigura, a guerra na Ucrânia prossegue como pano de fundo de instabilidade global. Ataques com drones ucranianos atingiram pela segunda vez numa semana a refinaria de Moscovo, enquanto mísseis balísticos russos voltaram a cair sobre Kiev. Trump, que tenta capitalizar a imagem de pacificador, afirmou que tanto Vladimir Putin como Volodymyr Zelensky estão prontos para negociar o fim do conflito, mas o Kremlin nega ter discutido um encontro entre os dois líderes. As ofensivas mútuas mostram a dificuldade de converter intenções de paz em cessar-fogo efetivo.
Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, o memorando entre Washington e Teerão é observado com prudente expectativa. A promessa de normalização do fluxo de petróleo e a redução dos preços da energia interessam diretamente a economias lusófonas importadoras, como Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa. Contudo, analistas advertem que o crescimento moderado da economia americana — com expansão anualizada de 1,6% no primeiro trimestre de 2026 e desemprego estável em torno de 4% — contrasta com o otimismo inflamado de Trump. O verdadeiro teste ao memorando será a sua capacidade de conter as ambições nucleares iranianas e de acalmar as tensões regionais sem alienar aliados históricos como Israel, num ano eleitoral que promete redefinir alianças no Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A alegação de Trump de que o Irã nunca terá uma arma nuclear é descartada como retórica repetitiva. A mídia iraniana destaca seu apoio simultâneo a Netanyahu e observa com sarcasmo que suas bravatas sobre petróleo e segurança não se destinam ao Irã. A mensagem subjacente é que o programa nuclear iraniano permanece pacífico e a retórica de Trump é hipócrita.
O presidente dos EUA afirmou que o Irã nunca terá uma arma nuclear, ligando a declaração a um memorando de entendimento iminente com Teerã. A mensagem misturou otimismo econômico com garantias de segurança, notando que o petróleo está fluindo e os mercados prosperando. A reportagem simplesmente transmite o anúncio de Trump sem julgamento editorial.
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