
Trump ameaça 'terminar o trabalho' no Irã se não houver acordo
Presidente dos EUA renova ultimato militar enquanto Teerã realiza funeral de líder supremo e negociações indiretas permanecem sem avanços.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (6) que Washington ou chegará a um acordo com o Irã ou “terminará o trabalho”, renovando a ameaça de uma ação militar em larga escala. Em declarações no Salão Oval, Trump detalhou a capacidade ofensiva americana, mencionando a possibilidade de destruir pontes e o fornecimento de energia iranianos em poucas horas, mas reiterou a preferência por uma solução negociada para evitar afetar 91 milhões de pessoas. A fala ocorre após o encerramento, na semana passada, de mais uma ronda de conversações indiretas mediadas pelo Catar, que não produziu sinais públicos de progresso rumo a uma paz duradoura, apesar do cessar-fogo de 60 dias em vigor.
Na perspetiva de Washington, segundo fontes da Casa Branca, o objetivo central é impedir que Teerã desenvolva um arsenal nuclear, e não uma mudança de regime. A administração americana insiste que o memorando de entendimento assinado no mês passado já contemplava concessões iranianas, como o fim do enriquecimento de urânio a níveis elevados. Do lado iraniano, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Baqer Zolqadr, classificou a ameaça de Trump como “delirante” e advertiu que os iranianos “não estão familiarizados com a linguagem das ameaças”, exigindo respeito ou uma resposta “noutra linguagem”. A Embaixada do Irã na Armênia também reagiu, afirmando que os EUA “não têm civilização, história nem honra” para compreender o luto pela morte do líder supremo.
As implicações imediatas recaem sobre a frágil trégua e o calendário diplomático. O cessar-fogo de 60 dias, acertado após os ataques conjuntos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro que mataram o aiatolá Ali Khamenei, tinha como propósito reativar as negociações para conter o programa nuclear iraniano. Contudo, fontes próximas às conversações em Doha indicam que as discussões mais recentes se concentraram em temas que ambos os lados já consideravam resolvidos, como o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e o desbloqueio de recursos financeiros iranianos, sem avanços substantivos. As cerimônias fúnebres de Khamenei, que mobilizaram multidões e projetaram uma imagem de unidade e desafio, interromperam temporariamente os contatos, mas a expectativa é que as conversas sejam retomadas após o encerramento dos ritos, previsto para quinta-feira (9).
Para observadores em Brasília, a escalada retórica ocorre num momento em que o Brasil, membro dos BRICS e tradicional defensor de soluções multilaterais, acompanha com preocupação a instabilidade no Golfo Pérsico, região vital para o fornecimento global de petróleo. Em Lisboa, diplomatas europeus reforçam o apelo por uma saída diplomática, alinhados com a posição da União Europeia de preservar o canal de negociação. O estado do dossiê permanece incerto: enquanto Washington condiciona qualquer acordo à verificação do fim do programa nuclear iraniano, Teerã exige o levantamento de sanções e garantias de segurança. A próxima ronda de conversações indiretas, segundo fontes diplomáticas, deverá ocorrer logo após o funeral, com o Catar mantendo-se como mediador principal.
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Washington impõe uma escolha clara a Teerã: um acordo ou ação militar decisiva.
O relatório baseia-se em citações diretas e contexto factual, evitando comentários emocionais, para apresentar a ameaça como um fato.
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A administração Trump aumenta a aposta, ameaçando destruir a infraestrutura iraniana se Teerã não ceder.
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Washington impõe uma escolha clara a Teerã: negociação ou destruição.
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