
Tribunal sul-coreano condena ex-presidente Yoon a mais dois anos de prisão por financiamento ilegal
Yoon Suk Yeol, que já cumpre prisão perpétua por insurreição, foi considerado culpado de receber sondagens gratuitas em troca de favores políticos, num caso que se distingue da absolvição da ex-primeira-dama.
O Tribunal Distrital Central de Seul condenou o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol a dois anos de prisão, em 13 de julho de 2026, por violar a lei de financiamento político ao receber ilegalmente 14 rondas de sondagens de opinião, avaliadas em 270 milhões de won (cerca de 180 mil dólares), de um intermediário político. A sentença acresce a um já vasto rol de condenações do antigo chefe de Estado, que cumpre prisão perpétua por ter liderado uma insurreição ao decretar a lei marcial em dezembro de 2024.
De acordo com o tribunal, Yoon recebeu os serviços de sondagem gratuitamente entre 2021 e 2022 e, em contrapartida, exerceu influência na nomeação de um antigo deputado apoiado pelo mesmo intermediário, Myung Tae-kyun. O ex-presidente negou as acusações, afirmando não ter solicitado as sondagens nem prometido qualquer retribuição. A decisão contrasta com veredictos anteriores relativos à ex-primeira-dama Kim Keon Hee, nos quais não se provou a existência de um quid pro quo nas mesmas circunstâncias. Myung foi igualmente condenado a 18 meses de prisão.
A nova condenação insere-se num quadro de múltiplos processos judiciais contra Yoon, de 65 anos. Além da prisão perpétua pela declaração da lei marcial — que o parlamento anulou em horas e que levou ao seu impeachment —, o ex-presidente foi sentenciado a sete anos de prisão por obstrução à justiça durante a tentativa de detenção e, segundo a imprensa do leste asiático, a 30 anos por ter enviado drones para a Coreia do Norte com o objetivo de fabricar uma crise que justificasse a medida de exceção. A ex-primeira-dama Kim cumpre igualmente penas de prisão por suborno e manipulação de ações.
Observadores em Brasília e Lisboa notam que o caso sul-coreano ecoa uma tendência global de responsabilização criminal de ex-líderes, mas sublinham as especificidades da crise política que Yoon desencadeou. A decretação da lei marcial, a primeira em mais de quatro décadas, mergulhou a Coreia do Sul numa turbulência institucional e reacendeu o debate sobre os limites do poder presidencial. Na perspetiva de analistas russos, a sucessão de condenações de altos funcionários em Seul ilustra um fenómeno mais amplo de judicialização da política, que também se verifica em países como o Paquistão, onde o ex-primeiro-ministro Imran Khan enfrenta dezenas de processos.
A defesa de Yoon pode recorrer da sentença agora proferida. O Supremo Tribunal sul-coreano deverá pronunciar-se na próxima quinta-feira sobre o recurso da ex-primeira-dama Kim no mesmo caso, depois de duas absolvições em instâncias inferiores. O desfecho destes recursos determinará a extensão final das penas do ex-presidente e o encerramento de um dos capítulos mais conturbados da história política recente da Coreia do Sul.
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