Entrar
Edição das 20:00 CETdomingo, 21 de junho de 2026
307 veículos · 17 idiomas135 briefing hoje
Justiça & Direitoquinta-feira, 18 de junho de 2026

Tribunal iraniano condena cantora a 74 chibatadas por concerto sem véu

Parastoo Ahmadi e oito músicos foram sentenciados por 'ofender a decência pública' após atuação virtual num caravançarai histórico, num veredicto que activistas classificam como medieval.

A Justiça da República Islâmica do Irão condenou a cantora Parastoo Ahmadi e oito membros da sua banda a 74 chibatadas cada, dois anos de proibição de saída do país e dois anos de interdição de qualquer actividade artística. A sentença, proferida pelo Tribunal Penal de Qom e ainda passível de recurso, baseia-se nos artigos 638.º do Código Penal islâmico e 743.º da lei de crimes informáticos, invocando a «ofensa ao pudor público através da produção e difusão de conteúdo vulgar e contrário à moral no espaço virtual». O tribunal determinou ainda que o veredicto seja divulgado nos meios de comunicação nacionais, numa decisão que ecoa práticas punitivas de outros tempos.

O caso remonta a dezembro de 2024, quando Ahmadi publicou no YouTube um vídeo de um «concerto virtual» gravado no caravançarai histórico de Deyr-e Gachin, no qual actuou sem o véu islâmico obrigatório. A performance, que rapidamente se tornou viral, foi interpretada pelas autoridades como um acto de «normalização da quebra de tabus e violação das regras consuetudinárias e morais baseadas em valores islâmicos». A acusação formal, citada por fontes próximas ao processo, inclui a «produção e publicação de conteúdo indecente» e a «perturbação da castidade pública», conceitos jurídicos vagos que o regime de Teerão há muito utiliza para reprimir expressões artísticas e a presença feminina no espaço público.

A reacção internacional não se fez esperar. A activista Masih Alinejad, exilada nos Estados Unidos, classificou a sentença como «medieval» e uma «vingança explícita» contra a voz de uma mulher, sublinhando o carácter político de um castigo que visa silenciar a dissidência. Observadores em Lisboa notam que o recurso a penas corporais como as chibatadas, previstas no código penal iraniano, remete para práticas que a comunidade lusófona, com a sua história de superação de regimes autoritários, tende a repudiar de forma particularmente veemente. De Brasília, a condenação é lida como mais um episódio da repressão sistemática contra artistas e mulheres, num país onde o véu obrigatório continua a ser um instrumento de controlo social.

A sentença insere-se num padrão mais amplo de criminalização da produção cultural independente no Irão. O veredicto de Qom não só pune os músicos com castigos físicos e restrições profissionais, como ordena a publicação da decisão, transformando a humilhação pública em parte da pena. A vagueza de termos como «pudor público» permite ao aparelho judicial uma margem de discricionariedade que, na prática, transforma qualquer acto criativo não alinhado com a ortodoxia oficial em potencial transgressão. A proibição de actividade artística por dois anos equivale, para muitos, a uma sentença de morte profissional.

Enquanto o prazo para recurso decorre, a comunidade artística iraniana e a diáspora acompanham o caso como um termómetro da tolerância do regime. A divulgação forçada da sentença nos media estatais sugere uma intenção de exemplaridade, mas pode também amplificar o efeito contrário, galvanizando a solidariedade internacional. Para os países lusófonos, onde a liberdade de expressão artística é um valor constitucional consolidado, o episódio reforça a percepção de um Irão cada vez mais isolado e em conflito com os direitos humanos fundamentais.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

38%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa atlantica / anglosfera
Stampa europea continentale/ nordica
indignazionedistacco

Uma reportagem sueca detalha a sentença de 74 chicotadas, proibição de viagem e proibição artística para a cantora iraniana Parastoo Ahmadi e oito músicos, acusados de ofender a decência pública ao publicar conteúdo vulgar. Recorda a prisão após um concerto no YouTube sem hijab e a libertação sob fiança, e explica a proibição iraniana de as mulheres mostrarem o cabelo e cantarem a solo perante um público misto. O tom é factual, destacando as leis restritivas sem condenação explícita.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
allarmeindignazioneurgenza

Uma agência de direitos humanos relata o veredicto do tribunal de Qom: 74 chicotadas, dois anos de proibição de saída e dois anos de proibição artística para a cantora e o seu grupo, acusados de 'ofender a decência pública' por produzirem conteúdo imoral online. Sublinha a punição severa por um concerto virtual que gerou amplas reações nas redes sociais, enquadrando-a como uma forte repressão à liberdade artística e aos direitos das mulheres.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Egito e Nova Zelândia empatam 1-1 e mantêm indefinição no Grupo G·Vance fala em 'grandes progressos' com Irão, mas ameaças de Trump levam a protesto·Agentes de IA já se autoprogramam e redefinem o valor do julgamento humano·Teste de saliva detecta falta de sono com 94% de precisão; psicologia destaca o valor do tédio·Dia dos Pais: as escolhas afetivas de Meghan e Gisele nas montras digitais·Mbappé caça recorde de gols e França busca selar vaga contra Iraque no Mundial·O ‘pasta pomodoro’ e o limão: a moda redescobre o gosto do essencial·Enxaqueca atinge 213 milhões na Índia; cafeína é gatilho modificável, mas de dupla face·Egito e Nova Zelândia empatam 1-1 e mantêm indefinição no Grupo G·Vance fala em 'grandes progressos' com Irão, mas ameaças de Trump levam a protesto·Agentes de IA já se autoprogramam e redefinem o valor do julgamento humano·Teste de saliva detecta falta de sono com 94% de precisão; psicologia destaca o valor do tédio·Dia dos Pais: as escolhas afetivas de Meghan e Gisele nas montras digitais·Mbappé caça recorde de gols e França busca selar vaga contra Iraque no Mundial·O ‘pasta pomodoro’ e o limão: a moda redescobre o gosto do essencial·Enxaqueca atinge 213 milhões na Índia; cafeína é gatilho modificável, mas de dupla face·
Atualizado 13:002 idiomas · 5 veículos
AnteriorJustiça & DireitoPróximo
5 veículos|2 idiomas|3 min de leitura
quinta-feira, 18 de junho de 2026

Tribunal iraniano condena cantora a 74 chibatadas por concerto sem véu

Parastoo Ahmadi e oito músicos foram sentenciados por 'ofender a decência pública' após atuação virtual num caravançarai histórico, num veredicto que activistas classificam como medieval.

A Justiça da República Islâmica do Irão condenou a cantora Parastoo Ahmadi e oito membros da sua banda a 74 chibatadas cada, dois anos de proibição de saída do país e dois anos de interdição de qualquer actividade artística. A sentença, proferida pelo Tribunal Penal de Qom e ainda passível de recurso, baseia-se nos artigos 638.º do Código Penal islâmico e 743.º da lei de crimes informáticos, invocando a «ofensa ao pudor público através da produção e difusão de conteúdo vulgar e contrário à moral no espaço virtual». O tribunal determinou ainda que o veredicto seja divulgado nos meios de comunicação nacionais, numa decisão que ecoa práticas punitivas de outros tempos.

O caso remonta a dezembro de 2024, quando Ahmadi publicou no YouTube um vídeo de um «concerto virtual» gravado no caravançarai histórico de Deyr-e Gachin, no qual actuou sem o véu islâmico obrigatório. A performance, que rapidamente se tornou viral, foi interpretada pelas autoridades como um acto de «normalização da quebra de tabus e violação das regras consuetudinárias e morais baseadas em valores islâmicos». A acusação formal, citada por fontes próximas ao processo, inclui a «produção e publicação de conteúdo indecente» e a «perturbação da castidade pública», conceitos jurídicos vagos que o regime de Teerão há muito utiliza para reprimir expressões artísticas e a presença feminina no espaço público.

A reacção internacional não se fez esperar. A activista Masih Alinejad, exilada nos Estados Unidos, classificou a sentença como «medieval» e uma «vingança explícita» contra a voz de uma mulher, sublinhando o carácter político de um castigo que visa silenciar a dissidência. Observadores em Lisboa notam que o recurso a penas corporais como as chibatadas, previstas no código penal iraniano, remete para práticas que a comunidade lusófona, com a sua história de superação de regimes autoritários, tende a repudiar de forma particularmente veemente. De Brasília, a condenação é lida como mais um episódio da repressão sistemática contra artistas e mulheres, num país onde o véu obrigatório continua a ser um instrumento de controlo social.

A sentença insere-se num padrão mais amplo de criminalização da produção cultural independente no Irão. O veredicto de Qom não só pune os músicos com castigos físicos e restrições profissionais, como ordena a publicação da decisão, transformando a humilhação pública em parte da pena. A vagueza de termos como «pudor público» permite ao aparelho judicial uma margem de discricionariedade que, na prática, transforma qualquer acto criativo não alinhado com a ortodoxia oficial em potencial transgressão. A proibição de actividade artística por dois anos equivale, para muitos, a uma sentença de morte profissional.

Enquanto o prazo para recurso decorre, a comunidade artística iraniana e a diáspora acompanham o caso como um termómetro da tolerância do regime. A divulgação forçada da sentença nos media estatais sugere uma intenção de exemplaridade, mas pode também amplificar o efeito contrário, galvanizando a solidariedade internacional. Para os países lusófonos, onde a liberdade de expressão artística é um valor constitucional consolidado, o episódio reforça a percepção de um Irão cada vez mais isolado e em conflito com os direitos humanos fundamentais.

Divergência das fontes

Justiça & Direito · 5 veículos · 2 idiomas

38%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro75%
Crítico25%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 2 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa europea continentaleStampa atlantica / anglosfera
Stampa europea continentale/ nordica
indignazionedistacco

Uma reportagem sueca detalha a sentença de 74 chicotadas, proibição de viagem e proibição artística para a cantora iraniana Parastoo Ahmadi e oito músicos, acusados de ofender a decência pública ao publicar conteúdo vulgar. Recorda a prisão após um concerto no YouTube sem hijab e a libertação sob fiança, e explica a proibição iraniana de as mulheres mostrarem o cabelo e cantarem a solo perante um público misto. O tom é factual, destacando as leis restritivas sem condenação explícita.

Stampa atlantica / anglosfera/ progressista
allarmeindignazioneurgenza

Uma agência de direitos humanos relata o veredicto do tribunal de Qom: 74 chicotadas, dois anos de proibição de saída e dois anos de proibição artística para a cantora e o seu grupo, acusados de 'ofender a decência pública' por produzirem conteúdo imoral online. Sublinha a punição severa por um concerto virtual que gerou amplas reações nas redes sociais, enquadrando-a como uma forte repressão à liberdade artística e aos direitos das mulheres.

Esta notícia apareceu em

5 veículos · 2 idiomas

Artigos relacionados

Geopolítica & Política

Trump ameaça Irã e negociações de paz são abaladas na Suíça

11 idiomas · 38 veículos

Esporte

Serena Williams aceita wild card e confirma regresso aos singulares em Wimbledon aos 44 anos

9 idiomas · 25 veículos

Geopolítica & Política

Morre Ramiro Valdés, um dos últimos comandantes da Revolução Cubana, aos 94 anos

6 idiomas · 20 veículos

Ler mais