
Tribunal em Baku condena oito russos detidos durante crise com Moscou; penas vão até quatro anos
Sentenças por tráfico de drogas e ciberfraude são interpretadas como peça de troca diplomática após queda de avião e rusgas com a diáspora azeri; Moscou negoceia repatriação.
Um tribunal de Baku condenou oito cidadãos russos a penas de prisão efetiva entre três e quatro anos, declarando-os culpados de tráfico de drogas e ciberfraude. Sergei Sofronov, Anton Drachev, Dmitri Bezugly e Valeri Dulov receberam quatro anos; Dmitri Fedorov, Boris Timoshov, Alexei Vasilchenko e Ilia Bezugly foram sentenciados a três anos. As detenções ocorreram em julho de 2025, no auge de uma crise bilateral, e juntam-se a três outros russos já condenados em abril e maio por crimes semelhantes.
Na perspetiva de Baku, os réus integravam uma rede criminosa organizada que transportava metanfetamina e metadona a partir do Irão e praticava fraudes informáticas. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, através da porta-voz Maria Zakharova, afirma que a embaixada em Baku mantém contacto permanente com os detidos e os seus familiares, e que o tema tem sido abordado em negociações a vários níveis. Moscou sublinha que a libertação dos cidadãos é um passo essencial para a normalização completa das relações bilaterais.
Observadores em Lisboa e Brasília notam que as condenações se inserem num ciclo de retaliações diplomáticas. As penas aplicadas, inferiores às molduras penais máximas para os crimes imputados, são lidas por analistas como um possível sinal de flexibilidade para um futuro intercâmbio de prisioneiros ou gesto político. Setores da imprensa russa descrevem os detidos como “reféns” de uma disputa interestatal, enquanto diplomatas ocidentais acompanham o caso como termómetro da fragilidade nas relações entre Moscou e o Cáucaso do Sul.
O estopim da crise foi a queda de um avião da Azerbaijan Airlines em dezembro de 2024, atingido por defesa aérea russa durante um ataque de drones na Chechénia. A recusa inicial de Moscou em admitir responsabilidade gerou forte reação em Baku. A tensão escalou no verão de 2025, quando operações policiais russas contra a diáspora azeri em Ecaterimburgo resultaram em duas mortes. Em resposta, o Azerbaijão fechou a Casa Russa em Baku, deteve jornalistas da Sputnik por espionagem e prendeu 11 cidadãos russos sem ligação aparente entre si. O encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Ilham Aliyev em Dushanbe, em outubro de 2025, permitiu que a Rússia reconhecesse a culpa no acidente aéreo e que os jornalistas fossem libertados, mas os restantes detidos permanecem sob custódia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo assegura que continuará a trabalhar intensamente pelo regresso dos cidadãos, sem anunciar prazos. Paralelamente, Teerão reporta que especialistas nucleares russos retomarão em breve a construção das fases 2 e 3 da central de Bushehr, e que Moscou se dispôs a ajudar na reparação de instalações de gás iranianas danificadas num ataque — indicação de que, mesmo sob fricções pontuais, a Rússia mantém múltiplas frentes de cooperação regional. O dossiê dos cidadãos russos em Baku continua em aberto, com a expectativa de que novos gestos diplomáticos possam destravar a situação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Oito cidadãos russos que se haviam mudado para o Azerbaijão foram condenados a penas de três a quatro anos de prisão por tráfico de drogas. As sentenças surgiram num momento de tensão elevada entre Baku e Moscovo. A notícia relata os factos sem comentários explícitos sobre o contexto político.
Um tribunal de Baku condenou a penas de prisão mais oito cidadãos russos detidos em julho de 2025, numa altura em que as relações entre a Rússia e o Azerbaijão se deterioravam. Foram considerados culpados de tráfico de droga a partir do Irão e de fraude informática. O caso é visto no contexto de uma fratura diplomática na sequência de uma operação policial.
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