
Teerão divulga memorando com Washington e Islamabad e fala em 'paz histórica'
Presidente Pezeshkian publicou documento assinado com Trump e o primeiro-ministro paquistanês, selando um entendimento que visa pôr fim à fase mais aguda do conflito no Médio Oriente.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tornou público na quarta-feira o texto do memorando de entendimento firmado entre o Irão, os Estados Unidos e o Paquistão, classificando o documento como “histórico” e uma prova de que “a paz será alcançada através do respeito mútuo”. A publicação na rede social X incluiu a imagem do acordo, com as assinaturas de Pezeshkian, do presidente norte-americano Donald Trump e do primeiro-ministro paquistanês Shahbaz Sharif, que atuou como mediador. O gesto de Teerão sublinha a complexidade de um processo negocial que se arrasta desde o início de 2026 e que, segundo declarações anteriores de Trump, deveria ter sido concluído a 14 de junho — data que o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) iraniano desmentiu, insistindo que o texto ainda não estava finalizado.
A assinatura do memorando na noite de 18 de junho representa, assim, a superação de um impasse que opunha a ala militar iraniana à diplomacia presidencial. O documento, cujo conteúdo integral não foi divulgado, aborda não apenas as relações bilaterais entre Washington e Teerão, mas também a agenda regional, num momento em que o Médio Oriente vive uma “fase quente” de conflitos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo já reagiu positivamente ao acordo, considerando-o um passo para a estabilização da região. Observadores em Brasília notam que a redução das tensões no Golfo pode aliviar a volatilidade dos preços do petróleo, com impacto direto na política energética brasileira e nos planos de expansão da produção do pré-sal.
Em Lisboa, analistas destacam o ineditismo do formato trilateral, que coloca o Paquistão — potência nuclear com laços históricos com o mundo lusófono através da Índia Portuguesa — como fiador de um entendimento entre velhos adversários. A participação de Islamabad é lida como um sinal de que a resolução do conflito regional exige uma arquitetura de segurança mais alargada, capaz de envolver atores asiáticos. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Moçambique e Angola, o memorando é acompanhado com interesse: a normalização das rotas marítimas no Golfo Pérsico e no Índico é crucial para o escoamento de gás natural e para a segurança energética de economias emergentes.
Apesar do tom triunfante de Pezeshkian, que descreveu o Irão como “poderoso” e “comprometido com a paz global sem sacrificar a sua dignidade e independência”, o caminho até à implementação plena do entendimento permanece incerto. O IRGC, força paralela com grande influência na política externa iraniana, já demonstrou capacidade de bloquear iniciativas presidenciais. A comunidade internacional acompanha agora os próximos passos, consciente de que o memorando é apenas o início de um processo que exigirá concessões mútuas e um delicado equilíbrio entre a distensão diplomática e as linhas vermelhas de segurança nacional de cada parte.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia russa relata que o presidente iraniano divulgou o memorando com Washington, classificando-o como um passo histórico rumo a uma paz baseada no respeito mútuo. O documento é apresentado como resultado de longas negociações iniciadas em 2026 para desarmar a fase quente do conflito no Oriente Médio, com menções a declarações anteriores dos EUA sobre um possível cronograma de cessar-fogo.
Os veículos indianos repercutem a primeira reação do presidente Pezeshkian ao acordo Irã-EUA, citando sua descrição como documento histórico e a afirmação de que uma paz duradoura exige respeito mútuo. A cobertura permanece estritamente factual, sem comentários ou análises adicionais.
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