
Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor sem retaliação imediata
A sobretaxa atinge 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, enquanto o governo Lula prioriza a negociação e evita acionar a Lei da Reciprocidade neste momento.
A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a cerca de três mil produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho. A medida, anunciada na semana passada após uma investigação conduzida ao abrigo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, incide sobre 18% da pauta exportadora do Brasil para aquele mercado, o equivalente a 7,4 mil milhões de dólares com base nos dados de 2024. Com a nova alíquota, o Brasil passa a ser o segundo país mais taxado pelos EUA, atrás apenas da China, segundo o monitor Global Trade Alert.
A decisão de Washington fundamenta-se num relatório do Representante de Comércio (USTR) que aponta práticas brasileiras consideradas desleais, como o sistema de pagamentos Pix, a regulação de plataformas digitais, barreiras ao etanol, falhas no combate à corrupção e ao desmatamento, e acordos preferenciais com México e Índia. O governo brasileiro rejeita as acusações e classifica a medida como um “marco lastimável” na relação bilateral. A lista de exceções preserva produtos estratégicos para a economia americana, como petróleo bruto, café em grão, carne bovina, aeronaves e celulose, mas atinge setores industriais de maior valor agregado, entre eles máquinas, calçados, etanol, papel e madeira.
Em Brasília, a orientação é evitar uma escalada. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “a ideia não é retaliação” e que o princípio de “olho por olho” pode deixar “os dois cegos”. O governo mantém conversas com os setores afetados, que se manifestaram contra a reciprocidade imediata, e prepara linhas de crédito no âmbito do programa Brasil Soberano, além de ações de diversificação de mercados, com uma missão oficial à Índia nas próximas semanas. A Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso em 2025, é citada como instrumento disponível, mas a sua aplicação exigiria um processo longo de consultas e análises de impacto, o que a torna, na prática, uma ferramenta de médio prazo.
O cenário pode agravar-se já na próxima sexta-feira, 24 de julho, quando os EUA deverão anunciar uma nova sobretaxa de 12,5% sobre importações de países que, na visão de Washington, não proíbem a entrada de bens produzidos com trabalho forçado. O Brasil está entre os 59 países investigados e teme que a alíquota seja cumulativa, elevando a taxação total para 37,5%. O Ministério da Fazenda avalia que o impacto macroeconómico agregado permanece reduzido, mas a concentração dos danos em segmentos industriais específicos pressiona o governo a encontrar respostas antes do início oficial da campanha eleitoral de outubro.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
O Brasil recusa a retaliação e aposta na diplomacia, usando a metáfora do 'olho por olho' para justificar a moderação.
O Brasil repete a citação de Alckmin como argumento de autoridade, encerrando o debate sobre alternativas e apresentando a não retaliação como a única opção sensata.
O Brasil omite as isenções específicas para carne bovina, café e peças de aeronaves, e a estimativa de que metade das exportações permanece isenta, o que suavizaria o impacto.
A Rússia vê a decisão do Brasil como um exemplo de moderação diplomática, contrastando com a agressividade dos EUA.
A Rússia utiliza a citação de Alckmin e a ausência de retaliação para construir uma narrativa de que a diplomacia prevalece sobre a força, alinhando-se à sua própria retórica de não escalada.
A Rússia omite os detalhes da investigação da Seção 301 e as acusações específicas dos EUA contra o Brasil, que poderiam justificar as tarifas.
A Índia observa o evento como um fato consumado, sem tomar partido, destacando isenções e contexto global.
A Índia utiliza a inclusão de dados de think tanks e a menção de isenções para apresentar uma visão equilibrada, evitando qualquer julgamento moral.
A Índia omite a citação de Alckmin sobre 'olho por olho' e a rejeição explícita de retaliação, que são centrais na narrativa brasileira.
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