
Comic-Con 2026: Depp encarna Scrooge, Ramayana exibe ambição global e Marvel prepara revelações
A 56ª edição da Comic-Con de San Diego foi marcada pela aparição surpresa de Johnny Depp como Scrooge, pela ofensiva promocional de 40 milhões de dólares do épico indiano 'Ramayana' e pela expectativa em torno da nova fase da Marvel.
No distrito de Gaslamp, junto ao centro de convenções de San Diego, uma figura de sobrecasaca, cartola e barba grisalha serpenteava entre os transeuntes, apoiada numa bengala e lançando comentários sarcásticos. Não era um cosplayer comum, mas Johnny Depp, irreconhecível sob próteses e maquilhagem, a encarnar ao vivo Ebenezer Scrooge para divulgar 'Ebenezer: A Christmas Carol', nova adaptação sombria de Charles Dickens realizada por Ti West. A aparição, que culminou com a revelação do trailer no recinto da Comic-Con, foi um dos golpes de teatro mais comentados da 56.ª edição do evento, assinalando o regresso do ator a uma produção de grande estúdio após anos de afastamento mediático.
Enquanto Depp reacendia o fascínio dos fãs, noutra sala o épico indiano 'Ramayana' reivindicava uma ambição planetária. Os protagonistas Ranbir Kapoor e Yash, acompanhados pelo realizador Nitesh Tiwari e pelo produtor Namit Malhotra, apresentaram as primeiras imagens do filme e anunciaram uma parceria de distribuição com a Sony Pictures, que injetará cerca de 25 milhões de dólares na campanha promocional, a somar a outros 15 milhões dos produtores. O investimento de 40 milhões de dólares em marketing, segundo analistas indianos, sinaliza a determinação de Bollywood em ombrear com os grandes estúdios globais, num movimento que ecoa a projeção que o cinema de língua hindi já conquistou em mercados como o Brasil, onde superproduções como 'Baahubali' abriram caminho.
O universo da ficção científica também teve lugar de destaque. A Amazon Prime Video subiu ao palco do lendário Hall H, perante 6.500 espetadores, para apresentar 'Blade Runner 2099', série que se desenrola cinquenta anos depois de 'Blade Runner 2049' e que junta Michelle Yeoh e Hunter Schafer. Com Ridley Scott na produção executiva, a obra expande a mitologia distópica num formato serializado, tendência que a Apple TV reforçou com painéis dedicados às novas temporadas de 'Silo', 'Matéria Escura' e à adaptação de 'Carrie' por Mike Flanagan. Em todos estes casos, observadores em Lisboa e São Paulo notam que as plataformas de streaming se tornaram o principal canal de chegada destas narrativas aos públicos lusófonos, frequentemente com estreias simultâneas e dobragens locais.
A expectativa, porém, concentrou-se no painel da Marvel Studios, agendado para a tarde de sábado (hora local). Kevin Feige, presidente do estúdio, era aguardado com revelações sobre a próxima fase cinematográfica, num momento em que o universo de super-heróis tenta reencontrar o fulgor perdido. Paralelamente, o rumor de que Adria Arjona poderia ser a nova Mulher-Maravilha no filme 'Man of Tomorrow', de James Gunn, agitava os corredores. Questionada, a atriz porto-riquenha esquivou-se com humor, mas deixou no ar a cumplicidade com o realizador, num jogo de especulação que é, afinal, o oxigénio deste género de convenções.
Ao cair da noite de sexta-feira, os corredores do centro de convenções ainda ecoavam as frases do trailer de 'Ebenezer' — «é bom estar de volta» —, enquanto selfies da equipa de 'Ramayana' viralizavam e as filas para o painel da Marvel começavam a formar-se. A Comic-Con voltava a cumprir-se como palco de narrativas que, entre o regresso de um ator caído em desgraça e a ascensão de um épico milenar, traçam o atlas movediço do entretenimento global.
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