
Talibã proíbe smartphones a funcionários e destrói aparelhos em público
Regime impõe confisco imediato de telemóveis inteligentes a todos os servidores do Estado, com ameaça de sanções islâmicas, e acende receios de um apagão digital nacional.
O regime talibã emitiu uma ordem que proíbe todos os funcionários públicos — de altos dirigentes a simples auxiliares — de possuir ou utilizar smartphones, determinando que os aparelhos sejam destruídos no próprio local em caso de infração. A diretiva, emanada dos tribunais militares e já em vigor, estabelece que qualquer telemóvel inteligente encontrado será imediatamente despedaçado, acumulando-se ainda sanções legais e islâmicas para o transgressor. A única via de exceção é uma autorização escrita do líder supremo, Hibatullah Akhundzada. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o paradoxo da medida: enquanto um responsável lê a ordem a partir do ecrã do seu próprio smartphone, outro funcionário parte aparelhos confiscados diante da câmara.
Analistas em Cabul apontam três motivações principais para a proibição. A primeira é travar a fuga de informação confidencial, já que muitos funcionários fotografavam documentos ou gravavam reuniões antes da assinatura oficial. A segunda é combater a perceção de que os servidores passam o dia a navegar nos telemóveis, prejudicando a produtividade administrativa. A terceira, mais política, prende-se com o controlo de protestos populares e a circulação de imagens de contestação. A medida já foi aplicada de forma experimental em províncias como Herat, onde os aparelhos foram confiscados, e surge meses depois de um apagão nacional da internet que durou dois dias, em setembro de 2023, justificado pelo regime como forma de travar “conteúdos imorais” — uma decisão revertida à pressa após protestos do setor privado e das próprias forças de segurança.
Observadores em Lisboa notam que a hostilidade talibã à tecnologia moderna replica padrões do primeiro emirado, mas agora com uma roupagem de disciplina administrativa e pretextos de eficiência. A perspetiva brasileira sublinha o paralelo com tendências autoritárias globais de controlo digital, embora o regime de Cabul acrescente uma dimensão teocrática singular. Nos países lusófonos africanos que enfrentaram conflitos prolongados, como Moçambique e Angola, a medida é acompanhada com apreensão: o argumento da segurança interna para justificar restrições à comunicação é um risco conhecido, que pode resvalar para a censura generalizada.
A grande inquietação reside na possibilidade de a proibição se alargar a toda a população. Há relatos de que, em algumas cidades, a interdição já abrange mulheres, civis, professores e estudantes. Se o regime expandir a medida, o Afeganistão poderá sofrer um isolamento digital quase total, agravando a crise humanitária e cortando o acesso a serviços essenciais. A comunidade internacional, que já assiste à reversão de direitos fundamentais sob o governo talibã, vê agora desenhar-se uma nova frente de autoritarismo informativo, com consequências imprevisíveis para a já frágil sociedade afegã.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O regime talibã impôs uma proibição total de smartphones para funcionários, dos altos escalões aos mujahidins comuns. Os infratores terão seus aparelhos destruídos e enfrentarão punições da sharia. Analistas veem nisso um possível prelúdio para restrições mais amplas à sociedade.
Os talibãs proibiram smartphones para funcionários e os destroem publicamente. A proibição atinge desde altos funcionários até trabalhadores comuns, para impedir vazamentos e controlar protestos. Cresce o temor de que isso se expanda para restrições mais amplas à população.
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