
Trump trava venda de armas a Taiwan enquanto Lai insiste em defesa e diálogo com China
Enquanto Washington adia venda de armas a Taiwan no valor de 14 mil milhões de dólares para não perturbar a receção a Xi Jinping, o presidente Lai Ching-te defende que a ilha não é moeda de troca e insiste no reforço militar, num contexto em que a opinião pública taiwanesa valoriza mais a autodefesa e a aproximação a Pequim do que a aliança com os EUA.
A administração Trump suspendeu temporariamente novas vendas de armas a Taiwan e não planeia, para já, uma chamada telefónica com o presidente Lai Ching-te, enquanto prepara a receção ao líder chinês Xi Jinping. Fontes em Washington indicam que não há movimentação para agendar o contacto direto e que os anúncios de novos pacotes militares deverão ser adiados. O representante diplomático de Taiwan nos EUA, Alexander Yui, confirmou que a política de apoio permanece inalterada, mas o pacote de 14 mil milhões de dólares continua em suspenso desde que Trump discutiu o assunto com Xi, em maio. Lai reagiu afirmando que a ilha “não será sacrificada nem objeto de troca”.
Em Taipei, o presidente Lai adotou um discurso multifacetado. Perante correspondentes estrangeiros, sublinhou que a defesa da segurança nacional e a recusa da unificação não constituem provocação, e reiterou a disponibilidade para conversações com Pequim “em pé de igualdade”. Paralelamente, recebeu congressistas norte-americanos, pedindo reforço da cooperação em defesa e tecnologia, e desvalorizou as negociações entre Japão e Filipinas sobre zonas económicas exclusivas, assegurando que os direitos de Taiwan estão protegidos e que a China não tem reivindicação legítima sobre aquelas águas.
Uma sondagem recente revela que a sociedade taiwanesa prefere a autodefesa e gestos de boa vontade a Pequim ao aprofundamento da aliança com Washington. Questionados sobre a melhor forma de garantir a segurança, 44,9% escolheram “reforçar as capacidades de defesa autónoma”, 29,7% “estender a boa vontade à China continental” e apenas 11,8% “aprofundar a cooperação com os EUA”. Observadores em Taipei interpretam estes números como um sinal de que, após o encontro Trump-Xi, a população valoriza uma estratégia de equilíbrio que não dependa exclusivamente do apoio militar americano.
Na frente económica, o embaixador chinês nos EUA, Xie Feng, propôs multiplicar por dez o comércio isento de tarifas, sugerindo que o volume atual de 30 mil milhões de dólares poderia subir para 300 mil milhões. A iniciativa, apresentada num jantar do Conselho Empresarial EUA-China, revela a tentativa de Pequim de estabilizar a relação comercial enquanto mantém a pressão militar sobre Taiwan. Para observadores em Lisboa e Brasília, onde a China é parceiro comercial de primeiro plano, este gesto sublinha a interdependência económica e o risco de contágio que uma escalada no estreito representaria para as cadeias de abastecimento globais.
O impasse sobre as vendas de armas deverá prolongar-se enquanto a Casa Branca privilegiar a visita de Xi. Taiwan continua a aumentar a despesa militar para mais de 3% do PIB, apostando em drones e novos equipamentos. A tensão latente, combinada com a ambiguidade estratégica de Washington, mantém a região num equilíbrio precário. Para as diplomacias lusófonas, que reconhecem o princípio de “uma só China” mas mantêm laços económicos com todos os atores, o desafio é navegar um cenário em que qualquer movimento brusco pode redefinir a segurança da Ásia-Pacífico e a estabilidade do comércio mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa latino-americana retrata Taiwan como uma ilha independente e democrática que resiste à pressão de Pequim. A ambivalência de Washington e o aviso de Xi Jinping a Trump reacendem os temores de um sacrifício geopolítico. O presidente Lai defende os laços militares com os EUA, afirmando que a ilha não será moeda de troca.
A imprensa chinesa destaca a disposição de Pequim de expandir o comércio isento de tarifas com os EUA, pedindo um aumento de dez vezes. Uma pesquisa mostra que mais taiwaneses preferem boa vontade em relação à China continental do que aprofundar laços com Washington. A narrativa sugere que estabilidade econômica e boa vontade mútua são o caminho adequado, minimizando a questão da venda de armas.
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