
Taiwan acelera prontidão militar e Pequim responde com porta-aviões no Estreito
Exercícios de resposta imediata e a passagem do Fujian elevam a tensão; ministro da Defesa alerta que o tempo de alerta para um ataque chinês está a diminuir.
Taiwan iniciou esta semana cinco dias de exercícios de “prontidão de combate imediata”, concebidos para testar a capacidade das forças armadas de transitar em horas de operações de paz para estado de guerra. O ministro da Defesa, Wellington Koo, afirmou no Parlamento que a janela de aviso prévio face a uma ofensiva chinesa continua a encolher, justificando a nova ênfase na velocidade de resposta. Em paralelo, o mais avançado porta-aviões da Marinha do Exército Popular de Libertação, o Fujian Tipo 003, atravessou na terça-feira o Estreito de Taiwan, manobra monitorizada de perto pelas forças da ilha e interpretada por comentadores militares chineses como um trânsito de rotina para o porto de origem em Hainan.
A porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Zhang Han, acusou o Partido Democrático Progressista (DPP) no poder em Taipé de “intenção maliciosa de procurar a independência pela força” e classificou os exercícios como “completamente fúteis” perante o exército popular. Pequim reiterou a preferência pela reunificação pacífica, mas sublinhou que não renuncia ao uso da força nem deixa margem para atividades separatistas. Na perspetiva de Washington, o principal diplomata norte-americano em Taipé, Raymond Greene, afirmou que os aliados regionais partilham o objetivo de impedir uma crise no Estreito e de reforçar a dissuasão contra qualquer tentativa de alterar o status quo pela força, em linha com a estratégia de segurança nacional dos EUA.
A tensão bilateral é ampliada por uma disputa marítima trilateral. Negociações entre Japão e Filipinas para delimitar zonas económicas exclusivas sobrepõem-se a águas que Taiwan considera sua área de influência e que a China reivindica como parte do seu território. Zhang Han acusou o governo de Lai Ching-te de ignorar “ações infratoras” de Tóquio e Manila e de explorar o episódio para difundir “falácias separatistas”. Lai declarara que a China não tem direito sobre as águas em disputa, enquanto Pequim intensificou a presença de navios militares e de investigação a leste da ilha, operações que a porta-voz descreveu como “totalmente justificadas e necessárias” para salvaguardar a soberania nacional.
O esforço de modernização militar de Taiwan, que inclui a meta de elevar a despesa com defesa a 5% do PIB até 2030, estende-se à revisão do treino de reservistas. O ministro Koo comprometeu-se a avaliar o aumento das horas de instrução em operação de drones, atualmente fixadas em duas horas para a generalidade dos convocados, e a garantir que militares especializados em sistemas avançados como os HIMARS regressem às unidades de origem para manter competências críticas. Observadores em Brasília e Lisboa notam que a escalada no Estreito, via marítima essencial para o comércio global, introduz riscos sistémicos para economias exportadoras de matérias-primas e para cadeias de abastecimento que ligam a Ásia à Europa e à África lusófona.
Os exercícios em curso antecedem as manobras anuais Han Kuang, previstas para agosto, e decorrem num contexto em que os cenários de planeamento de defesa da ilha incorporam cada vez mais a hipótese de um ataque surpresa chinês, em vez de uma escalada prolongada. O dossier permanece num impasse estratégico: Taipé acelera a prontidão e aprofunda a cooperação com Washington, Pequim mantém operações quase diárias em redor da ilha e recusa excluir a via militar, enquanto a diplomacia regional não apresenta canais ativos de descompressão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Taiwan intensifica com urgência a preparação para o combate à medida que a janela de aviso para um ataque chinês se estreita. Exercícios de cinco dias testam a capacidade da ilha de passar instantaneamente da paz para a guerra. As manobras refletem receios crescentes de que Pequim possa transformar rapidamente exercícios de rotina num verdadeiro assalto.
O mais avançado porta-aviões da China, o Fujian, realizou um trânsito de rotina pelo Estreito de Taiwan. A passagem ocorreu enquanto a ilha realizava exercícios de prontidão para o combate, que analistas chineses consideram uma encenação desnecessária. As operações do Exército Popular de Libertação são normais e não representam ameaça à estabilidade regional.
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