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Mídia e Entretenimentosexta-feira, 10 de julho de 2026

Soufflé queimado e confissões: o jantar que expõe as crises de dois casais em 'O Convite'

Com Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, o filme adapta peça espanhola e transforma um encontro de vizinhos em acerto de contas íntimo.

O soufflé queimou. Na cozinha de um apartamento em São Francisco, Angela (Olivia Wilde) precipita-se para deitar a forma no lixo, enquanto o marido, Joe (Seth Rogen), resmunga sobre o vinho caro que se viu obrigado a abrir. Os convidados, Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), o casal do andar de cima cujos gemidos noturnos há semanas lhes roubam o sono, acabam de chegar. A entrada de fiambre revela-se um equívoco — Pina é vegetariana — e o flan que a vizinha trouxe, carregado de açúcar, contradiz a sua alegada aversão aos doces. O jantar começa com os anfitriões em sobressalto e os visitantes a exibir uma desconcertante serenidade.

O que se segue, ao longo de 107 minutos, é a progressiva demolição da fachada conjugal de Angela e Joe. Ele, músico de um só êxito convertido em professor desencantado; ela, dona de casa a braços com uma reforma interminável. A peça espanhola “Sentimental”, de Cesc Gay, que já conhecera adaptações em várias línguas, ganha aqui uma versão em inglês realizada e protagonizada por Wilde. O dispositivo é o de uma comédia de câmara para adultos: quatro personagens, uma sala, e um arsenal de farpas que oscilam entre o passivo-agressivo e o confronto aberto. Na imprensa brasileira, o filme foi saudado como uma das comédias mais inteligentes do ano; críticos norte-americanos, porém, notam que a produção carece do fôlego de obras como “Carnage”, de Roman Polanski, e que o segmento final, ao derivar para um registo terapêutico, esmorece.

A longa-metragem inscreve-se num movimento mais amplo de resgate da comédia de costumes adulta, num momento em que Hollywood procura recuperar o terreno perdido para as cinematografias europeias, hábeis neste género. A epígrafe do filme — “É preciso estar sempre apaixonado. Por essa razão, nunca se deve casar” — é atribuída a Oscar Wilde, de quem a realizadora tomou emprestado o apelido artístico. A frase, sublinha o crítico russo Anton Dolin, soa hoje ligeiramente fora de prazo, mas serve de chave para a ironia que percorre a narrativa: o casal preso nos grilhões do matrimónio legal contrasta com a dupla descomprometida que, afinal, também carrega as suas cicatrizes.

Em entrevista à CNN Brasil, Edward Norton desvenda a camada “filosófica e espiritual” que a realizadora incentivou o elenco a explorar. Hawk e Pina não são apenas o casal sexy e resolvido que desconcerta os vizinhos; cada um deles atravessou perdas profundas — um divórcio doloroso, a viuvez precoce — e optou conscientemente por um amor leve e aberto. Essa dimensão, ainda que apenas sugerida em cena, confere humanidade às figuras que, de outro modo, poderiam resvalar para a caricatura. Nas salas brasileiras, onde a distribuição é da O2 Play, as primeiras sessões registaram plateias cheias, sinal de apetite por histórias que, sem abdicar do riso, convocam a reflexão sobre a vida a dois.

O momento em que a noite bascula fica suspenso no ar como o aroma do flan que ninguém chegou a provar. Depois de um início crispado, o vinho e um cigarro de marijuana distendem os ânimos, e são os anfitriões que se veem subitamente convidados — não a uma nova data na agenda, mas a encarar de frente os desejos e os impasses que mantinham trancados. A inversão é subtil, quase um sussurro, e deixa no espectador a imagem de uma mesa onde o que verdadeiramente se serviu foram as confissões que cada um evitava fazer a si mesmo.

Divergência — quem conta como
Eixo: Novità vs. Intrattenimento
10%Baixa
3 blocos · posições de −0.30 a +0.70
Scettico sulla novitàCelebrativo per intelligenza
ATLLATRUS
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50aligned
Imprensa latino-americana+0.70aligned
Imprensa russa e CEI−0.30critical
The direct stakeholders (director, actors) are not represented among the analyzed blocs.
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50
Voz

The film is a delicious comedy to be savoured; a must-watch for anyone who appreciates sharp humour.

Mecanismouniversalizzazione del gusto

By using superlatives and emphasizing the universal appeal of the comedy, the review makes the film seem like an essential experience.

Omissão

It omits any criticism of the film's predictability or lack of originality, which the Russian press highlights.

TriunfoIronia
Imprensa latino-americana+0.70
Voz

The film is one of the year's smartest comedies, blending laughter and tears; it offers a profound look at relationships.

Mecanismointellettualizzazione

By highlighting the film's intelligence and philosophical depth, the review elevates it beyond mere entertainment.

Omissão

It omits the fact that the film is an adaptation of a Spanish play and that the theme is not new, as noted by the Russian press.

TriunfoIronia
Imprensa russa e CEI−0.30
Voz

The film is just another tired story about a bored couple; the noisy neighbors are more interesting.

Mecanismobanalizzazione

By focusing on the cliché theme and using ironic language, the review diminishes the film's originality.

Omissão

It omits the positive reviews and emotional depth that other outlets celebrate.

CeticismoIronia

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Soufflé queimado e confissões: o jantar que expõe as crises de dois casais em 'O Convite'

Com Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, o filme adapta peça espanhola e transforma um encontro de vizinhos em acerto de contas íntimo.

O soufflé queimou. Na cozinha de um apartamento em São Francisco, Angela (Olivia Wilde) precipita-se para deitar a forma no lixo, enquanto o marido, Joe (Seth Rogen), resmunga sobre o vinho caro que se viu obrigado a abrir. Os convidados, Pina (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), o casal do andar de cima cujos gemidos noturnos há semanas lhes roubam o sono, acabam de chegar. A entrada de fiambre revela-se um equívoco — Pina é vegetariana — e o flan que a vizinha trouxe, carregado de açúcar, contradiz a sua alegada aversão aos doces. O jantar começa com os anfitriões em sobressalto e os visitantes a exibir uma desconcertante serenidade.

O que se segue, ao longo de 107 minutos, é a progressiva demolição da fachada conjugal de Angela e Joe. Ele, músico de um só êxito convertido em professor desencantado; ela, dona de casa a braços com uma reforma interminável. A peça espanhola “Sentimental”, de Cesc Gay, que já conhecera adaptações em várias línguas, ganha aqui uma versão em inglês realizada e protagonizada por Wilde. O dispositivo é o de uma comédia de câmara para adultos: quatro personagens, uma sala, e um arsenal de farpas que oscilam entre o passivo-agressivo e o confronto aberto. Na imprensa brasileira, o filme foi saudado como uma das comédias mais inteligentes do ano; críticos norte-americanos, porém, notam que a produção carece do fôlego de obras como “Carnage”, de Roman Polanski, e que o segmento final, ao derivar para um registo terapêutico, esmorece.

A longa-metragem inscreve-se num movimento mais amplo de resgate da comédia de costumes adulta, num momento em que Hollywood procura recuperar o terreno perdido para as cinematografias europeias, hábeis neste género. A epígrafe do filme — “É preciso estar sempre apaixonado. Por essa razão, nunca se deve casar” — é atribuída a Oscar Wilde, de quem a realizadora tomou emprestado o apelido artístico. A frase, sublinha o crítico russo Anton Dolin, soa hoje ligeiramente fora de prazo, mas serve de chave para a ironia que percorre a narrativa: o casal preso nos grilhões do matrimónio legal contrasta com a dupla descomprometida que, afinal, também carrega as suas cicatrizes.

Em entrevista à CNN Brasil, Edward Norton desvenda a camada “filosófica e espiritual” que a realizadora incentivou o elenco a explorar. Hawk e Pina não são apenas o casal sexy e resolvido que desconcerta os vizinhos; cada um deles atravessou perdas profundas — um divórcio doloroso, a viuvez precoce — e optou conscientemente por um amor leve e aberto. Essa dimensão, ainda que apenas sugerida em cena, confere humanidade às figuras que, de outro modo, poderiam resvalar para a caricatura. Nas salas brasileiras, onde a distribuição é da O2 Play, as primeiras sessões registaram plateias cheias, sinal de apetite por histórias que, sem abdicar do riso, convocam a reflexão sobre a vida a dois.

O momento em que a noite bascula fica suspenso no ar como o aroma do flan que ninguém chegou a provar. Depois de um início crispado, o vinho e um cigarro de marijuana distendem os ânimos, e são os anfitriões que se veem subitamente convidados — não a uma nova data na agenda, mas a encarar de frente os desejos e os impasses que mantinham trancados. A inversão é subtil, quase um sussurro, e deixa no espectador a imagem de uma mesa onde o que verdadeiramente se serviu foram as confissões que cada um evitava fazer a si mesmo.

Divergência — quem conta como
Eixo: Novità vs. Intrattenimento
10%Baixa
3 blocos · posições de −0.30 a +0.70
Scettico sulla novitàCelebrativo per intelligenza
ATLLATRUS
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50aligned
Imprensa latino-americana+0.70aligned
Imprensa russa e CEI−0.30critical
The direct stakeholders (director, actors) are not represented among the analyzed blocs.
Imprensa atlântica / anglosfera+0.50
Voz

The film is a delicious comedy to be savoured; a must-watch for anyone who appreciates sharp humour.

Mecanismouniversalizzazione del gusto

By using superlatives and emphasizing the universal appeal of the comedy, the review makes the film seem like an essential experience.

Omissão

It omits any criticism of the film's predictability or lack of originality, which the Russian press highlights.

TriunfoIronia
Imprensa latino-americana+0.70
Voz

The film is one of the year's smartest comedies, blending laughter and tears; it offers a profound look at relationships.

Mecanismointellettualizzazione

By highlighting the film's intelligence and philosophical depth, the review elevates it beyond mere entertainment.

Omissão

It omits the fact that the film is an adaptation of a Spanish play and that the theme is not new, as noted by the Russian press.

TriunfoIronia
Imprensa russa e CEI−0.30
Voz

The film is just another tired story about a bored couple; the noisy neighbors are more interesting.

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By focusing on the cliché theme and using ironic language, the review diminishes the film's originality.

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