
Síria rejeita intervenção militar no Líbano e propõe cooperação económica
Ahmed al-Sharaa descartou envio de tropas e sublinhou canais económicos, enquanto Washington mantém sanções e pressão para desarmar o grupo xiita.
O presidente interino da Síria, Ahmed al-Sharaa, negou publicamente qualquer intenção de intervir militarmente no Líbano, contrariando sugestões recentes do presidente dos EUA, Donald Trump. Em entrevista ao canal Al Mashhad, Sharaa afirmou que Damasco procura “canais económicos entre o Líbano e a Síria, não militares”. A declaração surge depois de Trump ter dito à Fox News estar “desapontado por Israel não conseguir derrotar o Hezbollah” e que estava “perto de entregar o assunto à Síria”.
Na perspetiva de Washington, a administração Trump avalia que a campanha israelita contra o Hezbollah tem sido demasiado destrutiva e prolongada, e via no novo governo sírio, hostil ao grupo xiita devido ao seu papel na guerra civil ao lado de Bashar al-Assad, um potencial aliado para desarmar a milícia. Fontes em Washington indicam que os EUA impuseram sanções a aliados do Hezbollah, como Suleiman Frangieh, e mantêm contactos com Damasco para explorar vias de pressão. Já Damasco, segundo Sharaa, apresentou aos EUA uma visão baseada na cessação da guerra e em soluções económicas, políticas e sociais, que incluem o restabelecimento de relações e “medidas de segurança que respondam às preocupações sírias, libanesas e israelitas”.
A recusa síria é lida em Beirute e noutras capitais regionais como um esforço para evitar repetir a experiência traumática da tutela síria sobre o Líbano, que durou de 1976 a 2005. O Hezbollah, que combateu ao lado do regime de Assad, é visto pelo novo poder em Damasco como cúmplice dos crimes do antigo regime. Contudo, Sharaa mostrou abertura ao diálogo com o grupo, afirmando que se sentaria à mesa “se isso servir os interesses do Líbano e salvaguardar os interesses da Síria”. No Brasil, que alberga uma das maiores comunidades de origem libanesa fora do Médio Oriente, a perspetiva de uma escalada militar é acompanhada com apreensão, enquanto Portugal e a África lusófona observam os desdobramentos sob o prisma da estabilidade mediterrânica e das rotas migratórias.
O dossiê libanês permanece em aberto. Apesar da pausa nos combates desde sábado e de um memorando de entendimento entre EUA e Irão que inclui o Líbano, Washington continua a utilizar instrumentos paralelos, como sanções e pressão sobre Damasco, para promover o desarmamento do Hezbollah. Sharaa sublinhou que qualquer papel sírio depende do acordo libanês, e que a prioridade é fortalecer as instituições do Estado libanês. As próximas etapas incluem a monitorização do cessar-fogo e a eventual retoma de conversações regionais sobre a delimitação de influências no país.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O pedido de Trump por uma intervenção militar síria contra o Hezbollah foi rejeitado por Ahmed al-Sharaa, aqui chamado propositalmente pelo antigo codinome 'Jolani' para lançar dúvidas sobre sua legitimidade. O líder sírio enfatizou os canais econômicos, mas a perspectiva iraniana permanece cética tanto em relação à ingerência americana quanto às reais intenções de Damasco.
Apesar da pressão americana, a Síria sinalizou que não intervirá no Líbano. O governo Trump, decepcionado com o progresso israelense contra o Hezbollah, explorou a possibilidade de envolvimento sírio, mas Damasco recusou, preferindo a cooperação econômica. Observadores israelenses recebem a notícia com pragmatismo cauteloso, atentos à complexidade da dinâmica regional.
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