Entrar
Edição das 06:00 CETsexta-feira, 19 de junho de 2026
311 veículos · 17 idiomas495 briefing hoje
Legislaçãoterça-feira, 16 de junho de 2026

Rússia aperta regras para marketplaces e Itália busca reduzir custos de pagamentos digitais

Enquanto Moscovo define responsabilidades por contrafação e multas por pressão sobre vendedores, Roma avança com acordo para baratear transações eletrónicas de baixo valor.

O ecossistema das plataformas digitais enfrenta uma nova vaga de regulação em diferentes latitudes. Na Rússia, o Tribunal Constitucional clarificou as condições em que os marketplaces podem ser responsabilizados pela venda de produtos contrafeitos nos seus domínios. A decisão surgiu na sequência de uma queixa do grupo editorial Hobby World, que detetou cópias ilegais do jogo de tabuleiro «Máfia. Toda a família reunida» à venda num grande marketplace. O tribunal determinou que as plataformas só ficam isentas de sanções se atuarem como meras intermediárias de informação e, simultaneamente, bloquearem de imediato os anúncios suspeitos assim que notificadas, mantendo o conteúdo suspenso até uma decisão judicial definitiva. A prestação de serviços acessórios, como processamento de pagamentos ou publicidade, não retira automaticamente esse estatuto de intermediário, mas exige uma diligência reforçada e célere na remoção de produtos ilícitos.

Paralelamente, o governo russo prepara um novo quadro sancionatório para coibir práticas abusivas das plataformas sobre os vendedores. O Ministério do Desenvolvimento Económico elaborou emendas que preveem multas até 500 mil rublos para infrações graves, como a restrição do acesso do comerciante ao seu painel de controlo ou a imposição de descontos sem consentimento explícito. As plataformas ficarão obrigadas a oferecer aos vendedores a possibilidade de vetar reduções de preços que onerem a sua margem. Esta iniciativa complementa a orientação do Tribunal Constitucional, desenhando um ambiente regulatório mais exigente para os marketplaces, que passam a ter de equilibrar a defesa da propriedade intelectual com a proteção dos direitos dos pequenos empreendedores que dependem das suas infraestruturas.

Enquanto Moscovo reforça o controlo sobre as plataformas, Roma procura estimular a economia digital por outra via. As associações bancárias e os operadores de pagamentos eletrónicos italianos chegaram a um acordo para reduzir as comissões cobradas aos comerciantes nas transações de baixo valor, em especial abaixo dos 10 euros. A medida visa vencer a resistência de muitos estabelecimentos, que frequentemente recusam pagamentos digitais em montantes reduzidos devido ao peso das taxas. Ao tornar essas operações «significativamente competitivas», o acordo pretende acelerar a digitalização dos pequenos negócios e normalizar o uso de cartões e carteiras eletrónicas em todo o território italiano.

Na perspetiva de Brasília, estas movimentações ecoam debates há muito presentes no ordenamento jurídico brasileiro. O Marco Civil da Internet já estabelece um regime de responsabilidade para intermediários, mas a discussão sobre a responsabilização objetiva de marketplaces por produtos de terceiros permanece acesa, sobretudo em projetos como o PL 2630. Observadores em Lisboa notam que, embora a legislação portuguesa acompanhe as diretivas europeias sobre comércio eletrónico, a pressão por maior transparência nas taxas e por mecanismos ágeis de resolução de litígios é crescente entre as associações de consumidores. Nos mercados lusófonos africanos, onde o comércio digital dá passos acelerados mas a regulação ainda é incipiente, as experiências russa e italiana oferecem modelos contrastantes: um de intervenção estatal firme, outro de autorregulação negociada.

A convergência destes movimentos sugere que 2025 será um ano de inflexão na governação das plataformas. A tensão entre inovação, proteção do consumidor e equidade nas relações comerciais obriga legisladores e tribunais a calibrar intervenções cada vez mais granulares. Se a Rússia aposta em sanções e bloqueios preventivos, a Itália testa o caminho do incentivo económico. Para os países de língua portuguesa, o desafio será encontrar um ponto de equilíbrio que preserve a atratividade dos ecossistemas digitais sem sacrificar a segurança jurídica de quem neles opera.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 1 idiomas

0%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa russa e CSIStampa europea continentale
Stampa russa e CSI/ stato
pragmatismodistacco

O Tribunal Constitucional russo esclareceu que os marketplaces devem bloquear temporariamente anúncios de produtos suspeitos de contrafação, não se limitando a encaminhar reclamações aos vendedores. A decisão fortalece a proteção da propriedade intelectual e impõe padrões mais rigorosos aos operadores de comércio eletrônico.

Stampa europea continentale/ mediterranea
pragmatismourgenza

A Itália procura um acordo entre bancos e comerciantes para reduzir as taxas sobre pequenos pagamentos eletrónicos, especialmente abaixo de 10 euros. A iniciativa visa incentivar os pagamentos digitais e cortar custos para as empresas, com um apelo a ofertas dedicadas.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Fraudes com molho de soja, cigarros ilegais e certificados falsos: operações revelam crime organizado global·Petróleo desaba com trégua entre EUA e Irão e reabertura do Estreito de Ormuz·Mãe do guarda-redes de Cabo Verde consegue visto para o Mundial 2026 após apelo viral·Trump qualifica acordo com Irão como 'rendição incondicional', mas termos geram controvérsia·Cúpula EUA-Irã na Suíça cancelada, mas memorando de paz já foi assinado·Colômbia: guerrilheiros depõem armas em Putumayo às vésperas de eleição presidencial·EUA sancionam aliados do Hezbollah e expandem cerco a rede financeira do grupo·MSCI mantém Indonésia como mercado emergente mas reduz nota de transparência·Fraudes com molho de soja, cigarros ilegais e certificados falsos: operações revelam crime organizado global·Petróleo desaba com trégua entre EUA e Irão e reabertura do Estreito de Ormuz·Mãe do guarda-redes de Cabo Verde consegue visto para o Mundial 2026 após apelo viral·Trump qualifica acordo com Irão como 'rendição incondicional', mas termos geram controvérsia·Cúpula EUA-Irã na Suíça cancelada, mas memorando de paz já foi assinado·Colômbia: guerrilheiros depõem armas em Putumayo às vésperas de eleição presidencial·EUA sancionam aliados do Hezbollah e expandem cerco a rede financeira do grupo·MSCI mantém Indonésia como mercado emergente mas reduz nota de transparência·
Atualizado 19:561 idioma · 4 veículos
4 veículos|1 idioma|3 min de leitura
terça-feira, 16 de junho de 2026

Rússia aperta regras para marketplaces e Itália busca reduzir custos de pagamentos digitais

Enquanto Moscovo define responsabilidades por contrafação e multas por pressão sobre vendedores, Roma avança com acordo para baratear transações eletrónicas de baixo valor.

O ecossistema das plataformas digitais enfrenta uma nova vaga de regulação em diferentes latitudes. Na Rússia, o Tribunal Constitucional clarificou as condições em que os marketplaces podem ser responsabilizados pela venda de produtos contrafeitos nos seus domínios. A decisão surgiu na sequência de uma queixa do grupo editorial Hobby World, que detetou cópias ilegais do jogo de tabuleiro «Máfia. Toda a família reunida» à venda num grande marketplace. O tribunal determinou que as plataformas só ficam isentas de sanções se atuarem como meras intermediárias de informação e, simultaneamente, bloquearem de imediato os anúncios suspeitos assim que notificadas, mantendo o conteúdo suspenso até uma decisão judicial definitiva. A prestação de serviços acessórios, como processamento de pagamentos ou publicidade, não retira automaticamente esse estatuto de intermediário, mas exige uma diligência reforçada e célere na remoção de produtos ilícitos.

Paralelamente, o governo russo prepara um novo quadro sancionatório para coibir práticas abusivas das plataformas sobre os vendedores. O Ministério do Desenvolvimento Económico elaborou emendas que preveem multas até 500 mil rublos para infrações graves, como a restrição do acesso do comerciante ao seu painel de controlo ou a imposição de descontos sem consentimento explícito. As plataformas ficarão obrigadas a oferecer aos vendedores a possibilidade de vetar reduções de preços que onerem a sua margem. Esta iniciativa complementa a orientação do Tribunal Constitucional, desenhando um ambiente regulatório mais exigente para os marketplaces, que passam a ter de equilibrar a defesa da propriedade intelectual com a proteção dos direitos dos pequenos empreendedores que dependem das suas infraestruturas.

Enquanto Moscovo reforça o controlo sobre as plataformas, Roma procura estimular a economia digital por outra via. As associações bancárias e os operadores de pagamentos eletrónicos italianos chegaram a um acordo para reduzir as comissões cobradas aos comerciantes nas transações de baixo valor, em especial abaixo dos 10 euros. A medida visa vencer a resistência de muitos estabelecimentos, que frequentemente recusam pagamentos digitais em montantes reduzidos devido ao peso das taxas. Ao tornar essas operações «significativamente competitivas», o acordo pretende acelerar a digitalização dos pequenos negócios e normalizar o uso de cartões e carteiras eletrónicas em todo o território italiano.

Na perspetiva de Brasília, estas movimentações ecoam debates há muito presentes no ordenamento jurídico brasileiro. O Marco Civil da Internet já estabelece um regime de responsabilidade para intermediários, mas a discussão sobre a responsabilização objetiva de marketplaces por produtos de terceiros permanece acesa, sobretudo em projetos como o PL 2630. Observadores em Lisboa notam que, embora a legislação portuguesa acompanhe as diretivas europeias sobre comércio eletrónico, a pressão por maior transparência nas taxas e por mecanismos ágeis de resolução de litígios é crescente entre as associações de consumidores. Nos mercados lusófonos africanos, onde o comércio digital dá passos acelerados mas a regulação ainda é incipiente, as experiências russa e italiana oferecem modelos contrastantes: um de intervenção estatal firme, outro de autorregulação negociada.

A convergência destes movimentos sugere que 2025 será um ano de inflexão na governação das plataformas. A tensão entre inovação, proteção do consumidor e equidade nas relações comerciais obriga legisladores e tribunais a calibrar intervenções cada vez mais granulares. Se a Rússia aposta em sanções e bloqueios preventivos, a Itália testa o caminho do incentivo económico. Para os países de língua portuguesa, o desafio será encontrar um ponto de equilíbrio que preserve a atratividade dos ecossistemas digitais sem sacrificar a segurança jurídica de quem neles opera.

Divergência das fontes

Legislação · 4 veículos · 1 idioma

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável100%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 1 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Stampa russa e CSIStampa europea continentale
Stampa russa e CSI/ stato
pragmatismodistacco

O Tribunal Constitucional russo esclareceu que os marketplaces devem bloquear temporariamente anúncios de produtos suspeitos de contrafação, não se limitando a encaminhar reclamações aos vendedores. A decisão fortalece a proteção da propriedade intelectual e impõe padrões mais rigorosos aos operadores de comércio eletrônico.

Stampa europea continentale/ mediterranea
pragmatismourgenza

A Itália procura um acordo entre bancos e comerciantes para reduzir as taxas sobre pequenos pagamentos eletrónicos, especialmente abaixo de 10 euros. A iniciativa visa incentivar os pagamentos digitais e cortar custos para as empresas, com um apelo a ofertas dedicadas.

Esta notícia apareceu em

4 veículos · 1 idioma

Artigos relacionados

Esporte

Canadá goleia Qatar em noite histórica manchada por fratura brutal de Koné

13 idiomas · 64 veículos

Esporte

México vence Coreia do Sul e torna-se primeira seleção apurada para os 16-avos do Mundial 2026

8 idiomas · 37 veículos

Política

Vance repreende Israel e avisa que Trump é o único aliado que resta

9 idiomas · 28 veículos

Ler mais