
Riad prepara cimeira entre Irão e vizinhos do Golfo para gestão do Estreito de Ormuz
Encontro, separado das negociações com os EUA, visa reconciliação regional e segurança marítima, revelam fontes diplomáticas.
A Arábia Saudita prepara-se para acolher conversações regionais entre o Irão, os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e o Iraque, com o objetivo de discutir a gestão futura do Estreito de Ormuz e promover a reconciliação após o conflito no Médio Oriente, segundo fontes diplomáticas citadas pelas agências Reuters e AFP. As negociações, ainda sem data definida, decorrerão em Riade e serão independentes das conversações em curso entre Teerão e Washington sobre o programa nuclear iraniano, bem como das operações de desminagem na via marítima.
O primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, deslocou-se a Mascate para coordenar com Omã os preparativos de um diálogo paralelo centrado exclusivamente na operacionalização do Estreito de Ormuz, envolvendo o Irão, Omã e outros Estados ribeirinhos. Omã, que historicamente atua como mediador entre o Irão e as potências ocidentais, reforça o seu papel de facilitador, tendo o sultão Haitham bin Tariq sublinhado a necessidade de integrar esforços diplomáticos para garantir a segurança regional. A visita ocorreu dias depois de o negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, terem estado em Mascate, na sequência da primeira ronda de conversações entre o Irão e os EUA na Suíça e da assinatura de um memorando de entendimento a 18 de junho.
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo, é um ponto nevrálgico para a economia global. Observadores em Brasília e Lisboa notam que a estabilidade da região é crucial para evitar choques nos preços da energia, com impacto direto em países lusófonos dependentes de importações. A iniciativa de Riade, ao separar a governação do estreito das tensões bilaterais com os EUA, sinaliza, na perspetiva de analistas do Golfo, uma tentativa de construir uma arquitetura de segurança regional autónoma, capaz de reduzir o risco de escalada militar. A inclusão do Iraque, que partilha interesses na via marítima, amplia o escopo para além do eixo tradicional do CCG.
As conversações surgem num momento de reconfiguração diplomática no Médio Oriente, marcado pelo restabelecimento de relações entre Riade e Teerão em 2023, com mediação chinesa, e pelos esforços de Doha e Mascate para manter canais abertos. Apesar do ceticismo de alguns setores em Washington quanto à viabilidade de um entendimento regional sem um acordo nuclear abrangente, fontes diplomáticas em Bruxelas avaliam que o formato proposto pode criar condições para uma desescalada faseada. O próximo passo concreto será a confirmação da data da cimeira de Riade, enquanto prosseguem os trabalhos preparatórios em Omã.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Estão a ser planeadas conversações regionais de reconciliação entre o Irão e os Estados árabes do Golfo em Riade, centradas na futura gestão do Estreito de Ormuz. O encontro, totalmente separado das negociações Irão-EUA e das operações de desminagem, visa criar um quadro de cooperação entre os países costeiros.
Irão e os Estados do Golfo vão reunir-se em Riade numa primeira tentativa de reconciliação após a grande guerra no Médio Oriente. As conversações, separadas das negociações de paz Irão-EUA, incidirão sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, com o primeiro-ministro do Qatar a preparar o terreno em Omã.
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