
Reserva estratégica de petróleo dos EUA cai ao nível mais baixo desde 1983
A libertação de 8,9 milhões de barris na última semana reduziu a reserva de emergência dos EUA a 340,3 milhões, abaixo do mínimo registado após a invasão russa da Ucrânia.
A reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos caiu para 340,3 milhões de barris, o nível mais baixo desde julho de 1983, após a libertação de mais 8,9 milhões de barris na última semana. O novo piso supera o mínimo histórico anterior, registado em julho de 2023, quando a administração de Joe Biden recorreu ao stock de emergência para conter os efeitos da invasão russa da Ucrânia. A decisão insere-se na estratégia do presidente Donald Trump para mitigar o impacto da guerra no Médio Oriente, que envolve diretamente os Estados Unidos e Israel contra o Irão, e que pressiona os preços globais da energia.
O recurso intensivo à reserva estratégica (SPR, na sigla em inglês) acelerou desde o início do conflito, em finais de fevereiro. Em cerca de quatro meses, o volume armazenado encolheu em 75 milhões de barris, uma redução de 18%, deixando o stock abaixo de metade da sua capacidade total. Criada na década de 1970 após o embargo petrolífero árabe, a SPR só começou a ser preenchida em 1983, sob a presidência de Ronald Reagan, quando a economia americana era significativamente menor. Agora, a reserva funciona como um amortecedor de curto prazo para estabilizar os mercados e proteger os consumidores, mas o seu esvaziamento contínuo levanta questões sobre a margem de manobra futura.
A situação é acompanhada com atenção noutras regiões do mundo lusófono. Em Brasília, analistas do setor energético sublinham que, embora o Brasil seja um exportador líquido de petróleo, a volatilidade dos preços internacionais afeta diretamente a política de preços da Petrobras e o custo dos combustíveis para o consumidor brasileiro. Em Lisboa, a preocupação centra-se na exposição europeia a choques de oferta, num continente que ainda digere as sequelas da crise energética provocada pela guerra na Ucrânia. Já nos países africanos de língua portuguesa produtores de crude, como Angola, a drenagem da reserva americana pode, a curto prazo, sustentar cotações elevadas, beneficiando as receitas fiscais, mas também acentua a incerteza quanto à duração do ciclo de preços altos e à transição energética global.
Olhando para o futuro, a reduzida almofada estratégica deixa os Estados Unidos mais vulneráveis a disrupções adicionais, seja uma escalada do conflito com o Irão, seja uma temporada de furacões severa no Golfo do México. A administração Trump enfrenta o dilema de continuar a usar a SPR para conter a inflação ou preservar o que resta para uma emergência mais grave. A experiência de 2023, quando a administração Biden também esvaziou a reserva a mínimos históricos e depois iniciou recompras modestas, sugere que a reconstituição do stock será lenta e dependente de condições de mercado favoráveis. Num mundo cada vez mais fragmentado por tensões geopolíticas, a resiliência energética torna-se um tema central também para as economias lusófonas, que dependem da estabilidade dos fluxos globais de petróleo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A reserva estratégica de petróleo dos EUA caiu para 340,3 milhões de barris, o nível mais baixo desde 1983, quando o governo Reagan a enchia. As retiradas em andamento visam gerenciar as interrupções no fornecimento.
A reserva estratégica americana despencou para o menor nível em quatro décadas, com o governo Trump continuando a usá-la para amortecer a guerra com o Irã e conter os preços da energia. Desde o início do conflito no final de fevereiro, o estoque encolheu 75 milhões de barris, caindo para menos da metade da capacidade total e superando o mínimo anterior registrado após a invasão russa da Ucrânia.
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