
Reguladores e tribunais redefinem responsabilidade em casos de condução sob efeito de drogas e automação
Da recusa de testes toxicológicos nos EUA à revisão de leis na Austrália e ao escrutínio de sistemas de condução autónoma, diferentes jurisdições apertam o cerco a comportamentos de risco ao volante.
A decisão de um juiz da Florida de permitir que procuradores acedam aos registos hospitalares de Tiger Woods, detido em março por suspeita de condução sob influência de substâncias, ilustra a complexidade probatória que marca os processos por impaired driving. Woods aceitou o teste de alcoolemia — que não detetou álcool — mas recusou o exame de urina, uma escolha que, segundo a legislação de consentimento implícito em vigor na maioria dos estados norte-americanos, desencadeia a suspensão automática da licença de conduzir. Na perspetiva das autoridades da Florida, o acesso aos registos médicos e de prescrição de analgésicos visa esclarecer se o golfista estava sob o efeito de medicamentos que pudessem comprometer a capacidade de condução, num caso em que o relatório policial descreve sinais de incapacidade e a posse de dois comprimidos para as dores.
A recusa de testes constitui um eixo central da política de tolerância zero em várias geografias. Nos Estados Unidos, a lei de consentimento implícito determina que qualquer condutor, ao circular nas vias públicas, aceita antecipadamente submeter-se a um teste de alcoolemia; a recusa acarreta a suspensão da carta por até doze meses, mesmo numa primeira ocorrência, e pode ser usada como indício de culpa em tribunal. O Wyoming é o único estado que não prevê essa sanção. O Supremo Tribunal norte-americano decidiu, em 2016, que os estados não podem criminalizar a recusa de um teste de sangue sem mandado judicial, embora o possam fazer para o teste de ar expirado. Observadores em Brasília notam que o Brasil adota uma abordagem distinta: a recusa é uma infração administrativa autónoma, com multa e suspensão da CNH, mas não gera presunção de embriaguez, exigindo outros meios de prova para a condenação criminal.
Na Austrália, o governo de Queensland anunciou dois projetos de lei para colmatar uma lacuna jurídica que permitiu a absolvição da acusação de condução sob efeito de drogas a uma condutora que provocou a morte de uma mulher e ferimentos graves num jovem, apesar de apresentar níveis elevados de metanfetamina no organismo. A nova legislação, segundo a procuradora-geral do estado, fará com que a presença de metanfetamina no sangue de condutores acusados de condução perigosa seja considerada um fator agravante, sem necessidade de provar que a substância afetou efetivamente a capacidade de condução. A medida reflete uma tendência, também visível em Portugal e em Espanha, de reforço dos controlos médicos para condutores idosos: a Direção-Geral de Tráfego espanhola não fixa uma idade-limite para a renovação da carta, mas exige exames psicofísicos mais frequentes a partir dos 65 anos, com especial atenção a doenças crónicas, neurológicas e cardíacas que possam representar um risco para a segurança rodoviária.
O caso do acidente fatal com um Tesla no Texas, em junho, introduz uma nova camada de complexidade. O relatório da investigação indica que o condutor pressionou o acelerador a 100% durante seis segundos, atingindo 118 km/h numa zona residencial, depois de ter anulado o sistema de condução semiautónoma Full Self-Driving. A fabricante, através do seu diretor de IA, afirmou que o condutor “anulou manualmente a condução autónoma”, enquanto a Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA abriu um inquérito. Para analistas europeus, o episódio sublinha a dificuldade de atribuir responsabilidade quando a tecnologia está presente mas é desligada pelo utilizador, um debate que ecoa em Lisboa e em São Paulo à medida que os veículos com assistência à condução ganham espaço nas estradas. Os projetos de lei em Queensland deverão ser apresentados ao parlamento nas próximas semanas, enquanto o processo de Woods segue na justiça da Florida e o inquérito do NHTSA ao acidente do Texas permanece em curso.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
No position is expressed.
The absence of coverage indicates the story is not deemed relevant for the target audience.
No omissions can be identified as there is no coverage.
No position is expressed.
The absence of coverage indicates the story is not deemed relevant for the target audience.
No omissions can be identified as there is no coverage.
No position is expressed.
The absence of coverage indicates the story is not deemed relevant for the target audience.
No omissions can be identified as there is no coverage.
Amplie o olhar
Funeral de Khamenei mobiliza milhões em Teerã sob apelos de vingança e ausência do sucessor
9 idiomas · 33 veículos
De Economy & MarketsOPEP+ eleva produção em 188 mil barris/dia em agosto com reabertura de Ormuz
7 idiomas · 18 veículos
De TechnologyÍndia trava maior atualização do WhatsApp e exige explicações sobre nomes de utilizador
3 idiomas · 5 veículos