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Defesa e Segurançaquarta-feira, 24 de junho de 2026

Refinaria de Moscou ficará fora de operação até ao final do ano após ataques ucranianos

Danos extensos forçam paragem de pelo menos seis meses, agravando crise de combustíveis na Rússia e levando governo a ponderar proibição total de exportação de diesel.

A principal refinaria de petróleo da região de Moscovo, operada pela Gazprom Neft, deverá permanecer inoperacional durante pelo menos seis meses, na sequência de dois ataques consecutivos de drones ucranianos a 16 e 18 de junho. Fontes da indústria citadas pela Reuters indicam que os danos nas unidades de destilação e na unidade combinada Euro+ são de tal modo extensos que a retoma da produção antes do final de 2025 é improvável. A instalação, que em 2024 processou 11,6 milhões de toneladas de crude e produziu 2,9 milhões de toneladas de gasolina e 3,2 milhões de diesel, era responsável por cerca de 40% do abastecimento da capital russa.

A ofensiva contra a infraestrutura energética russa é apresentada por Kiev como um instrumento para reduzir as receitas que financiam o esforço de guerra de Moscovo e para limitar a capacidade logística das forças invasoras. Do lado russo, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak qualificou a situação no mercado doméstico de combustíveis como “difícil, mas sob controlo”, admitindo que o executivo pondera uma proibição total das exportações de diesel, a juntar às restrições já em vigor para gasolina e jet fuel. O presidente Vladimir Putin, em videoconferência com Novak, preferiu centrar o discurso nos alegados avanços territoriais das tropas russas, afirmação que observadores independentes e fontes ucranianas contestam, sublinhando que as forças de Kiev recuperaram recentemente mais terreno do que os invasores ocuparam.

A paragem prolongada da refinaria agrava uma crise de abastecimento que já se manifesta em mais de vinte regiões russas, com limites à venda de combustíveis, subida de preços — a gasolina acumula uma alta de 6,6% desde o início do ano — e a suspensão total da venda ao público na península da Crimeia ocupada. A produção nacional de gasolina caiu 25% na semana de 15 a 21 de junho face ao período homólogo, segundo a Reuters. Para mitigar a escassez, o governo russo estuda importações marítimas de combustível da Ásia e prepara legislação fiscal que criará subsídios específicos para a compra de gasolina à Índia, medida que a Duma poderá votar ainda esta semana. Paralelamente, o presidente da Rosneft, Igor Sechin, enviou uma carta a Putin em maio propondo a alteração temporária das regras de distribuição de crude e de venda de combustíveis nas bolsas públicas, com o objetivo de conter o açambarcamento por intermediários.

Na perspetiva de Brasília e de outras capitais lusófonas, a redução forçada da capacidade de refinação russa introduz um fator adicional de pressão sobre os mercados globais de diesel, com potenciais repercussões nos custos de importação para o Brasil e para países africanos como Angola e Moçambique, dependentes de derivados para os setores de transportes e agricultura. A escalada recíproca de ataques a infraestruturas energéticas — a Rússia continua a bombardear alvos elétricos e de defesa em cidades ucranianas — mantém o dossiê da segurança energética no centro da agenda diplomática, num momento em que os líderes do G7 procuram convencer Washington a não ceder a propostas de paz consideradas por europeus como excessivamente favoráveis a Moscovo. A decisão sobre a proibição total de exportação de diesel deverá ser anunciada nas próximas semanas, enquanto a Duma acelera a tramitação dos incentivos à importação de combustível.

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Refinaria de Moscou ficará fora de operação até ao final do ano após ataques ucranianos

Danos extensos forçam paragem de pelo menos seis meses, agravando crise de combustíveis na Rússia e levando governo a ponderar proibição total de exportação de diesel.

A principal refinaria de petróleo da região de Moscovo, operada pela Gazprom Neft, deverá permanecer inoperacional durante pelo menos seis meses, na sequência de dois ataques consecutivos de drones ucranianos a 16 e 18 de junho. Fontes da indústria citadas pela Reuters indicam que os danos nas unidades de destilação e na unidade combinada Euro+ são de tal modo extensos que a retoma da produção antes do final de 2025 é improvável. A instalação, que em 2024 processou 11,6 milhões de toneladas de crude e produziu 2,9 milhões de toneladas de gasolina e 3,2 milhões de diesel, era responsável por cerca de 40% do abastecimento da capital russa.

A ofensiva contra a infraestrutura energética russa é apresentada por Kiev como um instrumento para reduzir as receitas que financiam o esforço de guerra de Moscovo e para limitar a capacidade logística das forças invasoras. Do lado russo, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak qualificou a situação no mercado doméstico de combustíveis como “difícil, mas sob controlo”, admitindo que o executivo pondera uma proibição total das exportações de diesel, a juntar às restrições já em vigor para gasolina e jet fuel. O presidente Vladimir Putin, em videoconferência com Novak, preferiu centrar o discurso nos alegados avanços territoriais das tropas russas, afirmação que observadores independentes e fontes ucranianas contestam, sublinhando que as forças de Kiev recuperaram recentemente mais terreno do que os invasores ocuparam.

A paragem prolongada da refinaria agrava uma crise de abastecimento que já se manifesta em mais de vinte regiões russas, com limites à venda de combustíveis, subida de preços — a gasolina acumula uma alta de 6,6% desde o início do ano — e a suspensão total da venda ao público na península da Crimeia ocupada. A produção nacional de gasolina caiu 25% na semana de 15 a 21 de junho face ao período homólogo, segundo a Reuters. Para mitigar a escassez, o governo russo estuda importações marítimas de combustível da Ásia e prepara legislação fiscal que criará subsídios específicos para a compra de gasolina à Índia, medida que a Duma poderá votar ainda esta semana. Paralelamente, o presidente da Rosneft, Igor Sechin, enviou uma carta a Putin em maio propondo a alteração temporária das regras de distribuição de crude e de venda de combustíveis nas bolsas públicas, com o objetivo de conter o açambarcamento por intermediários.

Na perspetiva de Brasília e de outras capitais lusófonas, a redução forçada da capacidade de refinação russa introduz um fator adicional de pressão sobre os mercados globais de diesel, com potenciais repercussões nos custos de importação para o Brasil e para países africanos como Angola e Moçambique, dependentes de derivados para os setores de transportes e agricultura. A escalada recíproca de ataques a infraestruturas energéticas — a Rússia continua a bombardear alvos elétricos e de defesa em cidades ucranianas — mantém o dossiê da segurança energética no centro da agenda diplomática, num momento em que os líderes do G7 procuram convencer Washington a não ceder a propostas de paz consideradas por europeus como excessivamente favoráveis a Moscovo. A decisão sobre a proibição total de exportação de diesel deverá ser anunciada nas próximas semanas, enquanto a Duma acelera a tramitação dos incentivos à importação de combustível.

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