
Rara cópia da Declaração de Independência dos EUA é descoberta em arquivo britânico
Voluntário encontrou, entre papéis de um navio capturado em 1776, um dos onze exemplares conhecidos da impressão de Exeter, o único fora dos Estados Unidos.
Ao desdobrar um papel descrito apenas como “outro documento” nos depósitos do Arquivo Nacional britânico, em Kew, o voluntário Michael Scurr sentiu um sobressalto. Na folha amarelada, a palavra “Declaration” surgia impressa no topo. “Pensei: ah, certo, isto é definitivamente uma Declaração de Independência”, recordou mais tarde. O achado, ocorrido numa manhã de maio de 2024, revelou um dos mais raros testemunhos materiais da fundação dos Estados Unidos — uma cópia da declaração impressa em Exeter, New Hampshire, entre 16 e 19 de julho de 1776, poucos dias após a assinatura do original na Filadélfia.
O documento viajou a bordo do Dalton, um navio corsário de 18 canhões que operava sob a autoridade do recém-formado Congresso Continental. As ordens do capitão traziam a assinatura de John Hancock, presidente do congresso. Na véspera de Natal de 1776, após sete horas de perseguição ao largo da costa de Portugal, o HMS Raisonnable, da Marinha Real britânica, capturou a embarcação. Os 120 tripulantes foram enviados para Plymouth, onde enfrentaram fome, doenças e castigos, como descreveu nos seus diários o jovem Charles Hebert, então com 19 anos. Os papéis de bordo, incluindo a declaração, foram arquivados sem distinção pelo capitão Thomas Fitzherbert e permaneceram esquecidos durante quase 250 anos.
Para os responsáveis do arquivo britânico, a descoberta ilumina o modo como o texto fundador era usado em contexto de guerra. Amanda Bevan, coordenadora do projeto de catalogação da correspondência de capitães da Royal Navy, acredita que o comandante do Dalton lesse a declaração em voz alta à tripulação, transformando o documento num instrumento de mobilização. “Eles sabiam por que lutavam, mas isto colocava a luta numa linguagem que a tornava maior do que eles”, afirmou. A historiadora sublinha que, ao contrário do exército continental, cujas privações em Valley Forge são amplamente conhecidas, os marinheiros que enfrentaram a poderosa frota britânica no Atlântico receberam pouca atenção.
O exemplar pertence à chamada “impressão de Exeter”, da qual se conhecem apenas onze cópias. É a primeira localizada fora dos Estados Unidos e a única capturada em ação militar. Para historiadores americanos, como Matthew Skic, diretor de coleções do Museu da Revolução Americana em Filadélfia, o papel estabelece “uma ligação tangível com o passado”, diretamente associada ao capitão que difundia a notícia da independência. Em Lisboa, observadores notam a ironia de o documento ter sido intercetado em águas que, na época, integravam o espaço de influência de outro império marítimo — o português —, num momento em que as ideias revolucionárias começavam a circular também no mundo lusófono.
Após um delicado processo de conservação que estabilizou o papel e reparou um pequeno rasgão, a cópia será exibida ao público na exposição “Revolution 250: America’s Independence Story, 1763-1783”, inaugurada no Arquivo Nacional em Kew. O documento que um capitão britânico arquivou como mero anexo burocrático regressa agora à luz como testemunho frágil de um ideal que atravessou oceanos e séculos, escondido à vista de todos.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
We did not consider the story relevant for our audience.
The absence of coverage is made plausible by editorial selection that prioritizes stories with immediate impact or political controversy.
No mention of the discovery, which has historical and symbolic value.
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