
Pentágono exigirá exames de testosterona para militares acima de 30 anos
Secretário da Defesa Pete Hegseth anunciou rastreio anual obrigatório com terapia de reposição voluntária, alinhando o Pentágono à flexibilização do acesso a hormonas promovida pelo governo Trump.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou na quarta-feira que todos os militares norte-americanos com 30 anos ou mais passarão a ser submetidos anualmente a exames de rastreio de deficiência de testosterona. A medida, que entra em vigor de imediato, integra as avaliações médicas periódicas obrigatórias e prevê a oferta voluntária de terapia de reposição hormonal para aqueles com níveis considerados baixos. Militares com menos de 30 anos poderão realizar o teste de forma opcional. Hegseth, num vídeo divulgado na rede social X sob o título “The High-T Department of War”, afirmou que a iniciativa visa “restaurar e otimizar as capacidades naturais” dos combatentes, sem constituir um “aprimoramento artificial”.
A decisão insere-se num movimento mais amplo da administração Trump para reduzir as restrições à prescrição de testosterona. No mês passado, a agência reguladora de alimentos e medicamentos (FDA) propôs flexibilizar os limites de prescrição de géis, adesivos e injeções hormonais, atualmente reservados a homens com hipogonadismo diagnosticado. O secretário da Saúde, Robert F. Kennedy Jr., tem promovido publicamente o uso de testosterona como parte do movimento “Make America Healthy Again”. Na perspetiva de analistas em Washington, a nova política do Pentágono ecoa essa agenda, mas também reacendeu críticas de legisladores democratas. A senadora Tammy Duckworth, veterana da guerra do Iraque, e a congressista Summer Lee classificaram a medida como “cuidados de afirmação de género”, apontando a contradição com a proibição de militares transgénero imposta por Hegseth. A congressista Chrissy Houlahan, também veterana, afirmou que a iniciativa “prova que o secretário Hegseth segue orientações dos cantos mais remotos da ‘manosfera’”.
Do ponto de vista médico, a testosterona diminui naturalmente com a idade e a sua deficiência está associada a fadiga, perda de massa muscular, disfunção erétil e alterações de humor. Estudos recentes dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) indicaram benefícios da reposição hormonal na função sexual e na densidade óssea, mas também efeitos adversos como risco cardiovascular, acne, retenção de líquidos e supressão da fertilidade. A Associação Urológica Americana estima que a prevalência de testosterona baixa varie entre 2% e 50% conforme o critério diagnóstico. O Pentágono não esclareceu se o rastreio se aplicará a mulheres — cujos níveis de testosterona também declinam com a idade — nem divulgou estudos que fundamentem a obrigatoriedade do exame. A medida surge após anos de escrutínio sobre o uso de testosterona e substâncias anabolizantes em forças especiais, como os Navy SEALs, onde a morte de um recruta em 2022 expôs um consumo muito superior ao reconhecido oficialmente.
Na imprensa europeia e latino-americana, a decisão foi interpretada como mais um capítulo da reorientação virilista das Forças Armadas sob Hegseth. O secretário já havia imposto padrões físicos “neutros em termos de sexo, mas calibrados pelo mais alto padrão masculino”, proibido barbas e declarado o fim da era dos “soldados gordos”. Em setembro de 2025, convocou a cúpula militar a Quantico para repreender generais e almirantes com excesso de peso. O Pentágono, que voltou a ser designado “Departamento de Guerra”, limitou-se a remeter para o vídeo de Hegseth quando questionado sobre a base científica da nova política e sobre a eventual extensão de terapias estrogénicas a militares na perimenopausa. O programa de rastreio já está em vigor, mas a ausência de diretrizes detalhadas mantém em aberto o debate sobre a sua aplicação prática e o seu alcance entre os diferentes corpos das Forças Armadas.
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
Trump's Pentagon imposes a testing program that medicalizes soldiers' aging, reducing them to war machines.
Uses the anachronistic term 'Secretary of War' to evoke a warlike image and discredit the policy.
Omits the scientific explanation of natural testosterone decline and the preventive health context.
The Trump administration pushes a hyper-masculine agenda that pathologizes normal aging, under the guise of 'optimal performance'.
Labels the policy as 'controversial' and links it to Hegseth's personal vision, delegitimizing it as ideological rather than medical.
Omits Hegseth's quote about 'restoring natural capabilities', which could have balanced the narrative.
The Pentagon adopts a scientific approach to keep soldiers at their natural peak, with evidence-based annual tests.
Faithfully reports Hegseth's words without adding commentary, presenting the policy as a normal health procedure.
Omits the criticism from Atlantic media and the political context of the Trump administration.
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