
Pato Merlín, símbolo viral do Mundial 2026, chega ao palácio presidencial e família regista marca
A ave que conquistou as redes com a camisola do México foi recebida por Claudia Sheinbaum, enquanto os donos procuram travar o uso comercial não autorizado da imagem.
O pato Merlín, que se tornou um fenómeno viral durante o Mundial de 2026 ao circular pelas ruas da Cidade do México vestido com a camisola da seleção anfitriã, foi recebido esta segunda-feira pela presidente Claudia Sheinbaum na conferência matinal do palácio presidencial. Na mesma jornada, a família proprietária — a vendedora ambulante Karla Gómez e os seus dois filhos — iniciou o registo do nome e da imagem da ave junto do Instituto Mexicano da Propriedade Industrial (IMPI), com o objetivo declarado de impedir que empresas lucrem com a figura sem contrapartidas.
Na perspetiva do governo mexicano, o convite inscreve-se numa lógica de “humanismo” e de proximidade com as famílias trabalhadoras. Sheinbaum afirmou que a fama adquirida “através de nós” deve traduzir-se em melhorias na qualidade de vida do agregado, prometendo apoio através dos programas sociais, sem detalhar medidas concretas. A família, por seu lado, sublinhou a sua condição de comerciantes de rua e descreveu Merlín como “parte da família”, rejeitando que terceiros explorem a imagem sem autorização. Karla Gómez indicou que a única empresa que aceitaria ajudar é a mexicana Corporativo Pascual, por se ter aproximado “desinteressadamente”.
A notoriedade do pato de raça Pekín, que já acompanhava a família na venda de águas e refrigerantes no Centro Histórico, disparou a 11 de junho, após a vitória do México sobre a África do Sul, quando foi filmado sob chuva intensa na Avenida Reforma. A FIFA designou-o “embaixador” da cidade-sede, mas, segundo a proprietária, o título não veio acompanhado de qualquer compensação financeira. O ex-presidente Felipe Calderón interveio no debate ao defender publicamente que a família deveria receber regalias ou um apoio económico significativo, considerando que a imagem do animal gerou benefícios para múltiplos atores. Na imprensa brasileira, veículos como o G1 e o Valor Econômico deram destaque ao encontro com a presidente, enquadrando Merlín como “mascote informal” da competição.
A popularidade da ave reacendeu também preocupações quanto ao bem-estar animal e aos efeitos da fama súbita. A Unidade de Fauna Silvestre da Cidade do México alertou para o risco de uma vaga de compra e posterior abandono de patos por pessoas sem condições de os manter, recordando que a espécie pode viver até dez anos e exige espaços amplos com água limpa. A família relatou que Merlín segue uma dieta especializada, mas aos domingos “come um taco de carnitas”, e que perdeu os sapatos de proteção num roubo, usando agora meias para evitar lesões nas patas. A história das aves anteriores — Bruna, que usava ténis, e Waffle, que morreu após suspeita de envenenamento — já circulava nas redes sociais mexicanas, mas foi com Merlín que o fenómeno atingiu escala global, inspirando peluches vendidos no Centro Histórico e até um pão doce artesanal batizado de “Merliconchas”.
O dossier permanece em aberto em duas frentes: o processo de registo de marca, que a família espera concluir para negociar acordos comerciais, e a incógnita sobre a presença do animal no Estádio Cidade de México, cujo regulamento proíbe o acesso de animais, à semelhança do código de conduta da FIFA, que só admite exceções para cães-guia. A autorização extraordinária dependeria dos organizadores, enquanto a família aguarda a concretização das promessas de assistência governamental.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O pato Merlín, mascote não oficial da Copa do Mundo de 2026, foi recebido pela presidente Sheinbaum no Palácio Nacional. A presidente destacou a história humana da família e prometeu apoio, enquanto a dona iniciou o registro da marca para capitalizar a fama do animal. Um reflexo do humanismo mexicano e do espírito empreendedor.
Enquanto a presidente Sheinbaum posa com um pato viral, as preocupações com a segurança da Copa do Mundo permanecem. A comovente sessão de fotos desvia a atenção dos desafios de segurança que o torneio enfrenta. O pedido de marca do pato é uma jogada inteligente, mas o timing levanta questões sobre prioridades.
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