
Pato Merlín torna-se mascote viral do Mundial 2026 e ofusca até incidentes no Fan Fest
A ave mexicana, vestida com a camisola da seleção, conquistou as redes sociais e a atenção da FIFA, enquanto o Fan Fest na Cidade do México gerou milhões em receita e registou confrontos entre adeptos e polícia.
O Mundial de 2026, coorganizado por México, Canadá e Estados Unidos, já produziu a sua primeira estrela viral inesperada: um pato branco de dois anos chamado Merlín. Vestido com uma camisola verde da seleção mexicana e pequenas meias, o animal desfilou pelas ruas da Cidade do México após a vitória sobre a África do Sul e, em poucas horas, as imagens acumularam milhões de visualizações. Merlín, que acompanha a dona Carla Gómez nas suas vendas ambulantes de água, tornou-se a mascote não oficial do torneio, relegando para segundo plano o mascote oficial da FIFA. A federação internacional rendeu-se ao fenómeno: convidou o pato para ser embaixador do jogo entre México e Coreia do Sul e integrou-o nas atividades do Fan Fest no Zócalo. A fama cruzou fronteiras: no Canadá, lojas em Vancouver já vendem figuras de patos com camisolas de várias seleções, enquanto em Boston um pato escocês, adornado com a bandeira da Escócia, emergiu como contraponto entre a colorida ‘Tartan Army’, que fez do Fenway Park um festival de gaitas e kilts. Até um corrido norteño, composto pelas Forças Armadas mexicanas, celebra o ‘pato chambeador’ como herói nacional.
O Fan Fest na praça do Zócalo, epicentro das celebrações na capital mexicana, ilustra a dimensão económica do evento. Em apenas sete dias, o recinto gerou uma receita de 322 milhões de pesos (cerca de 15 milhões de euros), com mais de 576 mil visitantes e um gasto médio individual entre 560 e 1.150 pesos, segundo a Câmara de Comércio da Cidade do México. A agremiação empresarial projeta que o Mundial deixará 26,3 mil milhões de pesos na capital, impulsionando setores como hotelaria, restauração e transportes. Contudo, a euforia não esteve isenta de tensões: vídeos divulgados nas redes sociais mostram confrontos entre adeptos e polícias nas imediações do Fan Fest, quando uma multidão tentou aceder ao recinto pela rua de Madero antes do México-Coreia do Sul. Não houve feridos, mas o incidente expôs os desafios de gestão de massas num evento desta escala.
Na perspetiva de Brasília, o fenómeno Merlín evoca a tradição de mascotes animais que pontuam a história dos Mundiais — do polvo Paul, em 2010, ao cão Pickles, que em 1966 encontrou o troféu roubado em Londres. A diferença reside na espontaneidade: Merlín não foi criado por uma campanha de marketing, mas emergiu do quotidiano de uma família de vendedores ambulantes, capturando a imaginação popular precisamente por essa autenticidade. Observadores em Lisboa notam que a rivalidade entre o pato mexicano e o escocês espelha a globalização das culturas de adeptos, onde símbolos locais ganham projeção internacional instantânea através das redes sociais. Para os países lusófonos, que estarão representados no torneio por Brasil e Portugal, o episódio sugere que a Copa de 2026 poderá gerar narrativas semelhantes, alimentadas pela paixão futebolística partilhada.
O futuro de Merlín parece assegurado para além do torneio. A sua imagem já é replicada em produtos comerciais e a FIFA trata-o como um ativo de envolvimento dos adeptos. A projeção económica para a Cidade do México, ancorada no sucesso do Fan Fest, reforça a aposta das cidades-sede em eventos paralelos como motores de receita. Enquanto o México prossegue a sua campanha, o pato que começou por vender águas na Alameda Central personifica a imprevisibilidade e a alegria que só um Mundial pode proporcionar — e que, de Brasília a Luanda, continuará a ser acompanhada com um sorriso.
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