
Mascotes virais do Mundial 2026 conquistam México e ecoam na política de Sheinbaum
A popularidade do pato Merlín e do cão Osito durante a Copa do Mundo de 2026 levou a presidência mexicana a convidar a ave ao palácio, enquanto o governo também coordenava ações em direitos humanos.
A Copa do Mundo da FIFA de 2026, realizada nas cidades mexicanas de Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, tem projetado para o planeta não apenas os feitos desportivos, mas também figuras improváveis que se transformaram em símbolos da hospitalidade mexicana. O pato Merlín, que ganhou notoriedade ao circular pelas ruas do centro histórico vestido com a camisola da seleção, foi anunciado pela presidente Claudia Sheinbaum como futuro convidado do Palácio Nacional. A governante, que na sua conferência matinal destacou o papel do animal como expressão da alegria colectiva, confirmou ainda a presença de Merlín no jogo frente à República Checa, graças a bilhetes disponibilizados pelo empresário Ricardo Salinas Pliego. Paralelamente, o cão Osito, um poodle resgatado que acompanha o seu dono, o distribuidor Jorge Rangel, numa bicicleta de carga decorada para o evento, também se tornou uma atracção para os milhares de adeptos que procuram fotografias.
A euforia que envolve os jogos da seleção nacional, que garantiu o apuramento para os oitavos-de-final, é enquadrada por Sheinbaum como uma demonstração da identidade mexicana, capaz de celebrar em colectividade e em segurança. De acordo com a Secretaria de Turismo, as três sedes têm registado ocupações hoteleiras superiores a 95% em dia de jogo, com uma derrama económica estimada em 1.800 milhões de pesos só no setor da hotelaria e restauração. Este ambiente de festa ordeira é também sublinhado pela própria presidente, que comparou a postura dos adeptos com a de outros países, numa estratégia de comunicação que procura reforçar a imagem externa do México. A popularidade de Sheinbaum, próxima dos 70%, conforme reportagem do diário britânico The Guardian, ancora-se em reformas sociais e na gestão diplomática com os Estados Unidos, mas analistas internacionais notam que a sua associação a símbolos populares como Merlín reforça a narrativa de um governo próximo dos cidadãos.
No plano institucional, o governo federal promoveu a Sexta Mesa de Coordenação com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), liderada pela secretária do Interior, Rosa Icela Rodríguez, e pela ombudsperson Rosario Piedra Ibarra. O encontro, que contou com representantes de organismos como a Secretaria Anticorrupção e a Comissão Executiva de Atenção a Vítimas, teve como objectivo acelerar o cumprimento de recomendações e consolidar mecanismos preventivos em áreas como saúde, migração, ambiente e infância. A articulação entre instituições federais e autónomas é apresentada pelo executivo como um passo para uma governação mais próxima das pessoas, embora organizações da sociedade civil continuem a pressionar por resultados mais visíveis, nomeadamente nos temas das desaparições e da violência associada ao crime organizado.
Enquanto o México se prepara para o jogo de 24 de Junho frente à República Checa, que decidirá a classificação final do Grupo A, as mascotes virais já não são apenas curiosidades de rua. Merlín, cuja proprietária, Karla Yvette Gómez López, foi identificada como vendedora de água, tornou-se alvo de tentativas de imitação que resultaram em acusações de maus-tratos animais, como o caso da presidente da Câmara de Quiroga, Michoacán. A difusão destes fenómenos, a par da visibilidade planetária da competição, coloca o México sob os holofotes, com a promessa da presidência de que o pato Merlín desfilará em breve nos corredores do poder, num gesto que, na perspetiva do governo, celebra a cultura popular e, ao mesmo tempo, projecta a imagem de um país orgulhoso das suas tradições e capaz de as conciliar com a agenda de direitos e desenvolvimento.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A dog named Osito alongside the duck Merlín emerged as unofficial stars of the 2026 World Cup. They attracted widespread attention from fans and media, becoming symbols of joy during the tournament.
The real sensation of the World Cup is the duck Merlín, who became a star in a Mexican national team jersey. Even President Sheinbaum invited his owner, highlighting the cultural significance of the phenomenon.
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