
OPEP eleva projeção de demanda de petróleo para 2050 e afasta cenário de pico
Cartel revê em alta estimativa de consumo global para 124 milhões de barris diários, citando mudanças regulatórias e crescimento na Ásia e África, enquanto Brasil se destaca como motor da oferta.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumentou a sua projeção de procura mundial de crude para 2050, fixando-a em 124 milhões de barris por dia (mbd), mais 1,1 mbd do que no relatório do ano passado. A estimativa para 2030 manteve-se inalterada nos 113,3 mbd, mas a revisão em alta no horizonte de meados do século reforça a convicção do cartel de que o consumo de petróleo não atingirá um pico nas próximas décadas. A organização justifica o otimismo com uma mudança no panorama das políticas energéticas, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, e com o crescimento económico sustentado na Índia, no Médio Oriente e em África.
A leitura da OPEP contrasta com as projeções mais conservadoras da Agência Internacional de Energia (AIE), que estima uma procura de 113 mbd em 2050 e já chegou a antecipar um pico antes dessa data. Para o cartel, cujos membros dependem fortemente das receitas do petróleo, a revisão assenta num ambiente regulatório que se torna mais favorável à utilização de combustíveis fósseis, num contexto de preocupações com a segurança energética e de reavaliação dos calendários de transição. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia mantém metas ambiciosas de descarbonização, mas a trajetória global indicada pela OPEP sugere que a eletrificação e as renováveis podem demorar mais a substituir o crude do que o previsto nos cenários oficiais.
O relatório Perspectivas Mundiais do Petróleo 2026, divulgado esta quinta-feira, coloca o Brasil entre os principais responsáveis pela expansão da oferta fora do grupo da Declaração de Cooperação (OPEP+). Ao lado de Catar, Argentina e Canadá, o país deverá impulsionar a produção de líquidos nos próximos anos, ancorado no pré-sal e em novos projetos de águas profundas. Na perspetiva de Brasília, o protagonismo como fornecedor global reforça a relevância geopolítica do setor, mas também expõe o país a tensões entre a agenda climática e a exploração de hidrocarbonetos. Para as nações lusófonas produtoras, como Angola, a manutenção de uma procura elevada até 2050 representa um alívio face à volatilidade recente, ainda que os desafios de diversificação económica permaneçam.
A visão de longo prazo da OPEP projeta um mundo onde o petróleo continuará a ser a espinha dorsal da matriz energética, sustentado pela Ásia emergente e por uma África em crescimento populacional. Contudo, a concretização desse cenário dependerá da velocidade com que as políticas climáticas forem implementadas e da evolução tecnológica nas baterias e nos combustíveis alternativos. A divergência entre as previsões do cartel e as da AIE ilustra a incerteza que marca o debate energético global, deixando governos e investidores perante um horizonte onde a única certeza é a persistência da dependência do barril por, pelo menos, mais um quarto de século.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia estatal russa divulga os números atualizados da OPEP sem comentários editoriais, destacando a revisão para cima para 124 milhões de barris por dia até 2050, acima dos 122,9 do ano anterior. A previsão para 2030 permanece estável em 113,3 milhões. O foco está nos dados brutos e nos ajustes técnicos do relatório.
A mídia do Golfo destaca a robusta perspectiva de demanda da OPEP, que não vê pico antes de 2050 e aponta para uma mudança global em direção a políticas pró-petróleo. O cartel, cujas receitas dependem do petróleo, apresenta previsões superiores às da Agência Internacional de Energia, reforçando a narrativa de um futuro ainda dominado pelos hidrocarbonetos.
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