
Onda de calor na Europa deixa centenas de mortos e bate recordes históricos
França, Espanha e Reino Unido registam temperaturas sem precedentes, enquanto autoridades contabilizam vítimas e sistemas de saúde entram em alerta máximo.
A vaga de calor que atinge a Europa ocidental desde o fim de semana já provocou centenas de mortes, de acordo com estimativas oficiais, e levou vários países a declarar o nível máximo de alerta sanitário. Em França, três crianças morreram após ficarem presas dentro de automóveis expostos a temperaturas superiores a 40 °C, segundo procuradores locais. As autoridades francesas contabilizaram ainda pelo menos 48 afogamentos desde o início da canícula, muitos em zonas não vigiadas, enquanto o sistema de saúde registou um aumento de quatro vezes nas idas às urgências por causas relacionadas com o calor. Em Espanha, o sistema de monitorização da mortalidade MoMo estima que 212 óbitos ocorridos entre domingo e quarta-feira possam ser atribuídos às temperaturas extremas, que chegaram a 45 °C na Andaluzia.
Os recordes de temperatura foram sucessivamente quebrados. A França viveu o dia mais quente desde o início dos registos, em 1947, com uma média nacional de 30 °C, e Paris superou os 40 °C pela quarta vez em 150 anos. O Reino Unido bateu o recorde de junho com 36,4 °C em Somerset, e a Alemanha igualou a sua noite mais quente, com mínimas de 26,2 °C. A Suíça registou 38 °C em Basileia, o valor mais elevado para o mês desde 1947. As agências meteorológicas atribuem o fenómeno a um bloqueio atmosférico em ómega, que aprisiona ar quente vindo do norte de África e impede a chegada de massas de ar mais fresco.
A dimensão da crise levou ao encerramento de escolas — 3.500 em França e mais de mil no Reino Unido — e à redução de horários em museus como o Louvre e a Torre Eiffel. Em Itália, 16 cidades foram colocadas sob alerta vermelho, e os tribunais de Palermo suspenderam audiências por avaria no ar condicionado. A rede elétrica também sofreu: França desligou três reatores nucleares porque a temperatura da água dos rios usada para refrigeração ultrapassou os limites legais, e milhares de casas na Bretanha ficaram sem eletricidade após uma avaria num transformador.
Do ponto de vista científico, um estudo citado por várias fontes indica que as temperaturas atuais seriam 2 a 4 °C mais baixas sem as alterações climáticas induzidas pela atividade humana. O responsável pelo clima da ONU, Simon Stiell, afirmou que a vaga de calor “tem as impressões digitais da crise climática” e que “até a humanidade parar de queimar quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, o calor extremo continuará a piorar”. A Organização Mundial da Saúde classificou a situação como emergência sanitária e apelou a investimentos em sistemas de saúde resilientes ao clima.
As previsões indicam que o pico da canícula se desloca agora para leste, com a Alemanha, a Áustria e a República Checa a prepararem-se para máximas de 40 °C no fim de semana. Em Espanha, a agência meteorológica deu o episódio como terminado, mas as contagens de vítimas permanecem provisórias e as investigações sobre as mortes das crianças continuam em curso.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma onda de calor recorde está se mostrando mortal na Europa Ocidental, com a França particularmente atingida. A crise é agravada pelo fato de a maioria das casas francesas não ter ar condicionado, deixando milhões de pessoas expostas a temperaturas perigosas. As autoridades estão correndo para implementar medidas de emergência à medida que o calor se intensifica.
A Europa está cambaleando sob uma onda de calor recorde que superou as previsões científicas, com temperaturas mais altas do que em partes da África Oriental e Ocidental. O sofrimento é agravado por edifícios e infraestruturas nunca projetados para tal calor, expondo um continente despreparado para uma nova realidade climática. O clima extremo acionou alertas de saúde e destacou uma inversão gritante das sortes climáticas.
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