
OMS prevê declarar fim de surto de hantavírus em cruzeiro a 2 de julho
Com 13 casos e três mortes, o surto no navio MV Hondius mobilizou 33 países; o fim do episódio está previsto para 2 de julho, caso não surjam novas infeções.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro neerlandês MV Hondius será oficialmente declarado encerrado a 2 de julho, desde que não se registem novos casos entre os 54 contactos que ainda cumprem quarentena. O balanço aponta para 12 casos confirmados e um provável, com três vítimas mortais. Mais de 650 contactos foram identificados e monitorizados em 33 países e territórios, num esforço de contenção que, segundo a OMS, evitou uma propagação internacional mais ampla.
O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, a 1 de abril, com destino às Canárias, fazendo escalas em ilhas remotas do Atlântico Sul. A hipótese mais consistente indica que um passageiro contraiu o vírus em terra, possivelmente na Argentina ou no Chile, antes do embarque. A estirpe Andes, endémica na região, é a única variante de hantavírus conhecida com capacidade de transmissão entre humanos, o que elevou o risco num ambiente fechado. As autoridades espanholas coordenaram o fondeadouro de emergência ao largo de Tenerife, evitando a atracagem direta e estabelecendo uma zona de exclusão marítima, num dispositivo que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu publicamente, destacando a liderança de Espanha e do seu presidente, Pedro Sánchez.
A gestão dos passageiros repatriados revelou tensões. Nos Estados Unidos, 18 cidadãos foram colocados em quarentena numa unidade especializada do Nebraska Medical Center, enquanto outros sete monitorizaram sintomas em casa. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos norte-americano elogiou a resposta, afirmando que não houve transmissão sustentada no país. Contudo, alguns passageiros queixaram-se de detenção involuntária; uma cidadã, Angela Perryman, permaneceu as seis semanas na unidade porque o estado da Florida recusou monitorizá-la em casa, tendo classificado a situação como “um golpe político”. No Canadá, 34 pessoas completaram o isolamento e o último caso recuperado deverá terminar o período de vigilância a 26 de junho.
Cientificamente, o encerramento do surto não significa o fim do trabalho. A OMS está a coordenar a partilha de amostras do vírus com o BioHub, na Suíça, para o desenvolvimento de testes de diagnóstico, tratamentos e vacinas. Por ser uma doença rara, sem terapêutica específica e com uma taxa de letalidade que pode atingir 50% nos casos da variante Andes, o episódio reacendeu o interesse na investigação sobre hantavírus. A rápida identificação de contactos em três dezenas de países e a imposição de quarentenas de 42 dias — o período máximo de incubação — foram determinantes para conter o evento. A próxima etapa será a análise laboratorial das amostras, cujos resultados poderão orientar a preparação para futuros surtos de um vírus que, embora raro, demonstrou capacidade de viajar do extremo sul das Américas até à porta da Europa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Com o fim das quarentenas e sem novos casos, os EUA e o Canadá encerraram oficialmente suas respostas de saúde pública ao surto de hantavírus no Hondius. A OMS deve declarar o fim do surto em 2 de julho, marcando um retorno à normalidade após semanas de preocupação internacional. As autoridades enfatizam que a ameaça diminuiu e as medidas de contenção foram bem-sucedidas.
Enquanto as últimas pessoas em quarentena são liberadas, a OMS deve declarar o fim do surto de hantavírus no Hondius em 2 de julho. No entanto, para os cientistas, o trabalho está apenas começando: amostras do vírus serão estudadas para desenvolver testes, tratamentos e vacinas para futuros surtos. O episódio, que provocou alarme internacional, agora passa da resposta de emergência para a pesquisa de longo prazo.
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