
OMS: 45% das demências são evitáveis; luz diurna e exames oftalmológicos precoces ganham respaldo
Novo guia da Organização Mundial da Saúde atualiza fatores de risco modificáveis, enquanto estudos reforçam o papel da exposição à luz natural no sono e a janela crítica para prevenir a ambliopia infantil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma atualização do seu guia para redução do risco de demência, estimando que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou adiados ao atuar sobre fatores modificáveis. O documento, que incorpora evidências acumuladas desde 2019, recomenda controlo da hipertensão e da diabetes, cessação do tabagismo e do consumo de álcool, prática de atividade física, treino cognitivo e socialização. Pela primeira vez, a OMS inclui a redução da exposição à poluição do ar e o uso de aparelhos auditivos entre as medidas preventivas, ao mesmo tempo que desaconselha a prescrição de vitaminas B, E, ómega-3 e polivitamínicos para esse fim, por falta de benefício comprovado. Os custos económicos globais da demência são estimados em 1,3 biliões de dólares anuais, metade dos quais associados a cuidados não remunerados prestados por familiares.
A relação entre sono e saúde cerebral ganhou novos contornos. Uma meta-análise da Universidade de York, no Canadá, observou que pessoas que relataram dormir mais de oito horas por noite apresentaram um risco 28% maior de desenvolver demência em comparação com as que dormiam entre sete e oito horas. Contudo, investigadores e especialistas como o professor Alan Eckeli, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), sublinham que o sono prolongado pode ser um marcador de doenças subjacentes — como depressão, apneia ou processos neurodegenerativos — e não a causa do problema. Paralelamente, um estudo da Universidade de Manchester, no Reino Unido, que acompanhou 89 adultos com sensores de luz e diários de sono durante mais de 500 dias, indicou que uma exposição diurna mais intensa e consistente à luz natural está associada a um adormecer mais cedo e a um sono mais profundo na primeira metade da noite. Os autores ressalvam que a investigação é observacional e que a luz foi medida no pulso, e não ao nível dos olhos, o que limita a interpretação causal.
No campo da saúde visual infantil, oftalmologistas alertam para a janela crítica do desenvolvimento da visão, que se encerra por volta dos sete anos de idade. A médica Maya Sari Wahyu Kuntorini, em sessão promovida pelo Ministério da Saúde da Indonésia, explicou que a ambliopia — ou “olho preguiçoso” — pode instalar-se de forma silenciosa quando erros refrativos (miopia, hipermetropia, astigmatismo) ou cataratas congénitas não são corrigidos atempadamente. A criança habitua-se a ver mal e não se queixa, mas o défice pode tornar-se permanente na vida adulta. Sinais como sentar-se muito perto da televisão, apertar os olhos ou tropeçar com frequência devem motivar uma consulta oftalmológica precoce, idealmente antes da idade escolar. Em paralelo, o especialista Andi Cleveriawan Arvi Putra, do hospital RSUD Bung Karno, em Surakarta, chamou a atenção para o facto de o uso prolongado de ecrãs em posição deitada reduzir a exposição à luz exterior e às distâncias longas, fatores que a literatura associa ao aumento da miopia.
Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, as novas diretrizes da OMS e os estudos observacionais reforçam a necessidade de políticas públicas que promovam o diagnóstico precoce e a modificação de hábitos desde a infância. O próximo passo prático será a incorporação destas recomendações nos planos nacionais de demência e nos programas de saúde escolar, enquanto a comunidade científica aguarda ensaios clínicos que possam confirmar se a manipulação da exposição à luz diurna reduz efetivamente a incidência de distúrbios do sono e de declínio cognitivo.
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
The WHO confirms that up to 45% of dementia cases are preventable, and Russia adopts these guidelines as the basis for national health policy.
By presenting the WHO guidelines as an indisputable fact and aligning them with national interests, a sense of authority and urgency is created with no room for debate.
It omits discussion of criticisms of the guidelines or study limitations, as well as the role of other risk factors such as sleep, which is emphasized in other blocs.
Excessive sleep increases the risk of dementia, and Brazilians must pay attention to this hidden factor.
By emphasizing a single risk factor (sleep) and citing a study with a precise percentage, the complexity of dementia is simplified and a sense of immediate threat is created.
It omits the other modifiable risk factors mentioned by the WHO, such as smoking, hypertension and pollution, which could downplay the relative importance of sleep.
Exposure to daylight improves sleep, and this is practical advice for everyone, without any need for alarm.
By focusing on a daily habit and a scientific study, a simple and immediate solution is offered, avoiding any connection to serious diseases like dementia.
It completely omits the dementia context and the WHO guidelines, making the article not directly related to the main story and thus misleading if read as part of the same coverage.
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