
O paradoxo do gelado: bebidas frias podem agravar desconforto digestivo e sensação de calor
Especialistas de diferentes continentes alertam que o consumo de líquidos gelados e refeições pesadas durante ondas de calor pode provocar inchaço, sonolência e até aumentar a temperatura corporal.
Com a onda de calor extremo que atinge a Europa e outras regiões, autoridades de saúde e especialistas em digestão, termorregulação e nutrição têm vindo a alertar para um conjunto de práticas comuns que, ao contrário do esperado, podem agravar o mal-estar durante os dias quentes. O consumo de água gelada, bebidas alcoólicas ou cafeinadas e refeições ricas em hidratos de carbono refinados está associado a um aumento de queixas como inchaço abdominal, sonolência pós-prandial e desidratação, mesmo quando a ingestão de líquidos parece adequada.
Do ponto de vista fisiológico, a ingestão de líquidos muito frios provoca uma vasoconstrição local no estômago, abrandando o esvaziamento gástrico e gerando sensação de peso e desconforto, explicam especialistas europeus em aparelho digestivo. Simultaneamente, os termorrecetores da boca e da garganta interpretam o frio como uma ameaça de hipotermia, levando o cérebro a contrair os vasos sanguíneos da pele e a reduzir a dissipação de calor, o que pode elevar a temperatura central do corpo, de acordo com investigações russas na área da biotecnologia. Em contraste, as bebidas quentes estimulam a transpiração, o mecanismo mais eficaz de arrefecimento corporal. Já as refeições com elevado índice glicémico — como arroz branco, inhame ou mandioca, comuns em várias culturas africanas e latino-americanas — provocam picos e quedas bruscas de glicose no sangue, desencadeando a chamada sonolência pós-prandial, um fenómeno que afeta mais de metade dos adultos, segundo inquéritos internacionais.
O impacto destes hábitos é particularmente sentido em países tropicais como o Brasil, Angola e Moçambique, onde as temperaturas elevadas se conjugam com dietas ricas em amidos e gorduras. Na perspetiva de observadores africanos, uma refeição pesada como o funge ou a muamba de galinha, seguida de um refrigerante gelado, pode amplificar a fadiga e o inchaço. Na América Latina, a prática de beber água com gelo após uma refeição copiosa é apontada como fator de mal-estar digestivo. As autoridades de saúde europeias, por seu lado, reforçam que o álcool e a cafeína, com efeitos diuréticos, agravam a desidratação em períodos de calor extremo, devendo ser evitados.
Com a previsão de continuação das temperaturas elevadas nas próximas semanas, os serviços meteorológicos e de saúde pública preparam-se para atualizar as recomendações à população. A Organização Mundial da Saúde deverá integrar estas evidências nas suas orientações para ondas de calor, sublinhando a importância de optar por água fresca em vez de gelada, fracionar as refeições, mastigar devagar e evitar deitar-se logo após comer. A adoção de chás quentes sem açúcar, como alternativa para estimular a transpiração, é outra medida que começa a ganhar espaço nas comunicações oficiais de vários países.
| Imprensa russa e CEI | +0.30 | aligned |
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| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
A tradição russa do chá quente é uma sabedoria antiga que a ciência moderna confirma: o calor do verão não justifica as bebidas geladas, prejudiciais à digestão.
Um hábito cultural é projetado como verdade científica universal, usando o prestígio da ciência para legitimar uma prática nacional.
Não são mencionados estudos que mostrem benefícios equivalentes de bebidas frias em calor extremo, nem se discute o efeito placebo.
Beber chá quente no verão é um conselho baseado na fisiologia, não na tradição: o calor estimula a transpiração e esfria o corpo.
O conselho é universalizado ao ser apresentado como ciência pura, despojado de qualquer contexto cultural para torná-lo aplicável a todos.
Não há discussão sobre gosto pessoal ou hábitos locais, nem menção de possíveis contraindicações para quem tem problemas de sudorese.
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