
Sob a chuva de monção, os 'baratas' marcham sobre Nova Deli
Milhares de jovens transformaram um insulto judicial num movimento de protesto que desafiou o cordão policial até às portas do Parlamento indiano, exigindo a demissão do ministro da Educação.
Sob um céu cinzento e carregado de chuva, milhares de vozes entoaram o hino Vande Mataram em uníssono, enquanto a multidão se comprimia contra as barreiras metálicas erguidas pela polícia no coração de Nova Deli. A água escorria pelas capas de chuva improvisadas e pelos cartazes que pediam a demissão do ministro Dharmendra Pradhan. No meio da massa, uma jovem erguia a Constituição indiana acima da cabeça, protegendo-a da humidade, num gesto que se tornaria uma das imagens mais partilhadas da jornada. O palco era Jantar Mantar, o antigo observatório astronómico que há décadas serve de caixa de ressonância para a dissidência na capital, e que naquela madrugada de 20 de julho se transformou no epicentro de um dos maiores desafios populares ao terceiro mandato de Narendra Modi.
O protagonista improvável desta mobilização é o Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido Popular das Baratas, um movimento que nasceu em maio como uma sátira nas redes sociais. O nome foi apropriado de uma observação do presidente do Supremo Tribunal indiano, que, durante uma audiência, comparara jovens desempregados a “baratas” e “parasitas da sociedade”. O insulto foi convertido em bandeira por Abhijeet Dipke, um estratega de comunicação política de 30 anos recém-chegado dos Estados Unidos. Em poucas semanas, o CJP acumulou mais de 22 milhões de seguidores no Instagram, transformando a ironia num movimento com reivindicações muito concretas: o fim das fugas de informação nos exames nacionais, uma reforma profunda do sistema educativo e a responsabilização política do ministro da Educação.
A fagulha que incendiou o protesto foi o cancelamento do exame nacional de admissão às faculdades de medicina, o NEET-UG, após a descoberta de uma fuga de perguntas que afetou 2,3 milhões de candidatos. A indignação com a repetição de escândalos semelhantes — que, segundo a oposição, já terão prejudicado 7,5 milhões de estudantes — encontrou um rosto no engenheiro e ativista Sonam Wangchuk, figura conhecida por ter inspirado a personagem de Aamir Khan no filme “3 Idiotas”. Wangchuk iniciou uma greve de fome indefinida a 28 de junho, e a sua remoção forçada do local do protesto pela polícia, ao 21.º dia de jejum, foi o rastilho que levou milhares de jovens a convergir para Deli durante a noite de domingo, desafiando as ordens policiais que proibiam a marcha até ao Parlamento.
A resposta das autoridades foi uma operação de segurança que mobilizou mais de dois mil agentes e vinte companhias de forças paramilitares. Estações de metro foram encerradas, o acesso à internet foi suspenso em zonas centrais da cidade e a polícia recorreu a gás lacrimogéneo e a bastonadas para dispersar os manifestantes que tentavam furar as barreiras. Enquanto os confrontos se sucediam, uma delegação do CJP era recebida pelo ministro da Saúde, J.P. Nadda, para um primeiro esboço de diálogo. Do hospital onde permanece internado, Wangchuk escreveu à mão uma nota em que afirmava continuar o jejum “até que os líderes juvenis possam encontrar-se com os parlamentares”, comovido com a forma como os jovens “se mantiveram pacíficos apesar da provocação”. A atriz Shabana Azmi e o ator Prakash Raj juntaram-se aos manifestantes, enquanto a oposição no Parlamento forçava sucessivos adiamentos da sessão.
Ao cair da tarde, com o palco de Jantar Mantar já desmontado pela polícia, grupos de manifestantes reagruparam-se nos relvados do Caminho do Dever, a avenida que o primeiro-ministro renomeara para celebrar a nova Índia. Carrinhas da polícia percorriam a relva molhada, perseguindo os últimos resistentes. Um deles, um profissional de TI de 26 anos que votara duas vezes no BJP, resumiu a fratura exposta naquele dia: “O governo é cego, mudo e surdo. Não vê os protestos, não ouve as nossas queixas e não diz uma palavra sobre isto.” A imagem dos jovens a correr sob a chuva, com a bandeira tricolor ainda erguida, condensou a metamorfose de um meme digital numa força que, pela primeira vez em anos, fez o poder recuar para negociar.
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.20 | neutral |
The cockroach movement openly challenges Modi's authoritarian government, which responds with disproportionate violence. Young students are heroes fighting for fair education.
By emphasizing police brutality and the peaceful determination of protesters, a moral opposition is created between innocent victims and an oppressive regime.
It omits the fact that some protesters threw stones and injured 50 police officers, as reported by Indian sources.
China observes the clashes in India with detachment, reporting facts without taking sides. The protest is a news event, not a moral issue.
By using dry language and avoiding evaluative adjectives, the news is presented as a routine public order incident, without political implications.
It does not report the context of growing opposition to Modi nor the criticism from the Indian opposition, which are present in other accounts.
India is divided: some defend police action as necessary, others denounce repression. The government and opposition accuse each other.
By presenting opposing sources (police vs. opposition) without synthesis, both versions are legitimized, leaving the reader to choose.
It does not delve into the government's role in allowing exam leaks, which is the root cause of the protest.
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