
Irão intensifica ofensiva diplomática com Iraque no centro das tensões regionais
Visita do primeiro-ministro iraquiano a Teerão, dias após encontro com Trump, testa equilíbrio entre Washington e Teerão enquanto Irão multiplica contactos com vizinhos e Europa.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, deslocou-se a Teerão na quinta-feira à frente de uma delegação ministerial, numa visita que, segundo fontes oficiais iraquianas, se centrou na cooperação energética, em particular no fornecimento de gás, e na coordenação de segurança regional. A deslocação ocorre duas semanas depois de al-Zaidi ter sido recebido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington, e num momento em que, de acordo com informações veiculadas por analistas em Washington, os Estados Unidos mantêm há onze dias uma campanha de ataques contra alvos iranianos, colocando o Iraque numa linha da frente do conflito.
Na perspetiva de Teerão, o encontro serviu para sublinhar a profundidade dos laços bilaterais. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, descreveu as relações como estratégicas e ancoradas em vínculos históricos, culturais e religiosos que transcendem a mera vizinhança, insistindo na aceleração da implementação de acordos existentes nas áreas económica, comercial e de trânsito. Bagdad, por seu lado, qualificou a parceria como um modelo de solidariedade histórica, mas fontes governamentais iraquianas frisaram que a questão do desarmamento de fações armadas — uma exigência central de Washington — é um assunto estritamente interno e não foi discutida em capitais estrangeiras. Em paralelo, Teerão recebeu as credenciais dos novos embaixadores do Paquistão, Sri Lanka e Alemanha, aproveitando cada ocasião para apelar ao reforço da cooperação e à reconstrução da confiança, num sinal do que observadores em Lisboa interpretam como uma tentativa de contrariar o isolamento diplomático.
A visita de al-Zaidi expõe a complexa geometria de pressões que Bagdad enfrenta. De acordo com fontes próximas da administração norte-americana, Washington deposita esperanças no jovem primeiro-ministro para conter as milícias apoiadas pelo Irão e estabilizar o país, condição que considera essencial para aprofundar os laços económicos e concluir a retirada das tropas norte-americanas prevista para setembro. Contudo, a influência iraniana mantém-se tangível: ataques com drones e mísseis contra a região do Curdistão iraquiano, atribuídos a Teerão por responsáveis curdos, já causaram vítimas entre grupos de oposição iranianos e levaram empresas energéticas internacionais a suspender operações, fragilizando a economia da região. O porta-voz do governo iraquiano garantiu que Bagdad está empenhada em proteger essas companhias, mas a escalada de violência complica o equilíbrio que al-Zaidi procura entre os dois polos.
A ofensiva diplomática iraniana estende-se ainda ao Paquistão, onde Pezeshkian elogiou os esforços de mediação do primeiro-ministro Shehbaz Sharif para reduzir tensões regionais, e ao Sri Lanka, cuja embaixadora foi recebida com um agradecimento pela cooperação humanitária na repatriação de corpos após o ataque norte-americano a um navio iraniano. Com a Alemanha, o presidente iraniano condicionou a revitalização das relações a uma mudança de abordagem de Berlim, criticando o encerramento do Centro Islâmico de Hamburgo e as sanções bancárias. A próxima etapa concreta será a ativação de comissões económicas conjuntas e a preparação da visita de al-Zaidi a Teerão, já anunciada por Bagdad, enquanto a comunidade internacional, incluindo o Brasil, que acompanha com atenção os desdobramentos no Golfo, aguarda sinais sobre a capacidade de o Iraque preservar a sua soberania num tabuleiro cada vez mais polarizado.
| Imprensa iraniana e afins | +0.90 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.40 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
O Irã reafirma a fraternidade indissolúvel com o Iraque e se posiciona como guia regional.
Usa uma linguagem de laços históricos e culturais para naturalizar a influência iraniana, apresentando a cooperação como inevitável e benéfica.
Omite a visita de al-Zaidi a Washington e as pressões dos EUA para reduzir a dependência iraquiana do Irã.
Israel observa com preocupação a tentativa iraquiana de equilibrar Washington e Teerã, destacando a ameaça das milícias apoiadas pelo Irã.
Constrói a narrativa em torno do dilema iraquiano entre dois polos, enfatizando as expectativas dos EUA e os riscos de um reforço iraniano.
Não menciona a cooperação energética e os laços históricos entre Irã e Iraque, nem as declarações de fraternidade.
O mundo árabe levante-magrebí registra a visita como um evento diplomático normal, enfatizando os interesses energéticos comuns.
Adota um registro descritivo e técnico, evitando julgamentos políticos, para apresentar a visita como rotineira.
Não aprofunda as implicações estratégicas do equilíbrio entre Washington e Teerã, nem as críticas às milícias.
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